Médicos denunciam cortes de até 20% nos pagamentos e redução de equipes na rede pública de Rio Verde

Profissionais relatam mudanças nos valores dos plantões, retirada de escalas de pediatria e radiologia e desligamentos de trabalhadores da saúde; sindicato acompanha o caso, e Prefeitura ainda precisa esclarecer as medidas.

Médicos que atuam na rede pública de saúde de Rio Verde, no sudoeste de Goiás, denunciam reduções nos pagamentos por plantões, mudanças nas escalas de atendimento e cortes de profissionais em unidades de saúde do município. Segundo relatos divulgados nesta semana, os descontos podem chegar a 20% no Hospital Municipal Universitário (HMU) e a 17% no Hospital Materno Infantil (HMI).

As denúncias, publicadas inicialmente pelo portal Mais Goiás, também apontam possíveis mudanças na assistência oferecida à população, incluindo a retirada de atendimento pediátrico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a ausência de escala de radiologia no Hospital Materno Infantil.

Os profissionais afirmam que as alterações foram comunicadas de forma repentina, em alguns casos por mensagens de WhatsApp, sem negociação prévia e sem a apresentação de documentos que justificassem as mudanças. Há ainda relatos de que os novos valores poderão ser aplicados a plantões já realizados.

A situação provocou mobilização entre os médicos, que elaboraram uma carta de repúdio e procuraram o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego). Até a publicação das informações consultadas, a Prefeitura de Rio Verde ainda não havia apresentado esclarecimentos públicos sobre os motivos, a extensão e a duração das medidas.

Cortes podem reduzir plantões em centenas de reais

Um dos principais pontos questionados pelos profissionais é a redução dos valores pagos por plantões médicos. Segundo uma médica ouvida pelo Mais Goiás, que pediu para não ser identificada, os cortes atingiriam diferentes setores hospitalares e especialidades.

No Hospital Municipal Universitário, a redução relatada é de 20%. Com isso, um plantão clínico que custava R$ 980 passaria a valer R$ 784, uma diferença de R$ 196 por plantão.

Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta, o valor informado pelos profissionais cairia de R$ 1.200 para R$ 960, o que representa uma redução de R$ 240 por plantão.

No pronto-socorro pediátrico, o relato é de que o pagamento, anteriormente de R$ 1.066, teria sido reduzido em 17%, passando para R$ 884,78. Nesse caso, a diferença seria de R$ 181,22 por plantão.

Os valores foram informados pela profissional entrevistada e não foram confirmados de forma independente pela administração municipal.

Veja os valores relatados pelos médicos

ServiçoValor anterior informadoValor após a reduçãoDiferença
HMU — enfermaria e pronto atendimentoR$ 980,00R$ 784,00R$ 196,00
UTI adultaR$ 1.200,00R$ 960,00R$ 240,00
Pronto-socorro pediátricoR$ 1.066,00R$ 884,78R$ 181,22

Valores relatados por uma médica à imprensa. Os exemplos não representam necessariamente a remuneração de todas as categorias, especialidades ou modalidades de contratação.

Segundo os profissionais, médicos especialistas, incluindo anestesistas e cardiologistas, também teriam sido atingidos pelas mudanças. No entanto, não foram divulgadas tabelas completas com os valores anteriores e posteriores para cada especialidade.

Nas UPAs, os médicos também relatam alterações nos pagamentos, mas os percentuais aplicados nessas unidades não foram detalhados nas informações disponíveis.

Médicos dizem que mudanças foram comunicadas por WhatsApp

Uma das principais reclamações da categoria é a maneira como as alterações teriam sido anunciadas.

Uma médica que pediu anonimato afirmou que recebeu o comunicado por meio de uma mensagem enviada no dia 13 de outubro. Segundo ela, os profissionais foram informados de que os novos valores seriam descontados no pagamento seguinte.

A profissional também relatou que as mudanças envolveriam remuneração médica, escalas hospitalares e de UPAs, além de desligamentos de integrantes das equipes multiprofissionais.

De acordo com o relato, apenas no Hospital Materno Infantil teria ocorrido uma reunião presencial com os médicos para informar as alterações. Em outras unidades, a comunicação teria sido feita principalmente por mensagens.

Os profissionais afirmam que não receberam explicações formais suficientes sobre os motivos da redução nem documentos que detalhassem os novos critérios de pagamento.

A categoria também questiona a possibilidade de aplicação dos novos valores a plantões já realizados, uma vez que, segundo os médicos, a remuneração havia sido previamente acordada.

