Instituição elevou de 1,9% para 2,1% a projeção para o PIB brasileiro, mas estimativa para a região é de 2,2%; juros elevados e incertezas pesam sobre a atividade
O Brasil deverá crescer 2,1% em 2026, segundo a nova projeção do Banco Mundial divulgada nesta terça-feira (6). Apesar de ter melhorado a estimativa anterior, de 1,9%, o país ainda deve apresentar um ritmo ligeiramente inferior ao da América Latina e do Caribe, cuja economia deve avançar 2,2% no mesmo período.
A diferença é pequena, mas coloca a economia brasileira abaixo da média regional em um cenário no qual alguns países devem registrar expansão significativamente maior.
Paraguai e El Salvador, por exemplo, aparecem entre os destaques do relatório, com crescimento projetado de 4,7% e 4,5%, respectivamente.
Previsão para o Brasil melhorou, mas cenário ainda exige atenção
A revisão do Banco Mundial trouxe uma notícia positiva para o Brasil: a estimativa de crescimento para 2026 subiu 0,2 ponto percentual, passando de 1,9% para 2,1%.
O avanço, porém, não foi suficiente para colocar o país acima da média esperada para toda a América Latina e o Caribe.
Para 2027, a instituição prevê uma expansão ainda menor para o Brasil, de 1,7%. Já para 2028, a estimativa é de crescimento de 2,3%.
O cenário indica uma economia crescendo, mas sem uma aceleração forte no horizonte imediato.
Juros altos estão entre os obstáculos
De acordo com o Banco Mundial, o ambiente econômico da região continua marcado por juros reais elevados, que dificultam o acesso ao crédito e limitam investimentos.
A instituição também cita o elevado endividamento e os custos dos juros como fatores que reduzem o espaço para investimentos públicos.
No caso das maiores economias da região, Brasil e México, o Banco Mundial aponta que o crescimento deve ficar em ritmo igual ou inferior à média latino-americana.
América Latina deve crescer 2,2%
No conjunto, a América Latina e o Caribe devem crescer 2,2% em 2026, abaixo dos 2,4% registrados em 2025.
Apesar da desaceleração, o Banco Mundial destaca que o desempenho varia bastante entre os países.
Paraguai e El Salvador aparecem entre as economias com crescimento mais acelerado, enquanto Panamá e República Dominicana também mantêm taxas consideradas robustas.
A Argentina, por sua vez, deve registrar expansão por três anos consecutivos, de 2025 a 2027, algo que, segundo o Banco Mundial, não acontecia no país havia quase duas décadas. A instituição relaciona o desempenho a medidas de ajuste fiscal, reformas tributárias e maior abertura econômica.
O que explica a diferença entre os países?
O relatório aponta que as economias latino-americanas estão seguindo trajetórias diferentes.
Países que conseguiram manter políticas macroeconômicas consideradas consistentes, fortalecer instituições e avançar em reformas vêm apresentando crescimento mais elevado, maior investimento e maior confiança dos mercados.
O Banco Mundial afirma que a região possui condições para crescer de maneira mais acelerada, mas precisa aumentar a produtividade e criar novos motores para a expansão econômica.
Inteligência artificial pode mudar cenário
Um dos destaques do relatório deste ano é o impacto potencial da inteligência artificial sobre a produtividade.
Segundo o Banco Mundial, a IA já está sendo utilizada por empresas e trabalhadores da região, mas ainda existe espaço significativo para ampliar seu uso em processos centrais dos negócios.
A instituição avalia que a tecnologia pode ajudar a aumentar a produtividade, melhorar serviços e ampliar o acesso a conhecimento especializado.
O desafio, segundo o relatório, é preparar trabalhadores e empresas para utilizar essas ferramentas de maneira produtiva.
Região também enfrenta riscos
O Banco Mundial alerta que existem riscos capazes de reduzir ainda mais o crescimento regional.
Entre eles estão a volatilidade dos preços de energia, que pode dificultar a queda da inflação e manter os juros elevados por mais tempo, além de possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre agricultura e geração de energia.
O cenário internacional também continua sendo uma fonte de incerteza para as economias latino-americanas.
Brasil fica abaixo da média, mas não tem a pior previsão
Embora o número brasileiro chame atenção por ficar abaixo da média regional, os dados mostram que o país não está entre os que possuem as menores projeções.
A estimativa de 2,1% para o Brasil supera a previsão para o México, de 1,4%, enquanto países como Paraguai e El Salvador devem crescer mais de duas vezes acima do ritmo brasileiro.
Assim, o retrato apresentado pelo Banco Mundial é de uma economia brasileira que deve continuar crescendo em 2026, mas em ritmo moderado e ligeiramente inferior ao conjunto da América Latina e do Caribe.
A diferença é pequena — 2,1% contra 2,2% —, mas o resultado coloca o Brasil diante de um desafio: encontrar condições para acelerar a produtividade e o investimento em uma região na qual alguns países já apresentam taxas de expansão bem superiores.

