{"id":9552,"date":"2026-07-04T11:40:07","date_gmt":"2026-07-04T14:40:07","guid":{"rendered":"http:\/\/nahoranoticias.com\/?p=9552"},"modified":"2026-07-04T11:40:08","modified_gmt":"2026-07-04T14:40:08","slug":"biocosmeticos-unem-ciencia-e-tradicoes-ribeirinhas-no-oeste-do-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nahoranoticias.com\/?p=9552","title":{"rendered":"Biocosm\u00e9ticos unem ci\u00eancia e tradi\u00e7\u00f5es ribeirinhas no Oeste do Par\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mulheres impulsionam economia amaz\u00f4nica e mant\u00eam floresta em p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/259237.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do alto de seus 30 ou 50 metros, a andiroba lan\u00e7a frutos maduros ao ch\u00e3o. O impacto divide a casca dura em quatro partes e espalha as sementes pelo terreno. A partir da\u00ed, come\u00e7a o trabalho das Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia, grupo de mulheres ribeirinhas que produzem \u00f3leos para fins medicinais e cosm\u00e9ticos desde 2016.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1695857&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1695857&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elas vivem na comunidade S\u00e3o Domingos, que fica dentro da Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s, no Oeste do Par\u00e1. Todo o trabalho \u00e9 feito de maneira manual, e respeita o ritmo ditado pela natureza e pelos costumes locais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro passo \u00e9 coletar as sementes, que t\u00eam caracter\u00edsticas angulares, arredondadas, cor de caf\u00e9 e textura semelhante \u00e0 corti\u00e7a. Para chegar ao produto final, \u00e9 preciso esperar em m\u00e9dia tr\u00eas meses, o que inclui as etapas de higieniza\u00e7\u00e3o, cozimento, secagem e quebra da semente, seguidas do preparo da massa e da decanta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAprendemos essa t\u00e9cnica de tirar o \u00f3leo da andiroba com nossos av\u00f3s e os nossos pais, que nos passaram essa cultura e tradi\u00e7\u00e3o\u201d, explica a ribeirinha Marileide da Silva Monteiro.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marileide conta que a maior parte das sementes se perdia. Algumas fam\u00edlias pegavam para fazer rem\u00e9dios, mas era muito pouco. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUma irm\u00e3 teve a ideia de fazer o \u00f3leo para vender e n\u00f3s nos juntamos. Era uma forma de conseguir um recurso extra para casa e n\u00e3o ter que ficar trabalhando tanto na ro\u00e7a debaixo do sol\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O empreendimento re\u00fane 16 pessoas, mas \u00e9 liderado por tr\u00eas irm\u00e3s: al\u00e9m de Marileide, Marilene e Marcilene.O protagonismo das mulheres no projeto foi uma das inspira\u00e7\u00f5es para o nome da marca. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No senso comum, \u201cAm\u00e9lia\u201d virou s\u00edmbolo de mulher submissa ao marido, que suporta qualquer coisa sem reclamar, em refer\u00eancia \u00e0 marcha carnavalesca composta em 1942 por M\u00e1rio Lago e Ataulfo Alves.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia ressignificaram o estere\u00f3tipo. Enfrentaram a desconfian\u00e7a de alguns homens da comunidade e seguiram com o projeto de criar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, mesmo que isso significasse executar tarefas mais pesadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente estava acostumada a trabalhar em ro\u00e7a com o nosso pai. Plantando, fazendo farinha, cortando seringueira. Quando veio a ideia de come\u00e7ar o neg\u00f3cio dos cosm\u00e9ticos, tivemos que arrancar os tocos de \u00e1rvores no machado, limpamos todo o terreno na enxada, fizemos uma horta e outras estruturas. Foi muito trabalho\u201d, explica Marilene Dias da Silva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/YyVPKLycNtCw8XE32UiTJke-x60=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/03\/paraviagemrafa26_10.jpg?itok=oZLO0fcc\" alt=\"14\/05\/2026 -  Floresta \nNacional do Tapaj\u00f3s - Par\u00e1 - Mulheres do coletivo Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia transformam sementes nativas em autonomia financeira por meio da extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do \u00f3leo de andiroba. O processo, que une conhecimentos ancestrais e manejo ecol\u00f3gico, garante a preserva\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9 e gera renda para as fam\u00edlias ribeirinhas. A iniciativa destaca-se como modelo de bioeconomia e fortalecimento feminino. Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produtos do Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia. Elas transformam sementes nativas em autonomia financeira por meio da extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do \u00f3leo de andiroba. &#8211;\u00a0Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, al\u00e9m dos \u00f3leos de andiroba e de copa\u00edba, fabricam sabonetes, velas, incensos, cremes e repelentes. Todos com base em mat\u00e9rias-primas amaz\u00f4nicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCom o dinheiro, a gente j\u00e1 consegue pagar uma escola para o meu filho. Tamb\u00e9m posso dar um cal\u00e7ado melhor para ele. N\u00e3o d\u00e1 para dizer que est\u00e1 suprindo tudo, mas j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o e os ganhos ajudam a fam\u00edlia a passar o m\u00eas\u201d, conta Marileide.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia est\u00e1 sendo preparada para assumir o neg\u00f3cio, tamb\u00e9m com o protagonismo delas. \u00c9 o caso de Silvia Gabrielly, de 23 anos, filha de Marileide. Ela divide o tempo entre o trabalho como agente ambiental no Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e a administra\u00e7\u00e3o das redes sociais das Am\u00e9lias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O plano de Silvia \u00e9 investir nos estudos e trazer novos saberes e tecnologias para a comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu j\u00e1 fiz v\u00e1rios cursos na \u00e1rea ambiental e na \u00e1rea de turismo. Agora, estou fazendo uma gradua\u00e7\u00e3o em tecnologia ambiental. Quero entender mais sobre as planta\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o dos produtos e a gest\u00e3o do neg\u00f3cio. Tamb\u00e9m precisamos de mais conhecimentos para administrar e divulgar o trabalho\u201d, diz a jovem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Biocosm\u00e9ticos&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FRRvYms78AakUW55wH-rAPnZyGI=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/03\/paraviagemrafa26_2.jpg?itok=RgLmt1sb\" alt=\"13\/05\/2026 - Belterra -  Melissa Karen Lage, farmac\u00eautica e s\u00f3cia da Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos, durante o preparo de um dos seus produtos. Da universidade para o mercado, Melissa Silva e Bruna \nde Souza criaram a Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos durante a \ngradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 \n(Ufopa), com a proposta de transformar ativos \namaz\u00f4nicos em produtos de alto valor agregado.\nA marca ganhou tra\u00e7\u00e3o em ambientes de inova\u00e7\u00e3o e, \ndesde 2021, quando foi estruturada com apoio do \nprograma Inova Amaz\u00f4nia, que garantiu R$ 36 mil, vem \nampliando sua atua\u00e7\u00e3o com o Sebrae, por meio da \nOKA Hub, uma incubadora de startups em plena \nfloresta amaz\u00f4nica.. Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Melissa Karen Lage, farmac\u00eautica e s\u00f3cia da Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos. A marca ganhou tra\u00e7\u00e3o em ambientes de inova\u00e7\u00e3o quando foi estruturada com apoio do programa Inova Amaz\u00f4nia &#8211;\u00a0Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00f3leos produzidos pelas Am\u00e9lias n\u00e3o ficam restritos \u00e0 comunidade S\u00e3o Domingos. Eles s\u00e3o&nbsp;mat\u00e9ria-prima para a Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos. O neg\u00f3cio foi idealizado pelas farmac\u00eauticas Melissa Karen Lage e Bruna de Souza quando faziam gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 (Ufopa).