Mudança na reforma tributária faz crescer procura por doação de imóveis em vida; especialistas alertam

Famílias antecipam planejamento sucessório para tentar reduzir custos futuros, mas decisão exige análise jurídica e tributária para evitar prejuízos.

A regulamentação da reforma tributária tem levado um número cada vez maior de brasileiros a antecipar a transferência de imóveis para filhos e outros herdeiros. Escritórios de advocacia e especialistas em planejamento patrimonial registram aumento na procura por orientações sobre doação em vida, motivada pelo receio de que futuras alterações na tributação elevem os custos da sucessão.

O movimento ocorre em meio às discussões sobre a implementação das novas regras tributárias. Embora ainda não exista uma mudança automática na cobrança sobre heranças e doações em todo o país, especialistas afirmam que muitas famílias preferem agir preventivamente para organizar o patrimônio enquanto as regras atuais ainda estão em vigor.

Corrida aos cartórios e escritórios especializados

Segundo profissionais do setor, houve crescimento na procura por consultas relacionadas à doação de imóveis, criação de holdings familiares e outras formas de planejamento sucessório.

A avaliação é que a antecipação pode trazer vantagens em determinadas situações, principalmente para famílias com patrimônio elevado. No entanto, a estratégia não é indicada para todos os casos.

Advogados alertam que uma doação realizada sem planejamento pode gerar custos desnecessários, conflitos entre herdeiros e até dificuldades para quem transfere o patrimônio e continua utilizando o imóvel.

O que deve ser analisado

Antes de doar um imóvel, especialistas recomendam avaliar:

  • incidência do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), cuja alíquota varia conforme o estado;
  • possibilidade de reservar o usufruto do imóvel para o doador;
  • impacto da transferência sobre outros bens da família;
  • existência de mais herdeiros e a necessidade de respeitar a legítima prevista na legislação;
  • custos cartorários e de registro.

Além disso, cada estado possui regras próprias para cobrança do ITCMD, tornando indispensável uma análise individualizada.

Reforma aumenta interesse pelo planejamento patrimonial

Especialistas destacam que a reforma tributária despertou maior interesse dos brasileiros por planejamento sucessório. A organização antecipada do patrimônio pode evitar disputas judiciais, reduzir burocracias e facilitar a transmissão de bens aos herdeiros.

Entretanto, a recomendação é que qualquer decisão seja tomada com orientação jurídica e contábil. A simples expectativa de mudanças na legislação não significa que antecipar a doação seja a melhor alternativa para todas as famílias.

Planejamento é a palavra-chave

Embora o debate sobre a tributação do patrimônio tenha acelerado a busca por soluções, especialistas reforçam que o principal objetivo deve ser estruturar a sucessão familiar de forma segura, transparente e adequada à realidade financeira de cada família.

A expectativa é que o interesse pelo tema continue crescendo à medida que a regulamentação da reforma tributária avance e novas definições sobre a tributação patrimonial sejam discutidas.

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