Jornalistas são barrados na Casa Branca após bloqueio de Trump

A decisão do governo dos Estados Unidos de suspender a credencial de grandes veículos de comunicação já começou a ser aplicada na Casa Branca. Profissionais de imprensa das redes de televisão CNN e MS NOW, além do portal Politico, foram formalmente proibidos de acessar as dependências do governo norte-americano para a cobertura diária das ações da gestão de Donald Trump.

Barrados na entrada e retenção de credenciais

Logo nas primeiras horas após a determinação entrar em vigor, jornalistas foram impedidos de ingressar nos espaços reservados à imprensa. A repórter Akayla Gardner, acompanhada por um fotógrafo da MS NOW, teve seu acesso negado pelos agentes de segurança ao tentar trabalhar no local.

Durante a abordagem, os funcionários públicos exigiram que os profissionais entregassem as suas credenciais oficiais. “Eu questionei o motivo de não poder entrar. Ele (funcionário) disse que (a ordem) veio de cima dele”, disse a repórter.

Acusações sem provas e críticas do presidente

Por meio de publicações em redes sociais, o presidente Donald Trump ratificou que o banimento das três empresas jornalísticas já está plenamente ativo. Sem apresentar evidências concretas, o republicano acusou as organizações de divulgarem matérias inverídicas contra o seu mandato.

Entre as acusações, Trump classificou como um ato de corrupção o repasse de US$ 8 milhões feito pela administração anterior ao site Politico. No entanto, o valor em questão referia-se a assinaturas corporativas de serviços do portal contratadas por diversos órgãos federais norte-americanos.

O líder do Executivo dos EUA também fez alertas a outros canais de mídia que venham a publicar reportagens que desagradem ao governo. “Os veículos de comunicação não deveriam poder escrever ou noticiar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS quando estão cobrindo o presidente dos Estados Unidos, o governo Trump ou os Estados Unidos da América”, disse.

Reestruturação do acesso e precedentes no governo

As sanções aplicadas aos veículos tradicionais refletem uma transformação profunda nas diretrizes de comunicação do governo dos Estados Unidos. Desde que retornou ao poder, Trump modificou o modelo histórico em que a escolha da rotatividade dos repórteres na Casa Branca ficava sob controle de uma associação independente de imprensa.

Agora, a própria equipe presidencial determina quais jornalistas têm acesso direto às coletivas. Além disso, a gestão reservou espaço na sala de imprensa para influenciadores digitais, criadores de podcasts e newsletters, medida que divide opiniões entre a inovação tecnológica e o favorecimento de conteúdos alinhados ao governo.

Conflitos anteriores com a imprensa

Este não é o primeiro embate da gestão Trump com grandes agências globais. Anteriormente, a agência de notícias Associated Press sofreu sanções ao ser proibida de cobrir eventos no Salão Oval e viajar no avião presidencial, o Air Force One, após se recusar a utilizar a nomenclatura “Golfo da América” exigida pelo governo para o Golfo do México.

A restrição severa ao trabalho dos repórteres tem gerado debates jurídicos no país. Diversas entidades ligadas à liberdade de imprensa sustentam que o impedimento do acesso a eventos governamentais fere diretamente as garantias da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

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