Pesquisa revela que maioria vê escolas como inseguras para jovens

Uma pesquisa recente divulgada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável em parceria com a Quaest aponta que 73% dos brasileiros consideram as escolas pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes. O levantamento revelou que apenas 26% da população enxerga o ambiente escolar como um local verdadeiramente seguro, acendendo um alerta sobre a percepção pública em relação aos espaços de ensino.

Percepção de segurança e confiança institucional

Quando o assunto é a confiança em instituições responsáveis por proteger os jovens, as escolas aparecem com índices baixos de credibilidade máxima. Apenas 30% dos entrevistados afirmam confiar muito nas escolas, enquanto 55% confiam pouco e 14% demonstram total desconfiança. Em comparação com dados anteriores de 2021, quando o índice de confiança total atingia 55%, houve uma retração expressiva na sensação de segurança depositada nesses locais.

O impacto entre pais de escolas públicas e privadas

A pesquisa ouviu mais de 2.202 pessoas em 128 municípios brasileiros e detalhou que a sensação de vulnerabilidade varia conforme a rede de ensino dos filhos. Entre pais e responsáveis com alunos matriculados na rede pública, o índice de insegurança chega a 72%. Já entre aqueles que utilizam a rede privada, o percentual é menor, mas ainda expressivo, alcançando 59% de desconfiança em relação à segurança dos campi.

Violência entre alunos lidera preocupação

O principal fator apontado pela população para justificar a falta de segurança nas escolas é a violência praticada entre os próprios estudantes, citada por 70% dos participantes. Outros motivos mencionados incluem a violência exercida por profissionais da educação contra os alunos, representando 8%, e ocorrências envolvendo ambos os grupos, com 18%.

Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, os dados desenham um um alerta importante sobre como a escola é vista no país.

Na percepção da população, a escola deixa de ser vista como um espaço protetivo para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes e passa a ser percebida como um ambiente de risco. Isso é um problema para toda a sociedade, porque pode trazer repercussões para o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes, inclusive para a aprendizagem.

Caminhos e soluções apontadas pela sociedade

Para reverter esse cenário, a população aponta diferentes caminhos que poderiam transformar os colégios em locais mais seguros. Entre as principais soluções sugeridas estão a maior participação das famílias no cotidiano escolar e a capacitação de professores para identificar casos de violência, ambas com 23% das menções. Outras propostas incluem parcerias com o Conselho Tutelar e redes de saúde, a presença de psicólogos e o desenvolvimento de ações preventivas.

Márcia Kalvon avalia que os dados são claros ao mostrar que, para os brasileirios, um ambiente escolar mais seguro demanda educadores preparados, família e comunidade escolar unidas e a criação de espaços de escuta para crianças e adolescentes.

A especialista reforça que políticas públicas já existentes, como a Base Nacional Comum Curricular e o Programa Saúde na Escola, oferecem diretrizes importantes para trabalhar temas como cultura de paz e saúde mental nas salas de aula.

“Essas iniciativas podem oferecer ferramentas para que crianças e adolescentes aprendam a lidar com conflitos e situações desafiadoras nas relações entre os próprios alunos. Precisamos fortalecer essas políticas e avançar em uma atuação intersetorial, articulando educação, saúde, famílias e os demais integrantes da rede de proteção para enfrentar o cenário apontado pela pesquisa”, complementa.

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