Chineses estão comprando o Brasil quando ampliam presença em ativos estratégicos com negociações envolvendo ferrovia da Rumo, extração de minerais e produção energética

Movimentações reforçam interesse do capital chinês por infraestrutura energética e logística no Brasil e reacendem debate sobre investimentos estrangeiros em setores considerados estratégicos.

O avanço de investidores chineses sobre ativos de infraestrutura no Brasil voltou a ganhar destaque com negociações envolvendo ativos ferroviários da Rumo. As operações, evidenciam o crescente interesse da China em setores considerados estratégicos para o escoamento da produção agrícola e para a segurança energética brasileira.

A presença de empresas chinesas em setores estratégicos da economia brasileira continua crescendo, especialmente nas áreas de geração de energia e infraestrutura logística. Em Goiás, um dos principais exemplos é a Usina Hidrelétrica de São Simão, administrada pela estatal chinesa SPIC (State Power Investment Corporation), que assumiu a concessão do empreendimento após vencer o leilão promovido pelo Governo Federal em 2017. Lembrando que antes era a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) que administrava uma das maiores produtoras de energia do interior do País.

Com capacidade instalada superior a 1.700 megawatts, a usina é uma das maiores hidrelétricas do país e desempenha papel fundamental no fornecimento de energia para o Sistema Interligado Nacional. O investimento marcou uma das maiores aquisições chinesas no setor elétrico brasileiro e consolidou Goiás como um dos estados que mais receberam capital da China em infraestrutura.

No setor ferroviário, a atenção do mercado se voltou recentemente para a Rumo, maior operadora ferroviária do Brasil. Informações sobre um possível interesse de grupos chineses em ativos da companhia movimentaram o mercado financeiro. No entanto, a Cosan, acionista controladora da Rumo, informou oficialmente que não existe decisão ou negociação para a venda do controle da empresa, apesar de continuar avaliando alternativas para reduzir seu endividamento.

Especialistas avaliam que o interesse chinês por ativos brasileiros está diretamente relacionado à importância do Brasil como fornecedor mundial de alimentos, minérios e energia. Investimentos em hidrelétricas, linhas de transmissão, portos e ferrovias fortalecem a logística de exportação e garantem maior eficiência no transporte de commodities destinadas ao mercado asiático.

Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostra que os investimentos chineses no Brasil alcançaram US$ 6,1 bilhões em 2025, um crescimento de 45% em relação ao ano anterior. Os setores de eletricidade e mineração lideraram a atração de recursos, enquanto Goiás figura entre os estados que mais receberam projetos de empresas chinesas nas últimas duas décadas.

Para analistas, a tendência é que novos investimentos continuem chegando ao país, principalmente em projetos de energia, logística e infraestrutura. Embora operações envolvendo empresas estratégicas despertem debates sobre soberania e controle de ativos nacionais, especialistas também destacam que a entrada de capital estrangeiro contribui para ampliar investimentos, modernizar a infraestrutura e fortalecer a competitividade do Brasil no comércio internacional.

Goiás concentra alguns dos principais investimentos chineses no Brasil, especialmente nos setores de energia, mineração e indústria. As empresas com operações relevantes no estado são:

  1. SPIC Brasil (State Power Investment Corporation)
    • Setor: Geração de energia.
    • Principal ativo: Usina Hidrelétrica de São Simão, localizada na divisa entre Goiás e Minas Gerais.
    • A estatal chinesa assumiu a concessão da usina após vencer o leilão realizado pelo governo federal em 2017 por R$ 7,18 bilhões.
  2. CMOC Brasil (CMOC Group Limited)
    • Setor: Mineração.
    • Atua nos municípios de Catalão e Ouvidor, onde explora e beneficia nióbio e fosfato, minerais estratégicos para a indústria e para a produção de fertilizantes.
    • A empresa adquiriu os ativos da Anglo American em 2016 e é uma das maiores mineradoras chinesas em operação no Brasil.
  3. State Grid Brazil Holding
    • Setor: Transmissão de energia elétrica.
    • Embora sua sede brasileira esteja em São Paulo, a empresa controla linhas de transmissão que passam por Goiás, incluindo empreendimentos como a Serra da Mesa Transmissora de Energia e a Itumbiara Transmissora de Energia.

Além dessas empresas já instaladas, o Governo de Goiás mantém negociações com outras companhias chinesas interessadas em investir no estado:

  • Weichai Power, do setor de motores, máquinas agrícolas e logística, que manifestou interesse em instalar operações em Goiás.
  • Chint Power, fabricante de equipamentos para energia limpa, que anunciou planos para iniciar operações em Itumbiara.
  • Alibaba Group (AliExpress), que discutiu com o governo goiano a possibilidade de transformar Goiás em um centro de distribuição logística para suas operações no Brasil.

Os investimentos chineses em Goiás estão concentrados em três setores considerados estratégicos:

A tendência, segundo analistas do mercado, é que novas parcerias e aquisições continuem ocorrendo nos próximos anos, especialmente em projetos ligados à infraestrutura, ao agronegócio e à transição energética, áreas consideradas prioritárias tanto para o desenvolvimento brasileiro quanto para a estratégia global de investimentos da China.

Usina Hidroelétrica de São Simão-GO, e Santa Vitória-MG

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