{"id":10582,"date":"2026-07-26T18:08:46","date_gmt":"2026-07-26T21:08:46","guid":{"rendered":"http:\/\/nahoranoticias.com\/?p=10582"},"modified":"2026-07-26T18:08:47","modified_gmt":"2026-07-26T21:08:47","slug":"cesarea-aumenta-risco-de-cancer-de-placenta-apos-mola-gestacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=10582","title":{"rendered":"Ces\u00e1rea aumenta risco de c\u00e2ncer de placenta ap\u00f3s mola gestacional"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da UFRJ mostraram correla\u00e7\u00e3o em estudo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/260129.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pessoas que passaram por cesariana t\u00eam 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofobl\u00e1stica gestacional, um tipo raro de c\u00e2ncer que surge a partir de c\u00e9lulas da placenta e cresce no \u00fatero. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1697341&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1697341&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A neoplasia trofobl\u00e1stica \u00e9 a consequ\u00eancia mais grave da doen\u00e7a trofobl\u00e1stica, mais conhecida como&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-07\/entenda-mola-gestacional-que-pode-evoluir-para-cancer-de-placenta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mola gestacional<\/a>.&nbsp;Ela ocorre quando a fertiliza\u00e7\u00e3o anormal entre \u00f3vulos e espermatoz\u00f3ides d\u00e1 origem a uma estrutura placent\u00e1ria an\u00f4mala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto invi\u00e1vel (mola parcial).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em at\u00e9 20% dos casos, c\u00e9lulas da mola gestacional se alojam no \u00fatero e evoluem para o&nbsp;c\u00e2ncer de placenta<\/strong>. No Brasil, a incid\u00eancia de doen\u00e7a trofobl\u00e1stica \u00e9 de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil&nbsp;registros de neoplasia por ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 se sabia que o risco de neoplasia \u00e9 maior nos casos de mola completa, em pacientes com mais de 40 anos, em mulheres com n\u00edveis muito elevados do horm\u00f4nio HCG&nbsp;ou que j\u00e1 tenham vivido epis\u00f3dios anteriores de mola completa e cistos nos ov\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancia internacional<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A id\u00e9ia de investigar a rela\u00e7\u00e3o entre as ces\u00e1reas e o c\u00e2ncer de placenta surgiu ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de um estudo semelhante feito na Coreia do Sul, mas com poucas pacientes, como explica a l\u00edder da pesquisa brasileira, Gabriela Paiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Maternidade Escola da UFRJ, ligada \u00e0 rede HU Brasil e ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade, abriga o Ambulat\u00f3rio de Doen\u00e7a Trofobl\u00e1stica Gestacional, terceiro maior centro de pesquisa e atendimento de mola do mundo<\/strong>. Toda semana, cerca de 80 pacientes com mola s\u00e3o atendidas na unidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com a quantidade de pacientes que a gente tem aqui, a gente pensou que poderia fazer essa avalia\u00e7\u00e3o trazendo um resultado muito mais preciso. Considerando tamb\u00e9m a grande quantidade de cesarianas que \u00e9 feita no Brasil&#8221;, complementa Gabriela, que tamb\u00e9m atua como m\u00e9dica no ambulat\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/wEXnlN9EfctSRL869MMyoyQ28GQ=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/05\/26\/toms1376.jpg?itok=AG9L22JF\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 26\/05\/2026 \u2013 A m\u00e9dica obstetra do ambulat\u00f3rio e maternidade da Maternidade Escola UFRJ, Gabriela Paiva posa para foto na institui\u00e7\u00e3o, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">A m\u00e9dica obstetra do ambulat\u00f3rio e maternidade da Maternidade Escola UFRJ Gabriela Paiva liderou&nbsp;o estudo sobre c\u00e2ncer de placenta e ces\u00e1rea. Foto:&nbsp;<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Doen\u00e7a Trofobl\u00e1stica da Nova Inglaterra, ligado \u00e0 Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foram analisados dados de 2.904 pacientes atendidas l\u00e1 e no hospital da UFRJ, entre 2002 e 2022, sendo 83,9% sem hist\u00f3rico de ces\u00e1rea e 468 