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elas se especializaram em produtos capilares, como xampus, condicionadores e m\u00e1scaras de nutri\u00e7\u00e3o. A ideia veio de uma necessidade pessoal de Melissa, que identificou uma lacuna no mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa \u00e9poca, quase n\u00e3o havia op\u00e7\u00f5es para cabelos cacheados, principalmente os que fizessem um efeito a longo prazo e que realmente tratassem dos fios. Eu iniciei os experimentos com o \u00f3leo da babosa, at\u00e9 que minhas orientadoras sugeriram os ativos da Amaz\u00f4nia. Ent\u00e3o, decidimos usar \u00f3leos e manteigas daqui da regi\u00e3o\u201d, explica a farmac\u00eautica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saiu a babosa (Aloe vera) \u2013 com origem africana e \u00e1rabe, e produzida no Brasil principalmente no Sudeste \u2013 e entraram os \u00f3leos da andiroba e da castanha-do-par\u00e1, esp\u00e9cies nativas da Amaz\u00f4nia. Para isso, foi essencial estabelecer parcerias com comunidades tradicionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00f3s sempre quisemos fazer algo que beneficiasse todo o territ\u00f3rio. Quando as pessoas compram nossos produtos, est\u00e3o fortalecendo as cadeias produtivas locais\u201d, explica Melissa.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela explica que uma preocupa\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, desde o in\u00edcio, foi apoiar o esfor\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o local em manter a floresta em p\u00e9. Por isso, a equipe das Am\u00e9lias conheceu os laborat\u00f3rios da Mah\u00e1, enquanto Melissa e&nbsp;Bruna ofereceram capacita\u00e7\u00e3o para o reaproveitamento dos res\u00edduos da andiroba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica local fosse ainda mais completa, outros materiais importantes para os cosm\u00e9ticos teriam de ser produzidos na regi\u00e3o. Por\u00e9m, alguns insumos \u2013 como mentol, glicerina e ess\u00eancias \u2013 precisam ser comprados de empresas de S\u00e3o Paulo ou do Rio de Janeiro. Assim como as embalagens biodegrad\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das dificuldades log\u00edsticas, a Mah\u00e1 passa por um processo de expans\u00e3o e consegue comercializar produtos para todo o Brasil. O plano agora \u00e9 aumentar esse volume de vendas. Uma parceria foi feita com a Bemol, grupo varejista de Manaus (AM), e o processo produtivo foi terceirizado: hoje fica sob responsabilidade da Ekilibre da Amaz\u00f4nia, f\u00e1brica de Alter do Ch\u00e3o (PA).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As farmac\u00eauticas t\u00eam conseguido dedicar mais tempo \u00e0 parte criativa. Manejando diferentes elementos naturais e insumos qu\u00edmicos, tubos de ensaio e equipamentos eletr\u00f4nicos, desenvolvem novas f\u00f3rmulas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAlgumas pessoas acham que as coisas da Amaz\u00f4nia ainda s\u00e3o apenas artesanais. Essas coisas t\u00eam valor, mas tamb\u00e9m fazemos ci\u00eancia. Estamos na universidade e desenvolvemos nossos produtos com todo o crit\u00e9rio cient\u00edfico. Ao mesmo tempo, valorizamos as tradi\u00e7\u00f5es da comunidade\u201d, diz Melissa.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ancestralidade e inova\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ckcb3YI4-9Pr_S6CW3lKEzvY-K0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/03\/paraviagemrafa26_8.jpg?itok=Uf6FLB7t\" alt=\"13\/05\/2026 - Belterra -  Melissa Karen Lage, farmac\u00eautica e s\u00f3cia da Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos, durante o preparo de um dos seus produtos. Da universidade para o mercado, Melissa Silva e Bruna \nde Souza criaram a Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos durante a \ngradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 \n(Ufopa), com a proposta de transformar ativos \namaz\u00f4nicos em produtos de alto valor agregado.