{"id":10399,"date":"2026-07-21T15:58:33","date_gmt":"2026-07-21T18:58:33","guid":{"rendered":"http:\/\/nahoranoticias.com\/?p=10399"},"modified":"2026-07-21T15:58:34","modified_gmt":"2026-07-21T18:58:34","slug":"restinga-de-marica-disputa-pelo-territorio-opoe-empresa-e-comunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=10399","title":{"rendered":"Restinga de Maric\u00e1: disputa pelo territ\u00f3rio op\u00f5e empresa e comunidades"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Empreendimento de luxo prev\u00ea hot\u00e9is e condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/259929.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma placa na Rodovia Amaral Peixoto, pr\u00f3xima de um dos acessos para a Restinga de Maric\u00e1, na Regi\u00e3o Metropolitana do Rio de Janeiro, anuncia o projeto tur\u00edstico-residencial \u201cMaraey\u201d. A palavra significa \u201cterra sem mal\u201d na l\u00edngua tupi-guarani, um lugar onde n\u00e3o h\u00e1 problemas nem conflitos.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1696243&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1696243&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A realidade na regi\u00e3o, no entanto, \u00e9 bem diferente. A disputa pelo territ\u00f3rio envolve distintos grupos e est\u00e1 perto de completar 20 anos, se for considerada apenas a fase mais recente. O marco inicial, neste caso, \u00e9 a compra, em 2006, de um terreno pela empresa que responde, atualmente, pelo nome Maraey Rio de Janeiro S.A. (nome fantasia IDB Brasil).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A propriedade, de 844,16 hectares, engloba a maior parte da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Maric\u00e1, que tem 969,24 hectares e abriga esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/strong>. Em uma APA, s\u00e3o permitidas atividades e constru\u00e7\u00f5es de baixo impacto ambiental e licenciadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/sXHsARpKxDpPKD7IzLZZ29o5P3E=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9036_0.jpg?itok=Wy5WvCvj\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1, restinga de Maric\u00e1.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">\u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1, restinga de Maric\u00e1. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em parte do terreno que a empresa comprou, entretanto, ainda vivem pescadores da comunidade Zacarias e ind\u00edgenas guaranis da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka&#8217; Aguy Ovy Por\u00e3) e da Aldeia Morada dos P\u00e1ssaros (Guyra Amb\u00e1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O projeto imobili\u00e1rio prev\u00ea gastos de R$ 11 bilh\u00f5es para construir um complexo hoteleiro e residencial de alto luxo, que deve gerar milhares de empregos permanentes<\/strong>. A promessa da IDB Brasil \u00e9 unir ganhos econ\u00f4micos e sustentabilidade, preservando 80% da vegeta\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. A prefeitura de Maric\u00e1 tamb\u00e9m defende o projeto em nome do desenvolvimento local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o contr\u00e1rios ao empreendimento a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez), o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a Defensoria P\u00fablica do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), pesquisadores de universidades p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es ambientais, como a Associa\u00e7\u00e3o de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental das Lagunas de Maric\u00e1 (Apalma) e o Movimento Ba\u00eda Viva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Esses grupos apontam que o complexo trar\u00e1 impactos negativos e irrevers\u00edveis \u00e0 fauna, \u00e0 flora, aos recursos h\u00eddricos, \u00e0s forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas e aos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da regi\u00e3o<\/strong>. Outros preju\u00edzos elencados s\u00e3o o aumento da vulnerabilidade costeira, o comprometimento de pesquisas acad\u00eamicas e danos a culturas e modos de vida tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">In\u00edcio das obras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No m\u00eas passado, a empresa iniciou na restinga o que chama de \u201cobras da primeira fase\u201d, para \u201cimplanta\u00e7\u00e3o do vi\u00e1rio principal\u201d. Isso motivou o MPRJ a entrar com um pedido de liminar na 2\u00aa Vara C\u00edvel da Comarca de Maric\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/aQrdaIq6eckQgfn39xqUmqwNx3g=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9012_0.jpg?itok=gK1na6w7\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Canteiro de obras do empreendimento Maraey, na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1, restinga de Maric\u00e1.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Canteiro de obras do empreendimento Maraey, na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1, restinga de Maric\u00e1. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 1\u00ba de julho, o juiz respons\u00e1vel, F\u00e1bio Ribeiro Porto, negou a suspens\u00e3o imediata das licen\u00e7as ambientais e a paralisa\u00e7\u00e3o total das obras. Por\u00e9m, indicou que a licen\u00e7a atual autoriza apenas a infraestrutura e o sistema vi\u00e1rio. Hot\u00e9is e resid\u00eancias dependem de outros licenciamentos, segundo o magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O juiz proibiu qualquer interven\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio da Aldeia Mata Verde Bonita sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e expressa da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai). Exigiu tamb\u00e9m o cumprimento dos direitos socioambientais dos pescadores, o que inclui a proibi\u00e7\u00e3o de demoli\u00e7\u00f5es sem anu\u00eancia da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 apenas um dos epis\u00f3dios em que a disputa foi parar nos tribunais. H\u00e1 outras duas a\u00e7\u00f5es sobre o caso: uma tramita no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), e a outra, no Supremo Tribunal Federal (STF). Elas questionam os processos de zoneamento da restinga e de licenciamento ambiental do empreendimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Projeto de luxo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto&nbsp;Maraey inclui tr\u00eas hot\u00e9is da Marriott International: o Ritz-Carlton Reserve, o JW Marriott All Inclusive e o Rock in Rio Autograph Collection.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra parte do terreno seria destinado para 392&nbsp;<em>branded residences<\/em>, vilas residenciais de alto luxo. Est\u00e1 previsto ainda a&nbsp;<em>Hospitality Business School<\/em>, universidade de gest\u00e3o hoteleira apoiada pelo Grupo EHL (<em>\u00c9cole H\u00f4teli\u00e8re de Lausanne<\/em>), o Maria Esther Bueno Tennis &amp; Sports Club, um centro equestre internacional, campo de golfe e um Centro de Refer\u00eancia Ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa diz que vai implantar vias principais, que funcionar\u00e3o como eixo de liga\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas regi\u00f5es de Maric\u00e1 (Itaipua\u00e7u, Centro e Ponta Negra), o que contribuiria para melhorar a mobilidade local. Tamb\u00e9m s\u00e3o prometidas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto a n\u00edvel terci\u00e1rio, uso de fontes renov\u00e1veis, est\u00edmulo \u00e0 mobilidade el\u00e9trica e h\u00edbrida, e mais de 20 km de ciclovia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A expectativa do neg\u00f3cio \u00e9 atrair 500 mil visitantes por ano para Maric\u00e1<\/strong>. Na fase de constru\u00e7\u00e3o, s\u00e3o prometidos 9 mil empregos tempor\u00e1rios, e a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que 4,5 mil postos permanentes sejam gerados quando o empreendimento estiver em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Territ\u00f3rio tradicional<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um dos extremos da Restinga de Maric\u00e1, est\u00e1 a comunidade Zacarias.&nbsp;<strong>Segundo a associa\u00e7\u00e3o local (Acclapez), criada em 1943, vivem ali cerca de 150 fam\u00edlias de pescadores<\/strong>. Apesar de n\u00e3o possu\u00edrem documentos oficiais de propriedade, t\u00eam um hist\u00f3rico de ocupa\u00e7\u00e3o que vem desde o S\u00e9culo 18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das principais comprova\u00e7\u00f5es utilizadas \u00e9 um mapa de 1797 que identifica a comunidade. Eles tiveram acesso a ele por meio de uma c\u00f3pia heliogr\u00e1fica do acervo do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/UGNeZ8APYD0yY8gwwo-RPlklXjU=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9216_0.jpg?itok=Mdr6QYvQ\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Sede da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (ACCLAPEZ). Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional col\u00f4nia de pescadores artesanais. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Sede da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez). Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vila consolidou uma identidade ligada \u00e0 pesca nas lagoas ao redor. Uma das marcas principais foi o desenvolvimento de uma t\u00e9cnica exclusiva chamada de \u201cpesca de galho\u201d, que consiste em colocar ramos de \u00e1rvores no fundo da lagoa para atrair os peixes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No S\u00e9culo 20, a comunidade enfrentou press\u00f5es de diferentes interesses imobili\u00e1rios.<\/strong>&nbsp;O conflito se intensificou nos anos 1970, quando o empres\u00e1rio L\u00facio Thom\u00e9 Feteira reivindicou a propriedade da \u00e1rea. O objetivo era construir o megaprojeto \u201cCidade de S\u00e3o Bento da Lagoa\u201d, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2000, L\u00facio Thom\u00e9 Feteira vendeu as terras ao Grupo Cintra, que as revendeu em 2006 para o IDB Brasil, hoje controlado pelos grupos espanh\u00f3is Cetya e Abacus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zacarias permanece no territ\u00f3rio at\u00e9 hoje, e as lideran\u00e7as passaram a se autodenominar \u201cos irredut\u00edveis\u201d. O t\u00edtulo \u00e9 usado para marcar a resist\u00eancia aos projetos que, segundo eles, amea\u00e7am a perman\u00eancia da comunidade no territ\u00f3rio e colocam em risco modos de vida seculares.