MPOX volta a preocupar autoridades

Brasil registra 665 casos em 2026 e Ministério reforça vacinação após avanço da doença no Rio de Janeiro. O estado contabiliza 211 confirmações no ano, acima dos 119 registros de 2025; ministro Alexandre Padilha afirma que o país não enfrenta um surto nacional e reforça a importância da vigilância.

O aumento dos casos de mpox voltou a chamar a atenção das autoridades sanitárias brasileiras. Dados divulgados no início de novembro apontam 665 casos confirmados da doença no país em 2026. O cenário também preocupa no Rio de Janeiro, onde os registros aumentaram nos últimos meses e ultrapassaram o total contabilizado durante todo o ano passado.

Segundo dados do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde, o estado fluminense registrou 211 casos confirmados em 2026, contra 119 em todo o ano de 2025. Na capital, foram 74 confirmações nos meses de setembro e outubro, enquanto no mesmo período do ano anterior haviam sido registrados dez casos. Diante desse crescimento, o Ministério da Saúde reforçou o envio de vacinas ao estado.

Ministério nega cenário de surto nacional

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil não enfrenta atualmente um surto nacional de mpox. A manifestação ocorre em meio à preocupação com o aumento das confirmações no Rio de Janeiro. A diferença entre o crescimento localizado dos casos e uma situação de surto nacional precisa ser considerada na interpretação dos números.

O aumento em determinada região exige vigilância, investigação epidemiológica e medidas de prevenção, mas não significa automaticamente que todo o território brasileiro esteja enfrentando a mesma situação. O Ministério da Saúde informou que o SUS mantém o acompanhamento dos casos, diagnóstico, assistência e monitoramento da doença.

O que é mpox?

A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões na pele, secreções corporais e objetos contaminados. Também pode ocorrer por contato próximo e prolongado com secreções respiratórias de pessoas infectadas.

Entre os principais sintomas estão:

  • Lesões ou erupções na pele.
  • Febre.
  • Dor de cabeça.
  • Dores musculares.
  • Calafrios.
  • Fraqueza.
  • Inchaço dos linfonodos, conhecido como ínguas.

As lesões podem aparecer em diferentes partes do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, boca e regiões genitais. O período entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas geralmente varia de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias.

Como acontece a transmissão?

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com uma pessoa infectada. O compartilhamento de roupas, toalhas, lençóis e objetos pessoais contaminados também representa um risco.

A transmissão respiratória pode acontecer em situações de proximidade prolongada. Por isso, pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem evitar contato próximo com outras pessoas até receberem orientação médica e cumprirem o período recomendado de isolamento.

Quem pode receber a vacina?

A vacinação contra mpox no Brasil segue critérios definidos pelo Ministério da Saúde e é direcionada principalmente a grupos com maior risco de exposição ou evolução para formas graves.

Entre os grupos contemplados pela estratégia estão determinadas pessoas vivendo com HIV/aids e imunossupressão, profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvirus e pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação da vigilância. A vacinação não deve ser confundida com uma campanha de imunização indiscriminada para toda a população.

Quando procurar atendimento?

O Ministério da Saúde recomenda procurar uma unidade de saúde diante de lesões na pele associadas a febre ou ínguas, ou após contato próximo com alguém que tenha recebido diagnóstico suspeito ou confirmado. O diagnóstico depende de avaliação clínica e exames laboratoriais.

Não existe, até o momento, um medicamento específico aprovado para todos os casos. O tratamento envolve cuidados clínicos, controle dos sintomas e prevenção de complicações. A maioria das pessoas apresenta evolução leve a moderada e melhora em duas a quatro semanas.

Aumento de casos exige vigilância, não pânico

O crescimento dos registros no Rio de Janeiro demonstra a importância do acompanhamento epidemiológico. Especialistas em saúde pública costumam destacar que o controle de doenças infecciosas depende da identificação precoce dos casos, investigação dos contatos, orientação da população e acesso aos serviços de saúde.

A situação também reforça a importância de combater informações falsas e evitar estigmatização de pessoas infectadas. O alerta é para que a população conheça os sintomas, procure atendimento quando necessário e siga as recomendações das autoridades sanitárias.

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