com ao menos uma cirurgia do tipo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Entre as mulheres que j\u00e1 tinha sido submetidas \u00e0 cesariana, 26,5% desenvolveram o c\u00e2ncer, contra 20,8% daquelas que n\u00e3o tinham esse hist\u00f3rico<\/strong>. Todos os outros fatores que pudessem contribuir para esse resultado foram controlados, mostrando que a cirurgia pr\u00e9via aumenta o risco de forma independente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A principal hip\u00f3tese dos pesquisadores \u00e9 que o corte do \u00fatero, feito durante a cesariana, desregule o sistema imunol\u00f3gico da mulher, al\u00e9m de obrigar o remodelamento dos vasos sangu\u00edneos e causar fibrose.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A cicatriz da ces\u00e1rea \u00e9 uma \u00e1rea fr\u00e1gil dentro do \u00fatero. Ent\u00e3o, \u00e9 como se fosse uma porta de entrada para a mola, que acaba tendo mais poder de invas\u00e3o para entrar no \u00fatero e levar ao c\u00e2ncer&#8221;, complementa Gabriela Paiva, que realizou a pesquisa durante o seu doutorado.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contexto brasileiro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coordenador do ambulat\u00f3rio e orientador do trabalho, Ant\u00f4nio Braga, destaca a import\u00e2ncia desse achado no contexto do Brasil, que lidera as taxas mundiais de ces\u00e1rea.&nbsp;<strong>Enquanto a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade preconiza que 15% dos nascimentos devem ocorrer por via cir\u00fargica, essa propor\u00e7\u00e3o chega a 55% no pa\u00eds<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esse \u00e9 um tema que merece ser tratado como mais um risco agregado para as mulheres submetidas a cesarianas. Cesariana \u00e9 uma cirurgia salvadora de vidas, muito importante para garantir a seguran\u00e7a da m\u00e3e e do beb\u00ea, mas ela deve ser feita de forma consciente&#8221;, acrescenta.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A neoplasia trofobl\u00e1stica gestacional p\u00f3s-molar tamb\u00e9m deve ser considerada uma poss\u00edvel consequ\u00eancia de longo prazo do parto ces\u00e1reo pr\u00e9vio&#8221;, ao lado de outros desfechos adversos j\u00e1 conhecidos, como &#8220;risco de ruptura uterina, do espectro da placenta acreta, de parto prematuro e de outras complica\u00e7\u00f5es&#8221;, defendem os autores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/GnTS4z3JW4TxBLEtGGwIgIAqBig=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/05\/26\/toms1347.jpg?itok=1HLa_Zsn\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 26\/05\/2026 \u2013 O m\u00e9dico, professor de obstetr\u00edcia e respons\u00e1vel pelo laborat\u00f3rio de doen\u00e7as trofobl\u00e1stica gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, Ant\u00f4nio Braga posa para foto na institui\u00e7\u00e3o, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O m\u00e9dico, professor de obstetr\u00edcia e respons\u00e1vel pelo laborat\u00f3rio de doen\u00e7as trofobl\u00e1stica gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, Ant\u00f4nio Braga Foto:&nbsp;<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O estudo estima ainda que uma redu\u00e7\u00e3o de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas do pa\u00eds, chegando a 35%, poderia evitar aproximadamente 177 casos de c\u00e2ncer por ano, uma redu\u00e7\u00e3o de 6,1% na incid\u00eancia anual estimada da doen\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da for\u00e7a da correla\u00e7\u00e3o, os pesquisadores n\u00e3o recomendam que as mulheres com hist\u00f3rico de cesariana passem por um tratamento mais agressivo caso desenvolvam a neoplasia. A principal recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que elas sejam acompanhadas com maior vigil\u00e2ncia desde o diagn\u00f3stico da mola. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a conduta nos casos de c\u00e2ncer envolve o esvaziamento do \u00fatero por aspira\u00e7\u00e3o, sess\u00f5es de quimioterapia, e o monitoramento do horm\u00f4nio HCG, produzido durante a gravidez e tamb\u00e9m nos casos de mola. A histerectomia, ciurgia de retirada do \u00fatero, s\u00f3 \u00e9 recomendada em casos espec\u00edficos.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da UFRJ mostraram correla\u00e7\u00e3o em estudo. 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