\nA marca ganhou tra\u00e7\u00e3o em ambientes de inova\u00e7\u00e3o e, \ndesde 2021, quando foi estruturada com apoio do \nprograma Inova Amaz\u00f4nia, que garantiu R$ 36 mil, vem \nampliando sua atua\u00e7\u00e3o com o Sebrae, por meio da \nOKA Hub, uma incubadora de startups em plena \nfloresta amaz\u00f4nica.. Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Melissa Karen Lage, farmac\u00eautica e s\u00f3cia da Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos, durante o preparo de um dos seus produtos &#8211;\u00a0Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O laborat\u00f3rio da Mah\u00e1 fica na Oka Hub, uma incubadora de empresas de bioeconomia em Belterra (PA). Idealizada pela Colabora Lab, em parceria com o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a ideia \u00e9 que pequenos neg\u00f3cios recebam infraestrutura, capacita\u00e7\u00e3o e estabele\u00e7am contatos com outras empresas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma rede que conecta esses empres\u00e1rios com institui\u00e7\u00f5es como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii) e a Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 (Ufopa), al\u00e9m das comunidades tradicionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos que vivem na Amaz\u00f4nia acumularam um saber de valor inestim\u00e1vel, que agora ganha outra dimens\u00e3o com a bioeconomia.&nbsp;S\u00e3o conhecimentos sobre como usar, de modo sustent\u00e1vel, os recursos da regi\u00e3o que, apesar de abundantes, n\u00e3o s\u00e3o inesgot\u00e1veis\u201d, diz diretor t\u00e9cnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os organizadores, 11 neg\u00f3cios s\u00e3o apoiados atualmente na Oka Hub, um espa\u00e7o, segundo o lema oficial, \u201conde a ci\u00eancia encontra a floresta, onde ancestralidade vira inova\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAo apoiar esses ambientes de inova\u00e7\u00e3o, estamos proporcionando os meios necess\u00e1rios para que a tecnologia sirva como ferramenta de escala e sustentabilidade para os saberes da floresta, gerando emprego e renda qualificada na pr\u00f3pria regi\u00e3o\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fordismo x \u201cAmazonismo\u201d&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o presente em Belterra e na Floresta do Tapaj\u00f3s \u00e9 de valoriza\u00e7\u00e3o do modo de vida e da economia amaz\u00f4nica, em um passado j\u00e1 distante, os projetos para a regi\u00e3o eram totalmente diferentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os vest\u00edgios deste per\u00edodo est\u00e3o pr\u00f3ximos, a poucos metros da Oka Hub. S\u00e3o casas de madeira pintadas em verde e branco, em uma \u00e1rea conhecida como Vila Americana. A est\u00e9tica \u00e9 anacr\u00f4nica, importada do Meio-Oeste dos Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1930, a Ford Motor Company, de Henry Ford,&nbsp;pretendia cultivar seringueiras em massa, para extrair l\u00e1tex e usar na ind\u00fastria de pneus. A vila era o centro administrativo e residencial de elite norte-americana que trabalharia na regi\u00e3o, como engenheiros e gerentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma grande caixa d\u2019\u00e1gua de ferro alimentava o sistema hidr\u00e1ulico das moradias. A sirene no topo soava em diferentes hor\u00e1rios do dia e regulava os turnos de trabalho na planta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Henry Ford nunca visitou Belterra e a empresa vendeu os ativos ao governo brasileiro em 1945, depois de o projeto fracassar. As casas hoje s\u00e3o ocupadas por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como as sedes da Prefeitura e da C\u00e2mara Municipal, e por moradores locais. A vila foi tombada pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Vila Americana simboliza hoje uma Amaz\u00f4nia que resistiu \u00e0s tentativas externas de explora\u00e7\u00e3o, argumenta a historiadora Venize Nazar\u00e9 Ramos Rodrigues, da Universidade do Estado do Par\u00e1 (UEPA). Ela \u00e9 autora do artigo Belterra: cidade americana no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora interpreta esses conflitos como resultado do choque entre a l\u00f3gica do fordismo \u2014 sistema marcado pela produ\u00e7\u00e3o em massa, padroniza\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o do trabalho \u2014, e os modos de vida amaz\u00f4nicos, ligados aos ciclos da natureza, \u00e0 liberdade criativa e ao engajamento coletivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o se pode pensar em modernidade para a Amaz\u00f4nia sem levar em considera\u00e7\u00e3o os povos que vivem nessa regi\u00e3o, a floresta e a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre homem e natureza\u201d, diz o artigo.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora ressalta que o capital americano \u201cfez pouca ou quase nenhuma concess\u00e3o \u00e0 cultura local, implantando um sistema que normatizava desde o sistema de trabalho at\u00e9 o lazer e as rela\u00e7\u00f5es sociais, interferindo na vida pessoal e no padr\u00e3o de conviv\u00eancia local, afetando as diversas dimens\u00f5es do viver nativo\u201d, complementa a historiadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ci\u00eancia na floresta&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/mTHRN8TxaAJ6jv1IJGj0woOHMKE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/03\/paraviagemrafa26_11.jpg?itok=Tjov__4o\" alt=\"13\/05\/2026 - Belterra - Entrevista com Artur Carvalho, um dos embaixadores do Museu de Ci\u00eancia da Amaz\u00f4nia (MuCA), em Belterra. Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artur Carvalho, um dos embaixadores do Museu de Ci\u00eancia da Amaz\u00f4nia (MuCA &#8211;&nbsp;<strong>Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201cmodernidade\u201d na Amaz\u00f4nia hoje se traduz&nbsp;pela uni\u00e3o entre tradi\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia. Um dos s\u00edmbolos disso \u00e9 o Museu de Ci\u00eancias da Amaz\u00f4nia (MuCA), institui\u00e7\u00e3o que re\u00fane pesquisa e educa\u00e7\u00e3o ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em destaque, est\u00e3o as cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ligadas \u00e0 biodiversidade do bioma, incluindo animais pe\u00e7onhentos, como serpentes, e as pesquisas relacionadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 diversidade ecol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O respons\u00e1vel pelas \u00e1reas educacional e laboratorial do museu, Arthur Carvalho, afirma que a rela\u00e7\u00e3o com as comunidades tradicionais \u00e9 um dos diferenciais do projeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTudo o que a gente tem hoje de conhecimento cient\u00edfico partiu do conhecimento emp\u00edrico, do conhecimento tradicional. O que torna o MuCA \u00fanico \u00e9 isso: estar pr\u00f3ximo dessas comunidades, poder dialogar e aprender com elas\u201d, reflete Arthur.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplos concretos dessa integra\u00e7\u00e3o foram apresentados ao longo desta reportagem. A Oka Hub, incubadora de neg\u00f3cios e de pesquisas, usa espa\u00e7os dentro do MuCA. As farmac\u00eauticas da Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos trabalham na Oka Hub e usam \u00f3leos produzidos na Floresta do Tapaj\u00f3s pelas ribeirinhas da Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arthur defende que, para alcan\u00e7ar todos os potenciais culturais, cient\u00edficos e econ\u00f4micos da regi\u00e3o, \u00e9 preciso ampliar investimentos e mobilizar o engajamento coletivo na defesa da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cExistem aqui empresas de tecnologia que trabalham uma s\u00e9rie de solu\u00e7\u00f5es, mas que ainda n\u00e3o t\u00eam credibilidade que mereciam. As pessoas deveriam valorizar mais a regi\u00e3o e apoi\u00e1-la para que cres\u00e7a cada vez mais\u201d, pede o amaz\u00f4nida.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres impulsionam economia amaz\u00f4nica e mant\u00eam floresta em p\u00e9. 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