Funcionários da Caixa rejeitaram proposta apresentada pelo banco e iniciaram greve por tempo indeterminado. No Banco do Brasil, 27 sindicatos aprovaram paralisação. Nova rodada de assembleias ocorre nesta sexta (11).
A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal continua nesta sexta-feira (11) em todo o país. A paralisação começou na quinta-feira (10), após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
No Banco do Brasil, a mobilização é parcial. Parte dos sindicatos aceitou a proposta apresentada pela instituição, enquanto outros rejeitaram o acordo e decidiram pela paralisação. Segundo informações divulgadas pelas entidades sindicais, 27 sindicatos aprovaram a greve, enquanto 39 aceitaram a proposta apresentada anteriormente.
O principal ponto de conflito entre os trabalhadores e os dois bancos públicos está relacionado ao custeio dos planos de saúde, especialmente ao Saúde Caixa e à Cassi.
Caixa apresenta nova proposta
A Caixa apresentou uma nova proposta na quinta-feira (10), em uma tentativa de encerrar a greve. O banco estabeleceu esta sexta-feira como prazo para que os trabalhadores avaliem as condições oferecidas.
Entre os principais pontos estão um prêmio de R$ 3 mil por funcionário, antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para 18 de setembro e mudanças nas regras de custeio do Saúde Caixa.
A nova proposta também prevê ampliação do teto de custeio do plano de saúde de 6,5% para 8%. Os empregados passariam a pagar percentuais sobre o salário-base entre 2,3% e 4,1%, conforme a faixa etária, além de valores por dependente.
Mesmo com a nova oferta, a greve continua enquanto as assembleias não decidirem pela aceitação do acordo.
A Caixa informou que mantém o diálogo com as entidades que representam os empregados e afirmou que busca uma solução que considere os interesses dos trabalhadores, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços à população.
Banco do Brasil também enfrenta paralisação
No Banco do Brasil, a situação é diferente porque a adesão não ocorre em todo o país.
De acordo com as informações divulgadas pelas entidades sindicais, 39 representações aceitaram a proposta do banco, incluindo sindicatos de cidades como São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí. Outros 60 sindicatos rejeitaram a proposta e decidiram continuar negociando, enquanto 27 aprovaram a greve.
Entre as localidades com mobilização estão bases sindicais de Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí.
O BB apresentou uma nova proposta que inclui, entre outros pontos, bônus de R$ 3 mil para aproximadamente 71,5 mil funcionários, ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias e aumento do auxílio para empregados com filhos com deficiência.
As assembleias para avaliar a nova proposta seguem nesta sexta-feira.
Reajuste salarial terá ganho real
A negociação dos bancários também envolve o reajuste salarial da categoria.
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) assinada para os bancos privados prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real. O percentual também é aplicado a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche, conforme as regras do acordo.
A convenção foi assinada na quarta-feira (9), após negociações entre representantes dos trabalhadores e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Cerca de 500 mil bancários são abrangidos pelo acordo geral da categoria.
No caso da Caixa e do Banco do Brasil, porém, existem negociações específicas envolvendo as condições de trabalho e os planos de saúde dos empregados.
O que muda para os clientes?
A greve afeta principalmente o atendimento presencial nas agências. Serviços digitais continuam disponíveis.
Na Caixa, os clientes podem utilizar o aplicativo, internet banking, Caixa Tem, canais telefônicos, caixas eletrônicos e correspondentes, como as casas lotéricas, para os serviços disponíveis nesses canais.
No Banco do Brasil, a orientação é utilizar o aplicativo, internet banking, WhatsApp, caixas eletrônicos e correspondentes bancários.
O vencimento de contas e boletos não é alterado por causa da greve. Por isso, consumidores devem manter os pagamentos dentro dos prazos previstos para evitar juros, multas ou outras consequências por atraso.
Alguns serviços que dependem de atendimento presencial podem sofrer impacto, como determinados procedimentos de crédito, coleta de biometria, atendimento especializado e outras operações que não podem ser realizadas pelos canais digitais.
Greve pode terminar nos próximos dias
O futuro da paralisação depende das assembleias realizadas pelos trabalhadores.
Na Caixa, a nova proposta apresentada pelo banco será analisada nesta sexta-feira. Caso seja aprovada, a expectativa é de que a paralisação seja encerrada posteriormente. Se houver nova rejeição, a greve poderá continuar e as negociações deverão prosseguir.
A Caixa também sinalizou que poderá recorrer à Justiça caso não haja acordo para encerrar a paralisação.
No Banco do Brasil, o resultado das novas assembleias também será decisivo para definir se a paralisação será encerrada, mantida ou ampliada para outras bases sindicais.
Até o momento, portanto, a Caixa permanece em greve nacional por tempo indeterminado, enquanto o Banco do Brasil registra uma paralisação parcial em determinadas bases sindicais.
