{"id":10980,"date":"2026-08-03T17:05:01","date_gmt":"2026-08-03T20:05:01","guid":{"rendered":"http:\/\/nahoranoticias.com\/?p=10980"},"modified":"2026-08-03T17:05:02","modified_gmt":"2026-08-03T20:05:02","slug":"unifesp-identifica-residuo-compativel-com-sangue-no-antigo-doi-codi-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=10980","title":{"rendered":"Unifesp identifica res\u00edduo compat\u00edvel com sangue no antigo DOI-Codi\/SP"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisa examina espa\u00e7os associados a tortura na .<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/260502.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores identificaram res\u00edduos compat\u00edveis com sangue em \u00e1reas do antigo DOI-Codi de S\u00e3o Paulo, um dos principais centros de repress\u00e3o da ditadura militar brasileira. E sob sucessivas camadas de tinta e reparos, foi identificado um calend\u00e1rio gravado na parede de um banheiro por algu\u00e9m que esteve encarcerado no local.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1698430&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1698430&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coordenada pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), a pesquisa no DOI-Codi\/SP combinou arqueologia, an\u00e1lise do edif\u00edcio e t\u00e9cnicas das ci\u00eancias forenses para examinar espa\u00e7os historicamente associados a deten\u00e7\u00f5es, interrogat\u00f3rio e tortura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa integra um projeto interinstitucional coordenado por pesquisadores da Unifesp, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com participa\u00e7\u00e3o da UFSC e da USP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados obtidos em uma antiga enfermaria e em salas de interrogat\u00f3rio levaram \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de res\u00edduos hem\u00e1ticos. Em uma das amostras, coletada em uma antiga sala de interrogat\u00f3rio, a sala 7, um teste confirmat\u00f3rio apresentou resultado positivo para sangue humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As an\u00e1lises laboratoriais, no entanto, n\u00e3o permitem determinar quando esse material foi depositado nem foi poss\u00edvel recuperar perfis de DNA<\/strong>, provavelmente em raz\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o das amostras, das condi\u00e7\u00f5es ambientais e das sucessivas reformas realizadas no edif\u00edcio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, o contexto arqueol\u00f3gico, que \u00e9 uma das frentes da pesquisa, forneceu elementos que permitiram associar as amostras ao per\u00edodo de funcionamento do DOI-Codi\/SP.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs m\u00e9todos forenses n\u00e3o permitem determinar a data exata da deposi\u00e7\u00e3o, enquanto o contexto arqueol\u00f3gico permite situar os vest\u00edgios no per\u00edodo de funcionamento do DOI-Codi. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, contudo, associ\u00e1-los a uma pessoa ou epis\u00f3dio espec\u00edfico\u201d, explica Cl\u00e1udia Plens, docente da Unifesp, coordenadora da frente de arqueologia forense na pesquisa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Calend\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro resultado da investiga\u00e7\u00e3o surgiu em um banheiro do terceiro andar. Sob diferentes camadas de tinta e reparos, a equipe encontrou n\u00fameros e inscri\u00e7\u00f5es gravados diretamente na parede.&nbsp;<strong>O conjunto foi interpretado pelos pesquisadores como um calend\u00e1rio, com marca\u00e7\u00f5es correspondentes aos dias 23 a 31 de outubro e 1\u00ba a 4 de novembro.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, o calend\u00e1rio constitui uma marca material da experi\u00eancia do encarceramento e da tentativa de manter a percep\u00e7\u00e3o do tempo no interior do espa\u00e7o repressivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o entre as datas registradas e os dias da semana indicou inicialmente duas possibilidades para a produ\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio: 1970 e 1981.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cEssa ambiguidade p\u00f4de ser resolvida pelo cruzamento com o testemunho de uma ex-presa pol\u00edtica, que declarou ter visto a inscri\u00e7\u00e3o quando esteve detida no local, em 1971, permitindo atribuir o calend\u00e1rio a 1970\u201d, informou a Unifesp.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Edif\u00edcio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Localizado na Rua Tut\u00f3ia, zona sul da capital paulista, o complexo do DOI-Codi\/SP reunia celas, salas de interrogat\u00f3rio, espa\u00e7os administrativos, estruturas de vigil\u00e2ncia e ambientes utilizados para tortura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Segundo a Unifesp, pelo menos 52 mortes ocorridas no local s\u00e3o oficialmente reconhecidas.<\/strong>&nbsp;O DOI-Codi\/SP recebeu mais de 7 mil pessoas durante seu per\u00edodo de funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O edif\u00edcio onde a pesquisa se concentra, denominado pr\u00e9dio 2-a, abrigava o setor de intelig\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o e foi identificado por sobreviventes como um dos principais espa\u00e7os de interrogat\u00f3rio e tortura do complexo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA aus\u00eancia de plantas e de registros detalhados das reformas realizadas ao longo das d\u00e9cadas tornou necess\u00e1ria a combina\u00e7\u00e3o entre testemunhos, fontes documentais e an\u00e1lise arqueol\u00f3gica da pr\u00f3pria arquitetura\u201d, informou a Unifesp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para definir os pontos de investiga\u00e7\u00e3o, a equipe combinou documentos hist\u00f3ricos, testemunhos e a an\u00e1lise das transforma\u00e7\u00f5es que aconteceram no edif\u00edcio.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir das informa\u00e7\u00f5es reunidas, foram selecionadas antigas salas de interrogat\u00f3rio, uma poss\u00edvel enfermaria, uma sala associada \u00e0 pr\u00e1tica de tortura e um banheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira etapa do projeto de pesquisa, realizada em 2022, utilizou radar de penetra\u00e7\u00e3o no solo e escaneamento tridimensional do complexo. Em agosto de 2023, foram conduzidas escava\u00e7\u00f5es, prospec\u00e7\u00e3o nas paredes e nos pisos, an\u00e1lises forenses e atividades abertas ao p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs edif\u00edcios n\u00e3o s\u00e3o apenas cen\u00e1rios passivos dos acontecimentos. Paredes, pisos, reformas, inscri\u00e7\u00f5es e res\u00edduos tamb\u00e9m podem constituir evid\u00eancias. Quando investigamos esses lugares arqueologicamente, o pr\u00f3prio edif\u00edcio passa a ser tratado como documento\u201d, avaliou Plens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A retirada de revestimentos mais recentes revelou ainda, em alguns ambientes, o contrapiso de madeira utilizado durante o funcionamento do DOI-Codi\/SP. Nas paredes, a abertura de pequenas \u00e1reas de prospec\u00e7\u00e3o permitiu identificar camadas de tinta, reboco e reparos acumulados ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa examina espa\u00e7os associados a tortura na . 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