A extensão dessa medida, as datas de início dos novos valores e a existência de eventuais aditivos contratuais ainda precisam ser esclarecidas pela gestão municipal e pelos responsáveis pelos contratos de prestação de serviços.

Denúncias apontam mudanças no atendimento de pediatria e radiologia

Além da questão financeira, os médicos relatam alterações nas escalas de atendimento que podem afetar serviços hospitalares e de urgência.

Segundo as informações divulgadas, uma das UPAs teria deixado de contar com atendimento pediátrico. No Hospital Materno Infantil, os profissionais apontam a ausência de uma escala de radiologia.

As denúncias levantam dúvidas sobre como os atendimentos dessas áreas estão sendo organizados e quais alternativas estariam disponíveis para os pacientes.

A retirada de uma escala médica, por si só, não permite concluir que todo o serviço tenha sido encerrado. Para avaliar o impacto real, é necessário esclarecer os horários afetados, a disponibilidade de profissionais substitutos, a possibilidade de encaminhamento para outras unidades e a manutenção da assistência durante períodos de maior demanda.

Até o momento, as informações consultadas não detalham quantos pacientes teriam sido afetados, se houve transferências adicionais ou se os serviços foram integralmente suspensos.

Também não há dados públicos confirmados sobre a duração das mudanças ou sobre um eventual plano de contingência para manter a cobertura assistencial.

Técnicos de enfermagem e enfermeiros também estariam entre os atingidos

Os relatos não se restringem aos médicos.

Profissionais ouvidos na apuração publicada pelo Mais Goiás apontam desligamentos de técnicos de enfermagem e enfermeiros em Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A denúncia menciona demissões em diferentes pontos da rede municipal, mas não apresenta o número de trabalhadores desligados, a relação completa das unidades afetadas nem as datas dos possíveis desligamentos.

Também não foi esclarecido se as mudanças ocorreram por encerramento de contratos, reorganização administrativa, substituição de prestadores de serviços ou outro motivo.

Esses dados são fundamentais para dimensionar o alcance dos cortes e verificar se houve redução efetiva da capacidade de atendimento nas unidades básicas, que desempenham papel importante na assistência de rotina, no acompanhamento de pacientes e no encaminhamento para serviços especializados.

Sem números oficiais e informações individualizadas por unidade, não é possível afirmar quantos profissionais foram dispensados nem estabelecer a extensão do impacto sobre a rede municipal.

Carta de repúdio cobra respeito aos acordos

Diante das mudanças, médicos que prestam serviços ao município elaboraram uma carta de apelo e repúdio. No documento, a categoria afirma ter sido surpreendida pela redução da remuneração e contesta a alteração de valores que, segundo os profissionais, já haviam sido acordados.

Os médicos classificam a medida como injusta e juridicamente questionável, principalmente pela ausência de negociação prévia e pela possibilidade de incidência sobre plantões já realizados.

Na manifestação, os profissionais também destacam as responsabilidades da atividade médica, a rotina de plantões e as dificuldades enfrentadas no atendimento à população.

A carta pede que a gestão municipal reconsidere as reduções e respeite os acordos estabelecidos com os prestadores de serviços.

O documento expressa a posição dos médicos envolvidos. A avaliação sobre a legalidade dos descontos depende da análise dos contratos, das condições pactuadas, das datas de prestação dos serviços e das regras aplicáveis a cada vínculo.

Até o momento, não foram apresentados publicamente, nas informações consultadas, os contratos completos ou documentos administrativos que permitam uma conclusão jurídica definitiva sobre os cortes.

Como funciona a contratação dos médicos?

Segundo a médica ouvida pelo Mais Goiás, parte dos profissionais presta serviços por meio de empresas, em um modelo de contratação indireta.

De acordo com o relato, uma empresa centralizaria o recebimento dos recursos relacionados aos serviços de saúde e contrataria outras pessoas jurídicas, responsáveis pelo repasse dos valores aos médicos.

A profissional afirma que os pagamentos não ocorrem necessariamente por meio de vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Esse modelo de prestação de serviços exige que sejam identificados os responsáveis por cada etapa da contratação e do pagamento. Também é necessário verificar quais empresas possuem contratos com o município, quais serviços estão abrangidos e quem tem competência para alterar os valores acordados.

A existência de uma contratação por pessoa jurídica não resolve, por si só, a questão da legalidade de uma redução. A análise depende das cláusulas contratuais, da natureza da relação estabelecida, dos serviços efetivamente prestados e das circunstâncias da alteração.

Os documentos disponíveis na apuração consultada não permitem confirmar de maneira independente toda a estrutura contratual descrita pela profissional.