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente quer a preserva\u00e7\u00e3o da comunidade aqui. N\u00e3o quer a destrui\u00e7\u00e3o que isso [o empreendimento Maraey] vai provocar\u201d, diz a presidente da Acclapez, Ni Marins.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Ni Marins, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (ACCLAPEZ). Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional col\u00f4nia de pescadores artesanais. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Ni Marins, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (Acclapez).&nbsp;Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEles vinham aqui fazer reuni\u00e3o e a gente perguntava: \u2018Voc\u00eas v\u00e3o tirar a gente daqui e v\u00e3o colocar em que lugar no mapa?\u2019. Eles nunca falaram\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A empresa Maraey\/IDB Brasil promete beneficiar mais de 200 fam\u00edlias de moradores com regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. A presidente da Acclapez rejeita a proposta por entender que \u00e9 uma estrat\u00e9gia para, depois, expulsar a comunidade Zacarias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcho isso horr\u00edvel porque, como o t\u00edtulo \u00e9 individual, depois vai ter press\u00e3o para o pessoal come\u00e7ar a vender os terrenos. Eles v\u00e3o conseguir derrubar os poucos que ficarem aqui e acabar nos obrigando a sair\u201d, diz Ni Marins. \u201cA gente quer um t\u00edtulo coletivo que passe de pai para filho e que n\u00e3o possa ser vendido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional col\u00f4nia de pescadores artesanais. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Comunidade Pesqueira de Zacarias, tradicional col\u00f4nia de pescadores artesanais. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aldeias ind\u00edgenas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No outro extremo da restinga, est\u00e3o ind\u00edgenas guaranis da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka&#8217; Aguy Ovy Por\u00e3) e da Aldeia Morada dos P\u00e1ssaros (Guyra Amb\u00e1).&nbsp;<\/strong>As duas s\u00e3o separadas por uma estrada estreita de terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira foi estruturada a partir de abril de 2013. Um dos l\u00edderes da aldeia, Amarildo Oliveira, conta que a ida para o territ\u00f3rio atual aconteceu depois de eles terem sofrido um inc\u00eandio criminoso em Camboinhas, bairro de Niter\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/m-iFT_b6JeNQQi1zuT4-PyLfCeY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9504_0.jpg?itok=RXb5SpqN\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Por\u00e3), comunidade ind\u00edgena da etnia mbya guarani, localizada na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka&#8217;Aguy Ovy Por\u00e3),&nbsp;localizada na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, a aldeia em Maric\u00e1 ocupa uma \u00e1rea de aproximadamente 70 hectares, onde vivem cerca de 300 pessoas. Eles possuem planta\u00e7\u00f5es, criam galinhas e t\u00eam acesso a peixes. Complementam a renda com artesanato e atividades tur\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No terreno, h\u00e1 constru\u00e7\u00f5es feitas com t\u00e9cnicas tradicionais, com galhos, terra e palha, al\u00e9m de casas de madeira doadas pela ONG Teto e constru\u00e7\u00f5es de alvenaria constru\u00eddas pela Prefeitura, como uma escola e uma unidade de sa\u00fade. O abastecimento de \u00e1gua depende de caminh\u00e3o pipa contratado pelo munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste per\u00edodo de 14 anos vivendo na restinga, os ind\u00edgenas se envolveram em mais de um protesto contra o empreendimento e pelo direito de permanecer no territ\u00f3rio. Amarildo explica que a liga\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o \u00e9 ancestral.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMaric\u00e1 era uma terra ind\u00edgena. Daqui at\u00e9 Niter\u00f3i, tinha mais de 80 aldeias ind\u00edgenas. Temos aqui perto um cemit\u00e9rio nosso, no s\u00edtio do Molol\u00f4, que fica mais para tr\u00e1s de onde estamos. E, para a gente, \u00e9 uma \u00e1rea sagrada\u201d, diz o l\u00edder.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/QeTsvZgywEUE-T7hdnD3iX-x_nI=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9471_0.jpg?itok=WaJzsTea\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Amarildo Oliveira, um dos l\u00edderes da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Por\u00e3), comunidade ind\u00edgena da etnia mbya guarani, localizada na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Amarildo Oliveira, um dos l\u00edderes da Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka&#8217;Aguy Ovy Por\u00e3). Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, depois de tanto tempo de luta e reviravoltas na Justi\u00e7a, a aldeia cogita agora deixar o local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTem a proposta da Prefeitura de Maric\u00e1 de estruturar uma outra \u00e1rea para vivermos. Eles sempre falam que essa \u00e1rea em que vivemos agora \u00e9 propriedade particular da IDB Brasil. Isso afeta o nosso dia a dia\u201d, explica Amarildo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Prefeitura de Maric\u00e1, o projeto prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de \u201cuma aldeia sustent\u00e1vel definitiva\u201d para os ind\u00edgenas no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente n\u00e3o quer mais problemas. A promessa existe, e a gente quer ver o documento legalizado da terra para ter uma garantia antes de deslocar uma aldeia inteira de um lugar para outro. Queremos ver o papel para come\u00e7ar a negociar. Enquanto n\u00e3o resolverem, a gente vai permanecer aqui\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/E9H60Oi_RcpJotUFvm8EVyTF0Fw=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9475_0.jpg?itok=7rv4tWCD\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Unidade de Sa\u00fade Ind\u00edgena na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Ovy Por\u00e3), comunidade ind\u00edgena da etnia mbya guarani, localizada na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Unidade de Sa\u00fade Ind\u00edgena na Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka&#8217;Aguy Ovy Por\u00e3), localizada na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na Aldeia Morada dos P\u00e1ssaros (Guyra Amb\u00e1), a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de maior vulnerabilidade<\/strong>. N\u00e3o h\u00e1 energia el\u00e9trica, o volume de \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 limitado, as casas s\u00e3o mais simples, h\u00e1 dificuldades para ampliar as planta\u00e7\u00f5es e lidar com res\u00edduos, que se acumulam em alguns pontos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles dependem diretamente de doa\u00e7\u00f5es de alimentos e de \u00e1gua de entidades civis e da Prefeitura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo se estabeleceu no local em dezembro de 2024. Atualmente, h\u00e1 67 pessoas. Parte do grupo \u00e9 oficialmente considerada&nbsp;refugiada&nbsp;pol\u00edtica, porque fez uma migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da Argentina (Prov\u00edncia de Misiones). Eles explicam que enfrentavam&nbsp;conflitos territoriais, falta de recursos e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo argentino de Javier Milei tem sido marcado por decis\u00f5es que desregulamentam a prote\u00e7\u00e3o territorial dos povos ind\u00edgenas. \u00c9 o caso de um decreto presidencial de 2024, que limita o alcance de legisla\u00e7\u00f5es anteriores que suspendiam os despejos de comunidades origin\u00e1rias de suas terras ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O l\u00edder do grupo \u00e9 Eug\u00eanio Ocampo, de 75 anos. O guarani acompanha os desdobramentos sobre o projeto imobili\u00e1rio e diz que gostaria de manter a aldeia no local. Mas, depois de enfrentar tantas disputas territoriais em suas passagens pela Argentina e Paraguai, n\u00e3o descarta uma mudan\u00e7a que garanta a posse definitiva de uma terra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOuvimos falar que esse territ\u00f3rio n\u00e3o est\u00e1 demarcado e que, a qualquer dia e a qualquer hora, eles [a empresa Maraey] podem usar essa \u00e1rea. A gente n\u00e3o sabe o que vai ser daqui para frente. Se eles quiserem usar essa \u00e1rea, precisam falar com a gente, mostrar qual seria uma \u00e1rea melhor para ficarmos\u201d, diz Eug\u00eanio.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/SDznJzyeQWrw1CpUpCuaJNfRN44=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr8953_0.jpg?itok=RitedNBD\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Eug\u00eanio Ocampo, l\u00edder da aldeia Guyra Ambar (Morada dos P\u00e1ssaros), familiares e outros membros da comunidade ind\u00edgena formada por fam\u00edlias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Eug\u00eanio Ocampo (de bon\u00e9 preto),&nbsp;familiares e outros membros da comunidade ind\u00edgena formada por fam\u00edlias do povo Mbya Guarani. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O genro de Eug\u00eanio, que ajuda a traduzir as falas do guarani para o portugu\u00eas, \u00e9 mais enf\u00e1tico sobre a perman\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa minha vis\u00e3o, deveriam deixar essa \u00e1rea para n\u00f3s, povos ind\u00edgenas\u201d, defende Edson, \u201cPodem trazer coisas boas para a gente aqui tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Lq8bPEyHu3foevIXsDXMrQ7uL5Y=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr8788_0.jpg?itok=JASjiMT_\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Aldeia Guyra Ambar (Morada dos P\u00e1ssaros), comunidade ind\u00edgena formada por fam\u00edlias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Aldeia Guyra Ambar (Morada dos P\u00e1ssaros), comunidade ind\u00edgena formada por fam\u00edlias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundador do Movimento Ba\u00eda Viva, o ecologista de origem ind\u00edgena S\u00e9rgio Ricardo Potiguara diz que o empreendimento viola normas internacionais ao n\u00e3o considerar os direitos de povos tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 um processo ilegal, porque desrespeita a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que exige a Consulta Pr\u00e9via, Livre e Informada \u00e0s comunidades tradicionais afetadas\u201d, diz S\u00e9rgio Ricardo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/vIlyn_xzM51DMof3ciT-8iZrs9c=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_d6a5544.jpg?itok=Dltv2fKP\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 24\/06\/2026 \u2013 O coordenador do Movimento Ba\u00eda Viva, S\u00e9rgio Ricardo Potiguara, debate a restinga de Maric\u00e1, onde est\u00e3o previstas obras do empreendimento Maraey, um resort, em encontro na UFRJ. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O coordenador do Movimento Ba\u00eda Viva, S\u00e9rgio Ricardo Potiguara, debate a restinga de Maric\u00e1, onde est\u00e3o previstas obras do empreendimento Maraey. Foto:&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) instaurou dois inqu\u00e9ritos sobre a prote\u00e7\u00e3o ambiental da \u00e1rea e os impactos na vida dos povos ind\u00edgenas. Procurado pela reportagem, o MPF disse que ainda existem dilig\u00eancias em curso, mas n\u00e3o ir\u00e1 comentar o andamento do caso neste momento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00edtios arqueol\u00f3gicos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ocupa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ancestral na restinga \u00e9 comprovada por meio de vest\u00edgios encontrados no S\u00edtio Arqueol\u00f3gico S\u00e3o Bento, que est\u00e1 cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gest\u00e3o (SICG) do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas identificaram fragmentos cer\u00e2micos de tradi\u00e7\u00e3o tupi-guarani, como um vaso funer\u00e1rio (iga\u00e7aba) com fragmentos de ossos, al\u00e9m de tigelas e panelas. No s\u00edtio, tamb\u00e9m foram encontrados fragmentos de cer\u00e2mica colonial e faian\u00e7a inglesa decorada do S\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outra \u00e1rea da restinga, foi identificado o piso de uma capela antiga e pequena constru\u00edda pelos monges beneditinos, que habitaram a regi\u00e3o no S\u00e9culo 17.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 22 de junho, a deputada estadual Renata Souza (PSOL) encaminhou of\u00edcio ao Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) sobre os poss\u00edveis impactos do empreendimento Maraey sobre \u201cbens culturais, s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, paisagens culturais ou patrim\u00f4nio cultural associado \u00e0 comunidade tradicional pesqueira de Zacarias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe a preocupa\u00e7\u00e3o de que os vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos sejam afetados pela movimenta\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas pesadas, terraplanagem e limpeza do terreno para as instala\u00e7\u00f5es do empreendimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Iphan disse, em nota enviada \u00e0 reportagem&nbsp;que acompanha pesquisas arqueol\u00f3gicas realizadas no local por uma empresa contratada pelo empreendimento,&nbsp;em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA&nbsp;documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para as pesquisas arqueol\u00f3gicas est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o regular, e a portaria que autoriza as atividades no local foi atualizada e publicada em 16 de mar\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Laborat\u00f3rio a C\u00e9u Aberto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores e ambientalistas defendem que&nbsp;<strong>a Restinga de Maric\u00e1 \u00e9 um dos \u00faltimos fragmentos cont\u00ednuos deste tipo de ecossistema no estado do Rio de Janeiro<\/strong>. Outras restingas com import\u00e2ncia semelhante seriam as de Marambaia, Jurubatiba e Massambaba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O c\u00e1lculo \u00e9 de que existam mais de 500 estudos liderados por universidades p\u00fablicas em Maric\u00e1. O que, segundo os pesquisadores, faz da regi\u00e3o um \u201claborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram identificados mais de 400 tipos bot\u00e2nicos na restinga. Ela tamb\u00e9m \u00e9 considerada um ambiente de influ\u00eancia para 265 esp\u00e9cies de aves, que a utilizam como local de reprodu\u00e7\u00e3o, de pouso e de invernada, como \u00e9 o caso de p\u00e1ssaros migrat\u00f3rios nacionais e internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O ecossistema \u00e9, ainda, habitat de diversas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o nacionalmente, como a largatixa-da-praia, a borboleta-da-praia e o peixe-de-nuvem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/YmTfYfp1I7IReI4wbwBRvwYK6ng=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr9031.jpg?itok=w85qHCzh\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1, restinga de Maric\u00e1.