PrEP injetável no SUS: saiba quem terá prioridade nas doses

PrEP injetável no SUS: veja quem pode ter prioridade para receber as primeiras doses

Pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV e que não estejam utilizando a profilaxia pré-exposição (PrEP) — medicamento que reduz o risco de infecção pelo HIV quando usado antes de uma possível exposição ao vírus — por dificuldades sociais ou de acesso aos serviços de saúde devem estar entre as primeiras a receber a versão injetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS), caso o cabotegravir seja incorporado à rede pública.

Diretrizes e cronograma de atendimento Documentos oficiais da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Ministério da Saúde indicam essa estratégia, embora os parâmetros definitivos ainda precisem de regulamentação. Atualmente, não existe um calendário oficial para a chegada das ampolas à rede pública. O cabotegravir de longa duração, administrado bimestralmente após a fase inicial, obteve sinal verde preliminar da Conitec em agosto. O plano governamental não visa a extinção da modalidade em comprimidos, mas sim a diversificação das alternativas preventivas.

“A ideia não seria que todos os usuários de PrEP passassem a usar PrEP injetável”, afirma Júlia Paranhos, professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora que participou de uma análise sobre os custos de implementação da tecnologia no país.

Para especialistas, a coexistência de métodos fortalece a prevenção. O infectologista Moacyr Silva Junior, do Einstein Hospital Israelita, destaca que a autonomia de escolha beneficia diferentes perfis de pacientes conforme suas rotinas e contextos sociais.

Mecanismo e regras de aprovação Autorizado pela Anvisa para maiores de 12 anos com peso superior a 35 kg, o fármaco atua bloqueando a multiplicação do vírus no organismo. O protocolo inicial consiste em uma aplicação no dia zero, outra após trinta dias, seguida por manutenções a cada sessenta dias. A testagem laboratorial negativa para o HIV é obrigatória antes do início e deve ser repetida periodicamente, visto que a substância permanece ativa no corpo por mais de doze meses após a última injeção.

Comparativo de eficácia e adesão Pesquisas clínicas demonstraram desempenho superior da injeção frente aos comprimidos diários, com reduções de risco que variam de 66% a 89% em estudos internacionais e média global de 79%. Essa vantagem decorre da dispensa do uso diário, substituído por visitas regulares ao posto de saúde.

“A gente sempre vai ter problema com a adesão”, afirma o infectologista do Einstein. O médico aponta que o desafio se desloca da ingestão diária para o comparecimento regular às unidades de atendimento, ampliando o leque de possibilidades terapêuticas.

Desafios logísticos e populações vulneráveis Enquanto a nova tecnologia resolve o estigma e o armazenamento domiciliar de comprimidos, ela impõe barreiras para quem possui rotinas instáveis. Especialistas alertam sobre as dificuldades para moradores de rua e pessoas com infraestrutura de saúde limitada.

Flávio Lino, secretário-executivo do Movimento Nacional da População em Situação de Rua do Rio de Janeiro (MNPR-RJ), aponta que a responsabilidade pela continuidade do tratamento deve recair sobre o sistema de saúde, superando barreiras burocráticas de localização e contato.

“A pergunta que o SUS precisa fazer não é: ‘Essa pessoa consegue voltar aqui daqui a dois meses?’. É: ‘Como o SUS vai garantir que essa pessoa seja encontrada e continue seu cuidado daqui a dois meses?’”, conclui.

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