{"id":17088,"date":"2026-10-04T18:03:29","date_gmt":"2026-10-04T21:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=17088"},"modified":"2026-10-04T18:03:51","modified_gmt":"2026-10-04T21:03:51","slug":"os-cinco-grandes-desafios-do-agro-para-o-proximo-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=17088","title":{"rendered":"Os cinco grandes desafios do agro para o pr\u00f3ximo presidente"},"content":{"rendered":"<p>O futuro ocupante do Pal\u00e1cio do Planalto ter\u00e1 diante de si uma agenda complexa para o agroneg\u00f3cio, marcada por entraves estruturais cuja solu\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m de um mandato de quatro anos. Com o intuito de direcionar o debate, a <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio (Abag)<\/strong> elaborou um documento com cinco propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas a solucionar pontos cr\u00edticos da cadeia produtiva nacional.<\/p>\n<h2>Financiamento, endividamento e a urg\u00eancia do seguro rural<\/h2>\n<p>A sustentabilidade financeira dos agricultores \u00e9 hoje uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es do setor produtivo. De acordo com Felippe Serigati, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Agro, o encarecimento do cr\u00e9dito tem sido determinado pelas altas taxas de juros, pelo avan\u00e7o do endividamento no campo e pelo crescimento nos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial, fatores que tornaram os bancos mais restritivos.<\/p>\n<p>O pesquisador do Insper Agro Global, Leandro Gilio, ressalta que essa inadimpl\u00eancia decorre de preju\u00edzos consecutivos causados por eventos clim\u00e1ticos severos, insumos caros e custo de capital elevado. Isso vai tendo um efeito em cadeia, prejudicando os investimentos antes da produ\u00e7\u00e3o. Por isso que, nesse momento, o governo tem de agir de uma maneira um pouco mais forte para tentar evitar que esse processo acabe consumindo os investimentos no setor, afirma.<\/p>\n<p>O alcance do <strong>seguro rural<\/strong> ainda \u00e9 residual: cobre meros 3% da \u00e1rea agr\u00edcola do pa\u00eds. Para Serigati, a readequa\u00e7\u00e3o depende tanto de institui\u00e7\u00f5es financeiras quanto de produtores: Os credores v\u00e3o demandar algum tempinho para que eles possam ajustar novamente suas carteiras de cr\u00e9dito rural. Do lado dos tomadores desse cr\u00e9dito, eles t\u00eam de ter as contas mais bem organizadas, para conseguir sinalizar as suas reais condi\u00e7\u00f5es de pagar.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, um al\u00edvio recente veio com a san\u00e7\u00e3o da <strong>Lei 15.526\/2026<\/strong>, que reformulou o marco regulat\u00f3rio da \u00e1rea. A legisla\u00e7\u00e3o atende a demandas antigas do segmento ao regulamentar o Fundo de Cat\u00e1strofe e conferir car\u00e1ter obrigat\u00f3rio aos subs\u00eddios ao pr\u00eamio do seguro, o que impede contingenciamentos or\u00e7ament\u00e1rios futuros.<\/p>\n<h2>Depend\u00eancia de insumos externos e gargalos regulat\u00f3rios<\/h2>\n<p>Outra fragilidade sens\u00edvel reside na importa\u00e7\u00e3o de adubos. Atualmente, o pa\u00eds compra no exterior cerca de 80% dos fertilizantes qu\u00edmicos aplicados em suas lavouras, dependendo de na\u00e7\u00f5es sob conflito ou de rotas vulner\u00e1veis, a exemplo do Estreito de Ormuz. Embora exista o <strong>Plano Nacional de Fertilizantes<\/strong>, seus impactos s\u00e3o projetados apenas para o longo prazo.<\/p>\n<p>Professor da Esalq-USP, Carlos Eduardo de Freitas Vian lembra das limita\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas nacionais: A gente tem mat\u00e9ria-prima para alguns produtos, mas, para outros, a gente n\u00e3o tem. Vamos continuar dependendo de um certo volume de importa\u00e7\u00e3o. Serigati sugere que, diante disso, o Brasil diversifique seus fornecedores para mitigar riscos geopol\u00edticos.