Durante todo o mês de setembro, estudantes da Escola Municipal Manoel Alves Vilela participam de atividades voltadas à empatia e à convivência inclusiva por meio do Projeto Defensor e Defensora Mirim, uma iniciativa realizada pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) através de sua unidade em Ituiutaba.
Retorno emocionante e diálogo sobre inclusão
No dia 14 de setembro, alunos matriculados no 8º e no 9º ano assistiram à palestra “Todo mundo cabe aqui: uma conversa sobre respeito, diferenças e cuidado com as pessoas”, apresentada pelo psicólogo e docente Wesley Miranda Marques, vindo de Uberlândia. O evento ganhou um tom afetivo marcante porque o palestrante foi aluno da própria escola municipal, voltando ao local para transmitir saberes e vivências aos atuais matriculados.
Na ocasião, o especialista tratou a diversidade como elemento inerente à vida coletiva, enfatizando que cada indivíduo carrega sua própria trajetória, traços, gostos e visões de mundo. O bate-papo ainda estimulou o pensamento crítico acerca da variedade de estruturas familiares, da inserção de pessoas com deficiência e da tolerância aos variados estilos de existência, vivência e expressão.
Legislação e conscientização contra a discriminação
Os jovens também obtiveram esclarecimentos acerca das garantias previstas na lei brasileira contra atos discriminatórios. O encontro debateu episódios de racismo, homofobia, transfobia, xenofobia e outras categorias de preconceito, enfatizando que tais atitudes não podem ser normalizadas ou encaradas como meras brincadeiras, pois geram repercussões legais.
Utilizando contextos cotidianos do ambiente acadêmico, a turma foi instigada a repensar o uso de apelidos pejorativos, a rejeição a colegas e atitudes geradoras de vexame ou dor. A ação destacou que a linguagem possui poder tanto para acolher quanto para ferir, e que testemunhas de preconceito possuem o dever de intervir, prestando solidariedade à vítima e acionando um adulto responsável.
O papel da Defensoria Pública na formação cidadã
De acordo com a Defensora Pública e coordenadora da Unidade de Ituiutaba, Mônica Alves da Costa Franco, debater a pluralidade nas salas de aula auxilia para que crianças e adolescentes vejam as singularidades como algo natural da convivência social, entendendo que traços pessoais, familiares ou sociais jamais devem legitimar o preconceito ou a exclusão. “O Projeto Defensor e Defensora Mirim busca aproximar a Defensoria Pública da comunidade escolar e incentivar, desde cedo, valores como respeito, empatia e responsabilidade diante das injustiças. Queremos que os estudantes compreendam que defender direitos também significa acolher quem está sendo excluído e ter coragem para não permanecer indiferente”, afirmou.
A agenda do período visa evidenciar que todos os cidadãos merecem respeito e inclusão total na rotina estudantil. Entre as posturas estimuladas estão o uso do nome social desejado, a integração de quem estiver isolado, a retratação diante de atos dolorosos e o relato de episódios de violência, preconceito ou discriminação aos responsáveis.
Valendo-se de vocabulário simples e forte engajamento da turma, o Projeto Defensor e Defensora Mirim consolida o ambiente escolar como um local seguro de ensino, defesa de direitos e exercício da cidadania, onde as divergências precisam ser acolhidas e valorizadas.