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">\u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental(APA) de Maric\u00e1, restinga de Maric\u00e1. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ge\u00f3grafa D\u00e9sir\u00e9e Guichard, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), diz que o empreendimento Maraey impossibilitaria a continuidade das pesquisas acad\u00eamicas e teria impactos irrevers\u00edveis sobre fauna e flora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o existe ambiente que consiga se manter protegido com supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, nem com o volume de tr\u00e1fego e pessoas previsto. Do ponto de vista geol\u00f3gico, \u00e9 destruir uma forma\u00e7\u00e3o do litoral brasileiro de 40 mil anos atr\u00e1s\u201d, diz a ge\u00f3grafa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAl\u00e9m disso, dado o n\u00famero de pesquisas no local, \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cient\u00edfico da humanidade,&nbsp;patrim\u00f4nio em que o pr\u00f3prio Estado brasileiro investiu, ao financiar boa parte destes estudos por meio do CNPq e da Finep\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela indica ainda que haver\u00e1 aumento da press\u00e3o sobre o saneamento, porque o empreendimento demandaria quantidade grande de \u00e1gua pot\u00e1vel e produziria volume significativo de esgoto em uma regi\u00e3o que j\u00e1 enfrenta problemas nestes servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica costeira e o agravamento dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o de restinga, segundo D\u00e9sir\u00e9e, reduziria a prote\u00e7\u00e3o natural contra ressacas, aumentando a vulnerabilidade do litoral \u00e0s ondas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O entendimento de que a restinga \u00e9 ambientalmente sens\u00edvel foi o que motivou organiza\u00e7\u00f5es civis e cientistas a pressionarem o governo estadual a proteger o local na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solu\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o governador Leonel Brizola foi criar a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Maric\u00e1, por meio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/leisestaduais.com.br\/rj\/decreto-n-7230-1984-rio-de-janeiro-a-integra-deste-documento-encontra-se-disponivel-ainda-no-orgao-publico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Decreto Estadual n\u00ba 7.230, de 23 de abril de 1984<\/a>. Uma APA \u00e9 um tipo de unidade de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel, onde s\u00e3o permitidas atividades e constru\u00e7\u00f5es, planejadas e licenciadas, de baixo impacto ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O decreto proibia o parcelamento do solo para fins urbanos. Por\u00e9m, durante d\u00e9cadas, nunca houve um Plano de Manejo, o principal documento de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o que define exatamente o que pode ou n\u00e3o ser feito em cada \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em dezembro de 2007, um ano depois do registro de compra de boa parte da APA pela empresa Maraey\/IDB Brasil, o&nbsp;ent\u00e3o governador S\u00e9rgio Cabral&nbsp;instituiu um Plano de Manejo que tornava mais flex\u00edvel a urbaniza\u00e7\u00e3o da restinga, por meio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/leisestaduais.com.br\/rj\/decreto-n-41048-2007-rio-de-janeiro-institui-o-plano-de-manejo-da-area-de-protecao-ambiental-de-marica-localizada-no-municipio-de-marica-criada-pelo-decreto-estadual-7230-de-23-de-janeiro-de-1984-e-da-outras-providencias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Decreto n\u00ba 41.048<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nesse decreto, em 2011, a empresa come\u00e7ou o processo de licenciamento ambiental. Em 2014, apresentou o Estudo e Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O \u00f3rg\u00e3o emitiu licen\u00e7a pr\u00e9via, em 2015, licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o, em 2021, e autoriza\u00e7\u00f5es adicionais sobre manejo de fauna e flora, em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O zoneamento estabelecido em 2007 e o processo de licenciamento ambiental que se deu a partir dele s\u00e3o questionados nas&nbsp;a\u00e7\u00f5es judiciais que hoje est\u00e3o em curso. A primeira delas, de 2009, tem como autores as associa\u00e7\u00f5es Apalma e a Acclapez, representada pela Defensoria P\u00fablica, e tramita no STJ. A segunda, de 2018, tem como parte autora o Minist\u00e9rio P\u00fablico e tramita atualmente no STF.