O histórico edifício onde funcionou o primeiro centro de distribuição de energia da região, erguido pela Celg nos anos 1950 na Rua 252, no Setor Leste Universitário, passará por uma completa revitalização para abrigar o Memorial da Energia do Brasil Central. A iniciativa surge por meio de uma colaboração entre a Elysium Sociedade Cultural e a EDP, viabilizada com patrocínio captado via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A proposta central consiste em resgatar a memória da eletrificação no Centro-Oeste, articulando essa trajetória secular a pautas atuais como ciência, ensino, conservação do patrimônio e sustentabilidade.
Patrimônio histórico e relevância estratégica
Reconhecido como patrimônio histórico e artístico estadual desde 2009, o imóvel da antiga Subestação de Goiânia preserva maquinários legítimos das décadas de 1950, construídos por fabricantes da Suíça e da Itália. Sendo a primeira edificação com essa finalidade no Brasil Central, o espaço exerceu função fundamental no progresso socioeconômico local, além de ter sido determinante para fornecer a carga elétrica indispensável à edificação e abertura de Brasília.
Inovação tecnológica e acervo preservado
Para viabilizar o novo polo cultural, a estrutura ociosa passará por intervenções profundas de restauro, permitindo que o maquinário original seja reorganizado para visitação pública. A intervenção unirá a conservação de relíquias industriais a ferramentas tecnológicas de ponta, incluindo exibições digitais, recursos de realidade virtual e games educativos voltados para eficiência energética e conservação ambiental.
O papel da educação e da cultura na preservação
O diretor do Instituto da EDP na América do Sul, Dominic Schmal, destaca o valor do projeto no ano em que a companhia celebra marcos históricos de atuação no país.”Para a EDP, preservar esse patrimônio significa reconhecer a importância da história da energia para o desenvolvimento do Brasil e, ao mesmo tempo, criar formas de conectar esse legado às próximas gerações ao transformar um espaço histórico em um ambiente vivo de conhecimento, educação e cultura, mostrando que preservar o passado é também construir um olhar mais consciente sobre o futuro. O Memorial da Energia do Brasil Central nasce em um ano especialmente simbólico para empresa, em que celebramos 10 anos de atuação da EDP no segmento de transmissão no Brasil e 30 anos de presença da companhia no país”.
Diretrizes arquitetônicas e acessibilidade
O projeto de requalificação priorizará a preservação da identidade arquitetônica original. O engenheiro Wolney Unes, diretor executivo do projeto e responsável pela Elysium Sociedade Cultural, ressalta a integração entre o acervo histórico e o aprendizado futuro.
“As intervenções vão respeitar integralmente o valor histórico do edifício e têm como propósito preservar sua memória, ao mesmo tempo em que o transformam em um espaço vivo, preparado para dialogar com as próximas gerações. O memorial será um ambiente para conectar passado e futuro, mostrando como a história da energia está diretamente ligada ao desenvolvimento sustentável”, pontuou.
Sob a coordenação da arquiteta Jessica Marques, responsável pela gestão das intervenções, o local foi pensado para ser plural e receptivo. “A proposta é preservar um patrimônio de relevância histórica e, ao mesmo tempo, criar um espaço dinâmico, preparado para receber diferentes públicos”, detalhou a arquiteta.
As intervenções estruturais têm início programado para o ano de 2026, com vigência contratual estipulada em cinco anos. Apesar disso, a população poderá usufruir do local ainda durante o período de implantação, por meio de mostras culturais transitórias e debates acadêmicos.

