As investigações sobre a morte do casal Leonardo de Oliveira Campos, de 42 anos, e Rayane Lins Farias Campos, de 38, ganharam novos elementos com a análise de mensagens e publicações atribuídas ao empresário Evandro Gabriel Ferreira, de 60 anos, principal suspeito do crime ocorrido em um condomínio residencial de Ponte Alta, no Gama, Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mensagens enviadas por Evandro em grupos de WhatsApp do condomínio, nas quais ele teria feito ameaças a moradores, já foram incorporadas ao inquérito conduzido pela 20ª Delegacia de Polícia. Moradores relataram que o empresário costumava intimidar vizinhos e protagonizar discussões frequentes no condomínio.
Além das conversas em aplicativos de mensagens, investigadores analisam postagens publicadas pelo suspeito em redes sociais. Em uma delas, feita no mesmo dia do crime, Evandro escreveu que, no Distrito Federal, “não ficará um de direita de pé” e afirmou que o melhor seria “mandar políticos e ex-políticos para o inferno”. Segundo relatos de testemunhas, o empresário também circulava com um bilhete afixado no vidro do veículo contendo mensagens de cunho político.
Até o momento, entretanto, a Polícia Civil não confirmou que as manifestações políticas tenham relação direta com a motivação do duplo homicídio. A principal linha de investigação aponta para um conflito de vizinhança envolvendo o muro que separava os imóveis do suspeito e das vítimas. A hipótese é de que o desentendimento tenha evoluído ao longo dos últimos meses até culminar no ataque.
Os corpos de Leonardo e Rayane foram encontrados na manhã de sexta-feira (17/7), no gramado da residência onde moravam. Conforme relatos de moradores à polícia, disparos de arma de fogo foram ouvidos por volta das 15h da quinta-feira (16/7), mas somente no dia seguinte as vítimas foram localizadas.
Rayane era coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) da Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto (GO). Leonardo trabalhava como coordenador de vendas da Brasal Refrigerantes. O casal havia oficializado a união no ano passado, após cerca de 15 anos de relacionamento, e deixa uma filha pequena.
O histórico criminal de Evandro Gabriel Ferreira também é alvo de análise pelos investigadores. Conforme registros judiciais, ele possui antecedentes por tentativa de homicídio, ameaça, porte ilegal de arma de fogo, violência doméstica, desacato, resistência, desobediência e crimes enquadrados na Lei Maria da Penha. Levantamentos apontam ainda que o empresário respondeu a 17 processos no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), embora parte significativa dessas ações tenha sido arquivada sem condenação.
Aspecto político
As publicações feitas por Evandro nas redes sociais e as mensagens expostas em seu veículo indicam que ele costumava manifestar posicionamentos políticos de forma contundente. Em uma das postagens analisadas pela investigação, o empresário direciona ataques a pessoas identificadas com a direita e também faz referências ofensivas a políticos e ex-políticos.
Até o momento, porém, não há informações oficiais de que Evandro mantivesse filiação partidária, ocupasse cargo público, integrasse movimentos políticos organizados ou tivesse atuação formal em campanhas eleitorais. Também não existem, até esta fase da investigação, elementos divulgados pela PCDF que permitam afirmar que o crime tenha sido motivado por divergências político-ideológicas.
As autoridades seguem apurando se o comportamento agressivo demonstrado pelo suspeito nas redes sociais e em grupos de moradores reflete apenas um padrão de hostilidade ou se possui alguma conexão com os fatos que culminaram na morte do casal. A Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito e outras diligências permanecem em andamento.

