Filho é indiciado por matar o próprio pai e esconder corpo após sangue ser encontrado em carro em Uberlândia

Polícia Civil concluiu investigação sobre desaparecimento de idoso de 78 anos; filho, de 29, está preso preventivamente. Corpo da vítima ainda não foi encontrado.

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu a investigação sobre o desaparecimento de Alair Domingo de Araújo, de 78 anos, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e apontou que o idoso foi vítima de homicídio. O principal investigado é o próprio filho, de 29 anos, que foi preso preventivamente e indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

O corpo de Alair, no entanto, ainda não foi localizado. As buscas continuam, segundo a Polícia Civil.

O desaparecimento do idoso foi registrado no fim de 2025 e, inicialmente, o caso era tratado como uma ocorrência de pessoa desaparecida. Ao longo de aproximadamente nove meses de investigação, policiais reuniram elementos que, segundo a corporação, permitiram reconstruir parte da dinâmica do crime e apontar o envolvimento do filho.

Idoso foi visto pela última vez em novembro

De acordo com a investigação, Alair foi visto pela última vez em 28 de novembro de 2025, na região do bairro Integração, em Uberlândia.

Nos primeiros momentos da apuração, a principal hipótese era de desaparecimento. A investigação ganhou outro rumo depois que os policiais localizaram o Toyota Corolla que pertencia ao idoso.

O veículo foi encontrado em 22 de dezembro, durante uma abordagem realizada com apoio da Polícia Militar.

A perícia realizada no automóvel encontrou sangue humano no porta-malas. Posteriormente, um exame genético apontou que o material biológico apresentava compatibilidade com o perfil genético esperado para o pai biológico de dois filhos da vítima.

O resultado foi considerado pelos investigadores um dos principais elementos para sustentar a hipótese de que o desaparecimento de Alair estivesse relacionado a um homicídio.

Investigação durou cerca de nove meses

A Polícia Civil informou que a investigação envolveu diferentes frentes de apuração.

Além dos exames periciais realizados no carro, os investigadores analisaram aparelhos celulares, dados telefônicos e telemáticos, informações bancárias, depoimentos e milhares de arquivos de áudio.

A partir do cruzamento dessas informações, a polícia passou a reunir elementos que, segundo o inquérito, apontam para a participação do filho no desaparecimento e na morte do pai.

A investigação também contou com medidas judiciais de quebra de sigilos e outras diligências destinadas a reconstruir a movimentação da vítima e do investigado no período relacionado ao desaparecimento.

Filho está preso preventivamente

O homem de 29 anos está preso preventivamente e permanece à disposição da Justiça.

Segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), ele foi admitido no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, em 8 de setembro de 2026.

Durante a investigação, a Polícia Civil havia solicitado inicialmente a prisão temporária do suspeito. Com o avanço das apurações e a conclusão do inquérito, a corporação apresentou novo pedido pela prisão preventiva, que foi deferido pelo Poder Judiciário.

Quais são os crimes atribuídos ao investigado?

O homem foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Segundo a Polícia Civil, o homicídio foi enquadrado com qualificadoras relacionadas ao motivo torpe e à intenção de assegurar a impunidade de outro crime. A investigação também considerou a idade da vítima, que tinha 78 anos, além da relação de parentesco entre vítima e investigado.

Isso significa que, na conclusão do inquérito, a Polícia Civil entendeu haver elementos suficientes para atribuir ao filho a prática dos crimes investigados.

O indiciamento, entretanto, não representa uma condenação. A partir do encerramento do inquérito, o caso é encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar as provas e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

Corpo de Alair ainda não foi encontrado

Mesmo com os elementos reunidos pela investigação, uma das principais perguntas do caso permanece sem resposta: onde está o corpo do idoso?

A Polícia Civil informou que o cadáver ainda não foi localizado e que as buscas continuam.

A localização do corpo é considerada uma das prioridades da investigação, tanto para a família quanto para o esclarecimento completo das circunstâncias da morte.

A polícia também mantém outras diligências para tentar obter informações que possam levar ao local onde o cadáver foi escondido.

Caso começou como desaparecimento

O caso chama atenção porque a investigação mudou de direção ao longo dos meses.

Inicialmente, a ocorrência não era tratada como homicídio. A ausência de Alair levou familiares e autoridades a registrarem o desaparecimento e iniciarem as buscas.

A localização do veículo, porém, acrescentou uma informação considerada decisiva: havia sangue humano no porta-malas.

Com o resultado dos exames genéticos e o cruzamento das demais informações obtidas durante a investigação, a Polícia Civil passou a trabalhar com a hipótese de que o idoso havia sido morto e que seu corpo havia sido ocultado.

Polícia pede ajuda para localizar o corpo

Mesmo após o encerramento do inquérito, a Polícia Civil continua buscando informações sobre o paradeiro de Alair Domingo de Araújo.

Informações que possam ajudar a localizar o corpo podem ser repassadas de forma sigilosa pelo Disque-Denúncia 181 ou diretamente à Delegacia Especializada de Homicídios de Uberlândia.

A colaboração da população pode ser importante principalmente para esclarecer possíveis deslocamentos realizados após o desaparecimento e identificar locais onde o cadáver possa ter sido ocultado.

O que acontece agora?

Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar as provas produzidas pela Polícia Civil.

Caso o Ministério Público ofereça denúncia e ela seja recebida pela Justiça, o investigado passará à condição de réu e responderá ao processo judicial.

Até que haja uma decisão definitiva, o homem é considerado acusado, e não condenado.

Enquanto isso, a Polícia Civil mantém as buscas pelo corpo de Alair e poderá realizar novas diligências caso surjam informações relevantes para o caso.

O caso em números

  • Vítima: Alair Domingo de Araújo
  • Idade: 78 anos
  • Último avistamento: 28 de novembro de 2025
  • Local: região do bairro Integração, em Uberlândia
  • Veículo localizado: Toyota Corolla pertencente à vítima
  • Data da localização do carro: 22 de dezembro de 2025
  • Principal investigado: filho da vítima, de 29 anos
  • Situação: preso preventivamente
  • Crimes atribuídos: homicídio qualificado e ocultação de cadáver
  • Corpo: ainda não localizado
  • Investigação: concluída pela Polícia Civil
  • Próxima etapa: análise do inquérito pelo Ministério Público

Importante: as informações sobre a autoria e a dinâmica do crime correspondem às conclusões apresentadas pela Polícia Civil no inquérito. O investigado terá direito à defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

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