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As a\u00e7\u00f5es questionam o processo de licenciamento: o EIA-RIMA de 2014 \u00e9 considerado defasado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vers\u00e3o atual do projeto do empreendimento, que sofreu modifica\u00e7\u00f5es e n\u00e3o teve reavalia\u00e7\u00e3o de impactos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m h\u00e1 den\u00fancias de que o zoneamento da APA foi elaborado sem a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil, da comunidade cient\u00edfica e dos pescadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNas unidades de conserva\u00e7\u00e3o no Brasil, os planos de manejo envolvem estudos de cerca de 100 p\u00e1ginas. Esse estudo d\u00e1 subs\u00eddios ao zoneamento, sobre o que pode ou n\u00e3o ser feito. N\u00e3o existe isso no caso da APA de Maric\u00e1. Foi apenas assinado um decreto com uma divis\u00e3o de zonas para atender aos interesses do capital\u201d, argumenta a ge\u00f3grafa D\u00e9sir\u00e9e.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/qubrKn0bLnp1En-TWqywUD1wBYU=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_d6a5442.jpg?itok=dmzmFDbs\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 24\/06\/2026 \u2013 A ge\u00f3grafa e professora da UERJ D\u00e9sir\u00e9e Guichard Freire debate a restinga de Maric\u00e1, onde est\u00e3o previstas obras do empreendimento Maraey, um resort, em encontro na UFRJ. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">A ge\u00f3grafa e professora da UERJ D\u00e9sir\u00e9e Guichard Freire debate a restinga de Maric\u00e1, onde est\u00e3o previstas obras do empreendimento Maraey. Foto:&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alternativas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organiza\u00e7\u00f5es ambientais e pesquisadores se mobilizam desde 2007 contra o projeto imobili\u00e1rio por meio do Movimento Pr\u00f3-Restinga. Boa parte dos argumentos para preserva\u00e7\u00e3o do ecossistema s\u00e3o embasados em estudos do F\u00f3rum de Pesquisadores da Restinga de Maric\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A presidente da Apalma, Fl\u00e1via Lanari, defende alternativas para a regi\u00e3o que seriam, segundo ela, mais adequadas do que um empreendimento de luxo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA ideia \u00e9 fazer algo que envolva um turismo respons\u00e1vel. Precisa ser algo ambientalmente sustent\u00e1vel. N\u00e3o algo que seja sustent\u00e1vel apenas para o bolso de algu\u00e9m. N\u00e3o temos nada contra o desenvolvimento, mas n\u00e3o se pode construir uma cidade l\u00e1 dentro. O ideal \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o para o estudo e para o turismo\u201d, defende Fl\u00e1via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algo semelhante \u00e9 defendido pela pesquisadora D\u00e9sir\u00e9e.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA nossa proposta \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de um mosaico de unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Toda a \u00e1rea privada deveria ser desapropriada pelo Estado. Do jeito que est\u00e1 agora, uma \u00e1rea privada dentro de uma APA, faz com que todos os patrim\u00f4nios que est\u00e3o ali fiquem vulner\u00e1veis\u201d, diz a ge\u00f3grafa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO territ\u00f3rio dos pescadores poderia ser uma reserva extrativista ou territ\u00f3rio de uso coletivo. Igualmente o das duas comunidades ind\u00edgenas. E a \u00e1rea da restinga poderia ser transformada em um parque de dom\u00ednio p\u00fablico, onde seria permitido fazer pesquisas, lazer e turismo, mas sem uso urbano\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Maraey\/IDB Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reportagem entrou em contato com a Maraey\/IDB Brasil e pediu posicionamento da empresa sobre os principais pontos de conflito. Uma das quest\u00f5es diz respeito \u00e0 legalidade do in\u00edcio das obras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa respondeu que \u201cpossui todas as licen\u00e7as ambientais emitidas pelos \u00f3rg\u00e3os competentes e, hoje, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma decis\u00e3o judicial que impe\u00e7a o andamento das obras de infraestrutura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diz ainda que o processo de licenciamento contou \u201ccom numerosos estudos t\u00e9cnicos, realizados por renomados acad\u00eamicos e especialistas nas diferentes mat\u00e9rias ambientais, que serviram de apoio e fundamento para a elabora\u00e7\u00e3o do EIA-RIMA\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre as cr\u00edticas de que o EIA-RIMA, de 2014, n\u00e3o contempla mudan\u00e7as posteriores no projeto e teria de ser refeito, a empresa discordou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA vers\u00e3o atualmente considerada no licenciamento ambiental \u00e9 aquela que subsidiou a emiss\u00e3o da LP n\u00ba IN030651, correspondente \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do empreendimento consolidada ao final da an\u00e1lise de viabilidade ambiental, ap\u00f3s os ajustes, complementa\u00e7\u00f5es e adequa\u00e7\u00f5es promovidos durante a instru\u00e7\u00e3o do processo. Portanto, n\u00e3o se trata do layout