Simego acompanha a situação

O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás informou ao Mais Goiás que recebeu o caso e o encaminhou à diretoria regional. Segundo a entidade, os próximos passos serão avaliados em conjunto com os profissionais envolvidos.

A reportagem também informou que o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) teria sido comunicado por intermédio do sindicato.

Até o momento, não há informação confirmada sobre uma eventual ação judicial, decisão liminar, procedimento administrativo ou acordo para suspender ou reverter os descontos.

O acompanhamento sindical poderá ajudar a reunir documentos, verificar as condições contratuais e avaliar quais medidas são cabíveis. Qualquer desdobramento jurídico, entretanto, precisa ser confirmado pelas entidades responsáveis.

Prefeitura ainda precisa esclarecer os motivos dos cortes

A Prefeitura de Rio Verde foi procurada pela reportagem do Mais Goiás para se manifestar sobre as denúncias, mas não havia apresentado resposta até a publicação consultada.

Sem o posicionamento oficial, permanecem em aberto questões centrais: qual foi a justificativa para a redução dos valores, quem determinou as mudanças, quais contratos foram afetados e se os novos pagamentos serão aplicados a serviços já realizados.

Também é necessário esclarecer se houve alteração no planejamento financeiro da saúde, revisão dos contratos, mudança nos prestadores ou alguma outra medida administrativa.

A Secretaria Municipal de Saúde é responsável, entre outras atribuições, pela coordenação das ações municipais do setor, pela gestão do Fundo Municipal de Saúde e pela regulação e fiscalização dos serviços contratualizados.

A pasta disponibiliza os telefones (64) 3602-8100 e (64) 3602-8123, além do e-mail secsaude@rioverde.go.gov.br, em sua página institucional.

O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Saúde e dos responsáveis pelos contratos de prestação de serviços.

O que ainda precisa ser esclarecido

Para dimensionar a situação e seus possíveis efeitos sobre a população, alguns pontos precisam de confirmação oficial:

  • Motivo dos cortes: qual justificativa administrativa, financeira ou contratual fundamentou as reduções?
  • Alcance da medida: quantos médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem foram afetados?
  • Unidades atingidas: quais hospitais, UPAs e UBSs tiveram alterações nos pagamentos ou nas equipes?
  • Novos valores: quais tabelas de remuneração foram modificadas e a partir de qual data?
  • Plantões já realizados: haverá descontos retroativos? Em caso afirmativo, qual é a base contratual utilizada?
  • Pediatria e radiologia: houve suspensão integral ou parcial das escalas? Como a assistência está sendo mantida?
  • Continuidade do atendimento: foram estabelecidos protocolos de encaminhamento, substituição de profissionais ou reorganização dos serviços?
  • Posicionamento dos órgãos: quais providências serão adotadas pela Prefeitura, pelo Simego e pelo Cremego?

A confirmação dessas informações permitirá diferenciar os efeitos administrativos e financeiros dos eventuais impactos assistenciais, sem antecipar conclusões que dependem de documentos e manifestações oficiais.

O que está em jogo para a população

A discussão vai além dos valores pagos aos profissionais. A remuneração, a disponibilidade de equipes e a organização das escalas são elementos importantes para o planejamento dos serviços de saúde, sobretudo em unidades de urgência e emergência.

Caso as mudanças resultem em menor disponibilidade de médicos ou de outros trabalhadores, poderá haver necessidade de reorganização dos fluxos de atendimento. No entanto, não há dados confirmados suficientes para afirmar que a redução dos pagamentos já provocou aumento de filas, atrasos, transferências ou interrupção generalizada de serviços em Rio Verde.

O ponto central, neste momento, é esclarecer o alcance real das medidas, garantir transparência na gestão dos contratos e verificar como a assistência está sendo mantida nas unidades mencionadas.

Enquanto os profissionais cobram a revisão dos cortes e o cumprimento dos acordos que afirmam ter firmado, a população aguarda informações sobre eventuais mudanças no atendimento.

A definição dos próximos passos dependerá das explicações da administração municipal, da análise dos contratos e do andamento das tratativas entre os médicos e as entidades representativas.

Fonte principal: Mais Goiás, reportagem publicada em 15 de outubro de 2026, com informações atribuídas a profissionais da saúde e ao Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego).

Nota de atualização: matéria elaborada com base nas informações públicas disponíveis até 16 de outubro de 2026. Os percentuais, valores e possíveis alterações nas escalas são apresentados como relatos dos profissionais e ainda dependem de confirmação documental e posicionamento oficial.

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