O Brasil deve registrar anualmente 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin entre 2026 e 2028, conforme projeções divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença ganhou notoriedade nacional após atingir o cantor Netinho, de 59 anos, e atualmente ocupa a 11ª posição entre os tumores mais incidentes no país, desconsiderando os casos de pele não melanoma.
Entendendo o linfoma não Hodgkin O sistema linfático, responsável pelas defesas do organismo, é o ponto de partida desse grupo que reúne mais de 50 tipos diferentes de câncer. Enquanto alguns subtipos evoluem lentamente, outros apresentam comportamento bastante agressivo. Do total de diagnósticos previstos para o triênio, 6.580 serão em homens e 5.980 em mulheres, resultando em uma taxa estimada de 5,87 novos casos por 100 mil habitantes.
Fatores de risco e sintomas comuns O desenvolvimento da doença pode estar associado a condições que afetam o sistema imunológico, como transplantes de órgãos, doenças autoimunes, infecção pelo HIV, além de exposições a radiação e substâncias químicas como o benzeno e pesticidas. Entre os principais sinais de alerta estão o aumento dos gânglios linfáticos, que geram caroços visíveis no pescoço, nas axilas e na virilha, acompanhados por febre, suor noturno, perda de peso e fadiga intensa.
Regiões mais afetadas e perfil dos pacientes As estatísticas do Inca demonstram que a incidência da doença varia consideravelmente pelo território nacional, concentrando taxas mais elevadas nas regiões Sul e Sudeste. Além disso, o risco aumenta de forma progressiva com o envelhecimento, afetando mais a população masculina do que a feminina. O panorama também inclui dados de mortalidade de períodos anteriores, registrando milhares de óbitos no país.
Abordagens terapêuticas e prognóstico As opções de tratamento variam conforme o subtipo diagnosticado e podem envolver quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, transplante de medula óssea, terapias-alvo e a técnica avançada de CAR T-cell. O hematologista Guilherme Duffles, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do grupo Oncologia D’Or e coordenador do Comitê de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), explica que o tempo entre o tratamento inicial e uma eventual recaída também influencia o prognóstico.
“Pacientes que fizeram um tratamento de primeira linha e têm uma recaída da doença muito próximo ao término do tratamento tendem a ter uma evolução pior do que aqueles que tiveram um tempo longo de remissão e só têm uma recaída muito tempo depois”, explica.
Segundo especialistas, a taxa de cura média varia entre 60% e 70%, dependendo da extensão do tumor e da resposta individual aos protocolos médicos adotados.