preliminar inicialmente apresentado pelo empreendedor, mas da vers\u00e3o ajustada que serviu de base \u00e0 conclus\u00e3o t\u00e9cnica pela viabilidade ambiental da localiza\u00e7\u00e3o e da concep\u00e7\u00e3o geral do empreendimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre as medidas compensat\u00f3rias de impacto ambiental, a empresa disse que \u201co empreendimento ocupar\u00e1 somente 6,7% da \u00e1rea com edifica\u00e7\u00f5es, o que representa a metade do limite permitido pelo Plano de Manejo decretado para a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Considerando as \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o, como vias de acesso, jardins e a \u00e1rea j\u00e1 ocupada pela comunidade de pescadores de Zacarias, 81% da \u00e1rea de Maraey ser\u00e1 preservada ou recuperada com vegeta\u00e7\u00e3o nativa de restinga e Mata Atl\u00e2ntica\u201d, afirma a Maraey.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das propostas da empresa \u00e9 criar na regi\u00e3o \u201ca segunda maior Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) de restinga do Estado do Rio e a quinta do Brasil\u201d. O que \u00e9 apresentado como \u201cuma das medidas estruturantes do projeto\u201d. O processo de formaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u201cem tr\u00e2mite junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de o fluxo adicional de ve\u00edculos e pessoas gerar impactos na fauna e flora local,&nbsp;<strong>a empresa disse que o projeto \u201cfoi concebido para ser o principal empreendimento tur\u00edstico-residencial sustent\u00e1vel do pa\u00eds\u201d<\/strong>, \u201cgarantindo que o desenvolvimento local ocorra em total harmonia com a capacidade de carga do ecossistema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Disse ainda que o projeto \u201ctamb\u00e9m prev\u00ea solu\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas de gest\u00e3o h\u00eddrica, reaproveitamento de recursos, tecnologias limpas, monitoramento ambiental, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e medidas espec\u00edficas de prote\u00e7\u00e3o da fauna e da flora locais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prefeitura de Maric\u00e1<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em nota,&nbsp;<strong>a Prefeitura de Maric\u00e1 disse que \u201cconsidera o complexo Maraey um marco de desenvolvimento sustent\u00e1vel, que alia crescimento econ\u00f4mico \u00e0 rigorosa prote\u00e7\u00e3o ambiental, com a preserva\u00e7\u00e3o de cerca de 80% da restinga original\u201d<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO projeto gera impactos positivos diretos para a cidade, por meio da cria\u00e7\u00e3o de empregos, do fomento ao ecoturismo e da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria da comunidade pesqueira de Zacarias\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre os povos ind\u00edgenas, disse que atua continuamente para fortalecer o suporte nas aldeias, que contam com unidades de sa\u00fade, escolas e acesso permanente aos servi\u00e7os municipais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa rede de apoio ser\u00e1 ampliada pelo projeto Maraey, que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma aldeia sustent\u00e1vel definitiva. A\u00e7\u00f5es de acolhimento e garantia de direitos ser\u00e3o ampliadas para os demais grupos ind\u00edgenas, assegurando assist\u00eancia integral a todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/C6OmU3fjLlamW9o3vu4DDB2QHBE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/08\/_rbr8910_0.jpg?itok=wmNkLUmg\" alt=\"Maric\u00e1 (RJ), 30\/06\/2026 - Aldeia Guyra Ambar (Morada dos P\u00e1ssaros), comunidade ind\u00edgena formada por fam\u00edlias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Aldeia Guyra Ambar (Morada dos P\u00e1ssaros), comunidade ind\u00edgena formada por fam\u00edlias do povo Mbya Guarani, localizada ao lado da Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inea<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Inea&nbsp;disse, em nota, que \u201co empreendimento Maraey n\u00e3o se encontra suspenso por decis\u00e3o judicial mais recente, tampouco houve suspens\u00e3o das licen\u00e7as e autoriza\u00e7\u00f5es ambientais expedidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O instituto tamb\u00e9m informou que \u201co rito do licenciamento ambiental foi cumprido, com a an\u00e1lise t\u00e9cnica pertinente, e que o empreendedor possui as licen\u00e7as e autoriza\u00e7\u00f5es ambientais cab\u00edveis para a fase atual do empreendimento\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E Inea afirmou&nbsp;ter participado da \u201caudi\u00eancia na 2\u00aa Vara C\u00edvel da Comarca de Maric\u00e1, onde prestou as informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas solicitadas\u201d. O entendimento do Inea \u00e9 o de que a Justi\u00e7a referendou as licen\u00e7as ambientais emitidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empreendimento de luxo prev\u00ea hot\u00e9is e condom\u00ednio. 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