Voar no Z4, novo avião em desenvolvimento pela americana JetZero, poderá proporcionar uma experiência bastante diferente da encontrada nas aeronaves convencionais. O projeto prevê a substituição das tradicionais janelas ao lado dos passageiros por grandes telas que reproduzirão imagens do exterior captadas por câmeras de alta definição.
Com um formato semelhante ao de uma arraia, o Z4 integra a fuselagem às asas em uma estrutura conhecida como blended wing body. Segundo a JetZero, esse desenho proporciona maior eficiência aerodinâmica e pode reduzir entre 30% e 50% o consumo de combustível em comparação com aeronaves como o Boeing 787.
A cabine também terá outras características pouco comuns. A iluminação natural será fornecida por duas claraboias instaladas próximas às primeiras fileiras. A aeronave deverá acomodar cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis seções, além de contar com um compartimento de bagagem individual para cada assento.
Apesar das inovações, o projeto também enfrenta questionamentos. Especialistas ouvidos pelo Wall Street Journal apontam que passageiros posicionados próximos às asas poderão experimentar maior desconforto durante as curvas. A ausência de janelas convencionais também pode aumentar a sensação de enjoo em alguns passageiros.
Outro desafio está na configuração das portas. Elas serão instaladas em posições diferentes das utilizadas na maioria dos aviões comerciais atuais. Isso poderá exigir adaptações nos aeroportos, que hoje são estruturados principalmente para receber aeronaves convencionais.
Primeiro voo pode ocorrer em 2027
A JetZero planeja realizar, em 2027, o primeiro voo de um protótipo em escala real. A expectativa da empresa é iniciar a operação comercial do Z4 no começo da década de 2030.
O avião foi projetado para voar até 5.000 milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 9.200 quilômetros. Essa autonomia seria suficiente para rotas de longa distância, como um voo entre São Paulo e Madri, na Espanha, que percorre cerca de 8.400 quilômetros.
O projeto já conta com o apoio de grandes companhias aéreas dos Estados Unidos. A United Airlines planeja adquirir 200 unidades do Z4, enquanto Delta Air Lines e Alaska Airlines também apoiam o desenvolvimento da aeronave.
Para acelerar o processo de certificação e produção, a JetZero pretende utilizar componentes já empregados em outras aeronaves e aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).
A empresa também firmou um acordo de US$ 3 bilhões, cerca de R$ 15 bilhões, com o governo americano para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte. A unidade deverá contribuir para acelerar a produção do novo avião.
Se cumprir o cronograma previsto, o Z4 poderá combinar um formato radicalmente diferente do padrão atual com uma promessa de redução significativa no consumo de combustível. Antes de transportar passageiros, porém, a aeronave ainda precisará passar por uma extensa etapa de testes, desenvolvimento e certificação.