<\/p>\n<p>A Abag tamb\u00e9m defende celeridade na aprova\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e a elimina\u00e7\u00e3o do passivo regulat\u00f3rio, principalmente em defensivos agr\u00edcolas. Contudo, Vian pondera sobre a necessidade de rigor t\u00e9cnico: Porque quando voc\u00ea agiliza esses processos, voc\u00ea pode estar deixando de visualizar alguma outra coisa. Ent\u00e3o \u00e9 um problema mesmo que, para mim, \u00e9 de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Infraestrutura, armazenagem e inclus\u00e3o digital<\/h2>\n<p>A disparidade entre o crescimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a capacidade de transporte e estocagem continua sendo um dos maiores desafios log\u00edsticos. Conforme ilustra Serigati: Estamos falando de, em um prazo de quatro anos, um aumento de quase 100 milh\u00f5es de toneladas, equivalente \u00e0 safra da Argentina. A infraestrutura tem muita dificuldade de crescer no mesmo ritmo que a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>As perdas p\u00f3s-colheita decorrem da falta de armaz\u00e9ns e da precariedade de rodovias. Segundo Gilio, \u00e9 uma quest\u00e3o bastante grave, que eleva muito o custo e que acaba atingindo diretamente a margem do produtor agr\u00edcola e isso requer tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O especialista aponta que a burocracia estatal tamb\u00e9m atrasa obras essenciais: Porque \u00e0s vezes os projetos ficam simplesmente parados, s\u00e3o produtos que \u00e0s vezes s\u00e3o urgentes, j\u00e1 t\u00eam \u00e0s vezes financiamento para fazer, j\u00e1 t\u00eam estudos ambientais feitos, e a\u00ed, dentro da m\u00e1quina p\u00fablica, essas licen\u00e7as acabam ficando presas.<\/p>\n<p>Para solucionar essas car\u00eancias, especialistas concordam que o or\u00e7amento p\u00fablico \u00e9 insuficiente e que a atra\u00e7\u00e3o de capital privado \u00e9 indispens\u00e1vel. Como sintetiza Serigati, os instrumentos s\u00e3o variados: concess\u00e3o, privatiza\u00e7\u00e3o ou parceria p\u00fablico-privada.<\/p>\n<p>A infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 deficit\u00e1ria no meio rural, onde mais de 1,3 milh\u00e3o de domic\u00edlios (15% do total) ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet, segundo o IBGE. O professor da Esalq-USP refor\u00e7a a urg\u00eancia do problema: N\u00e3o adianta nada se voc\u00ea tem uma m\u00e1quina conectada, se voc\u00ea n\u00e3o tem como transferir dados.<\/p>\n<h2>Comunica\u00e7\u00e3o e diplomacia comercial<\/h2>\n<p>O setor tamb\u00e9m precisa aprimorar a sua imagem interna e externa. Para Carlos Eduardo de Freitas Vian, \u00e9 fundamental que o agroneg\u00f3cio evidencie suas virtudes ao mesmo tempo em que endere\u00e7a fragilidades, como o combate ao desmatamento. O docente destaca a import\u00e2ncia da atua\u00e7\u00e3o coordenada: Eu acho que a gente precisa preparar melhor os nossos representantes, embaixadores, para falar de uma forma institucional, mas acho que a iniciativa privada, as associa\u00e7\u00f5es, todo mundo de alguma maneira tem o seu papel nisso.<\/p>\n<p>Leandro Gilio lembra que concorrentes internacionais constroem marcas nacionais mais fortes: A gente tem alguns exemplos claros, como o caf\u00e9 colombiano, observando que esses produtos passam a ser desejados pela pr\u00f3pria origem.<\/p>\n<p>Por fim, a inser\u00e7\u00e3o global exige maior proatividade frente a barreiras tarif\u00e1rias e sanit\u00e1rias. Como alerta Gilio: Nesse mundo de guerra comercial, em que as barreiras crescem, as tarifas crescem por um lado, as restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias por outro. \u00c9 importante o pa\u00eds trabalhar um pouco mais em construir pontes para que a gente consiga garantir esses mercados. A diversifica\u00e7\u00e3o de compradores e o cumprimento rigoroso de exig\u00eancias socioambientais ser\u00e3o determinantes para que o Brasil mantenha sua competitividade internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Propostas da Abag miram gargalos hist\u00f3ricos em cr\u00e9dito, log\u00edstica e imagem internacional que superam o horizonte de um \u00fanico mandato.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17125,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,4],"tags":[],"class_list":["post-17088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-economia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/nahoranoticias.com\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/04-2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17126,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17088\/revisions\/17126"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}