{"id":4253,"date":"2026-03-08T15:33:00","date_gmt":"2026-03-08T18:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/nahoranoticias.com\/?p=4253"},"modified":"2026-03-08T15:33:01","modified_gmt":"2026-03-08T18:33:01","slug":"exposicao-no-rio-de-janeiro-debate-encarceramento-e-justica-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=4253","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro debate encarceramento e justi\u00e7a social"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obras refletem sobre sa\u00fade mental e ressocializa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/nahoranoticias.com\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/253506.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma exposi\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro re\u00fane obras de pessoas egressas do sistema prisional e de seus familiares.\u00a0Por meio de diferentes linguagens \u2013 como pintura, performance e v\u00eddeo \u2013,\u00a0os artistas prop\u00f5em reflex\u00f5es sobre encarceramento, desigualdades sociais e pol\u00edticas p\u00fablicas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1680369&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1680369&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos participantes da mostra&nbsp;<em>Coexistir Coabitar<\/em>&nbsp;\u00e9 o artista e biom\u00e9dico Wallace Costa, de 29 anos, que mora no bairro de Iraj\u00e1, na zona norte. Ele apresenta a obra&nbsp;<em>Cadeias de Vidro<\/em>: tr\u00eas telas em resina que revisitam a trajet\u00f3ria do pai na pris\u00e3o e como isso deixou marcas na fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Wallace,\u00a0a arte permite elaborar mem\u00f3rias e provocar reflex\u00f5es sobre justi\u00e7a, sa\u00fade mental e ressocializa\u00e7\u00e3o.\u00a0O pai dele foi detido mais de uma vez. Na pen\u00faltima pris\u00e3o, permaneceu 11 anos encarcerado. Ap\u00f3s cumprir pena, passou pelo regime semiaberto e voltou a ser preso em 2019, por um ano.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAl\u00e9m dos r\u00f3tulos que foram tatuados em mim, teve a \u00e9poca do regime semiaberto, em que tive que conviver com ele. Eu j\u00e1 era adolescente, e ele estava diferente. N\u00f3s t\u00ednhamos que ficar monitorando o aparelho da tornozeleira eletr\u00f4nica que ele usava. Ele chegou a usar drogas dentro de casa. Tudo isso teve muito impacto na minha vida\u201d, conta Wallace.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra do artista, a placa central traz a r\u00e9plica de um jornal que retratou o pai como instigador de uma rebeli\u00e3o ocorrida em abril de 2004. Nas laterais, fragmentos de vidro, adesivos e canudos encapsulados em resina representam a fragmenta\u00e7\u00e3o e a anula\u00e7\u00e3o do sujeito encarcerado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO objetivo \u00e9 tanto se ver na pele do outro quanto procurar se reconhecer em um reflexo distorcido de si mesmo. \u00c9 uma maneira de ver al\u00e9m da not\u00edcia. Eu explorei a sa\u00fade mental de um egresso ap\u00f3s a passagem pelo sistema prisional, a experi\u00eancia do meu pai como detento\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/EyR-VNnqZ07oMYXr6BAPiNOaGtQ=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/03\/03\/larissa_rolando_e_obra_que_relembra_trajetoria_na_prisao.jpg?itok=WLtsef0B\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 02\/03\/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Exposi\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro debate encarceramento e justi\u00e7a social. Obras de egressos e familiares refletem sobre sa\u00fade mental e ressocializa\u00e7\u00e3o. Foto: Thiego Mattos\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Foto: Thiego Mattos\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;Larissa Rolando fez uma escultura de cora\u00e7\u00e3o empalado para a exposi\u00e7\u00e3o &#8211;&nbsp;<strong>Foto: Thiego Mattos\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Detida entre fevereiro e maio do ano passado,\u00a0a jovem Larissa Rolando, de 20 anos, moradora de Bangu, na zona oeste, diz que a experi\u00eancia no sistema prisional foi \u201cuma virada de chave\u201d em sua vida. Ela transformou o per\u00edodo dif\u00edcil em reflex\u00e3o pessoal e arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mulher trans, Larissa conta que j\u00e1 estava com os documentos\u00a0retificados quando foi presa.\u00a0A expectativa era cumprir pena em um pres\u00eddio feminino, mas recebeu a informa\u00e7\u00e3o de que ficaria em uma unidade masculina \u2013\u00a0o que provocou p\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu fiquei com muito medo, muito medo. Um medo estratosf\u00e9rico mesmo, porque, na minha cabe\u00e7a, eu ia ser estuprada e ia acontecer tudo de ruim. Mas a realidade foi bem diferente. Os homens eram muito respeitosos e muito sol\u00edcitos comigo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do tratamento, Larissa teve de lidar com condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de higiene e alimenta\u00e7\u00e3o no pres\u00eddio.\u00a0Ela diz que a experi\u00eancia a tornou mais madura e a ajudou a rever amizades e prioridades. A mudan\u00e7a de perspectiva se refletiu tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Ela decidiu investir na escultura como linguagem principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara a exposi\u00e7\u00e3o, fiz a escultura de um cora\u00e7\u00e3o empalado, com veias saindo de dentro dele e, na ponta dessas veias, h\u00e1 CDs. Quis trazer algo que falasse da minha experi\u00eancia. E em todos os momentos da minha vida, desde que eu era crian\u00e7a, desde a minha transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, a m\u00fasica sempre esteve comigo. Nos momentos tristes e felizes\u201d, explica Larissa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Coexistir Coabitar\u00a0<\/em>re\u00fane obras de 27 artistas.\u00a0Elas s\u00e3o resultado de uma resid\u00eancia art\u00edstica realizada no Museu da Vida Fiocruz, voltada para egressos dos sistemas prisional e socioeducativo e seus familiares.\u00a0O processo articulou arte, sa\u00fade e justi\u00e7a social, tratando a cria\u00e7\u00e3o como ferramenta de escuta e reconstru\u00e7\u00e3o de trajet\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curador Jean Carlos Azuos destaca que o ponto de partida s\u00e3o as hist\u00f3rias dos pr\u00f3prios participantes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs obras n\u00e3o partem de temas dados, mas de experi\u00eancias reais. Arte, justi\u00e7a social e sa\u00fade ampliada atravessam os processos de cria\u00e7\u00e3o e se tornam mat\u00e9ria e linguagem\u201d, diz Azuos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da visita\u00e7\u00e3o, a programa\u00e7\u00e3o inclui atividades educativas, como visitas mediadas, oficinas e rodas de conversa, ampliando o di\u00e1logo com o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exposi\u00e7\u00e3o:&nbsp;<em>Coexistir Coabitar<\/em><br>Local: Largo das Artes \u2013 Rua Lu\u00eds de Cam\u00f5es, 02, Centro (1\u00ba andar)<br>Visita\u00e7\u00e3o: at\u00e9 25 de abril de 2026<br>Hor\u00e1rio: ter\u00e7a a s\u00e1bado, das 10h \u00e0s 17h<br>Entrada: gratuita<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obras refletem sobre sa\u00fade mental e ressocializa\u00e7\u00e3o Uma exposi\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro re\u00fane obras de pessoas egressas do sistema&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-4253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4256,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4253\/revisions\/4256"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nahoranoticias.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}