João Melo Lima ficou nove dias internado em uma UTI de queimaduras em Goiânia; acidente destruiu parte de uma lanchonete em São Simão e deixou outras duas pessoas feridas
O idoso João Melo Lima, de 86 anos, morreu na quinta-feira (8), após passar nove dias internado em estado grave por causa de queimaduras sofridas durante uma explosão na rodoviária de São Simão, no sul de Goiás. Ele teve 63% do corpo queimado no acidente, ocorrido na madrugada de 30 de setembro, na área de alimentação do terminal rodoviário.
A vítima estava internada no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Segundo informações divulgadas pelo Jornal Opção, João permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sedado e respirando com a ajuda de aparelhos. A morte foi confirmada pela unidade hospitalar na tarde de quinta-feira.
A explosão atingiu uma lanchonete onde o idoso trabalhava e provocou danos na estrutura do estabelecimento e em imóveis comerciais próximos. Outras duas pessoas também ficaram feridas e receberam atendimento médico.
O caso mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e profissionais da rede pública de saúde. As circunstâncias do acidente são investigadas pela Polícia Técnico-Científica.
Como aconteceu a explosão na rodoviária?
O acidente ocorreu por volta das 5h da manhã de 30 de setembro, quando João chegava à lanchonete em que trabalhava, na área de alimentação da rodoviária de São Simão.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, foram registradas três explosões: a primeira, de maior intensidade, foi seguida por outras duas, de menor proporção.
A força do impacto provocou danos significativos na área atingida. Durante a vistoria inicial, os bombeiros identificaram deformações na cobertura metálica e danos em uma das lajes de um dos estabelecimentos comerciais.
As equipes também encontraram três botijões de gás de cozinha e um sistema de gás canalizado no imóvel. Por segurança, o fornecimento de gás, energia elétrica e água foi interrompido na área afetada, e os recipientes encontrados foram retirados do local de risco.
Apesar dos indícios observados durante o atendimento, a origem exata da explosão ainda depende da conclusão dos exames periciais. Até a divulgação do laudo, não é possível afirmar definitivamente o que provocou o acidente.
Idoso teve 63% do corpo queimado e foi transferido de helicóptero
Após a explosão, João recebeu os primeiros atendimentos e foi encaminhado ao Hospital Municipal de São Simão. A gravidade das queimaduras levou à transferência para uma unidade especializada em Goiânia.
O transporte foi realizado por meio do serviço aeromédico do Corpo de Bombeiros, em uma operação articulada com a Secretaria Municipal de Saúde.
No Hugol, o idoso recebeu atendimento especializado para tratar as queimaduras, que atingiram aproximadamente 63% da superfície corporal. Ele permaneceu internado na UTI, sob cuidados intensivos, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Queimaduras extensas podem comprometer a barreira de proteção da pele, aumentar a perda de líquidos e provocar complicações que exigem monitoramento contínuo e tratamento especializado. A gravidade depende de fatores como a extensão e a profundidade das lesões, além das condições clínicas de cada paciente.
No caso de João, o percentual de área corporal atingida ajuda a dimensionar a gravidade do quadro que motivou a transferência para a capital.
Outras duas pessoas ficaram feridas
Além de João, outras duas pessoas foram atingidas pela ocorrência e precisaram de atendimento médico.
Segundo as informações divulgadas pelos bombeiros, os outros feridos apresentavam quadro considerado leve, com relatos de alterações de pressão arterial e crises hipertensivas.
As vítimas foram encaminhadas ao Hospital Municipal de São Simão. A ocorrência levou as equipes de emergência a avaliar os riscos no local, realizar os atendimentos e adotar medidas para evitar novos acidentes.
A área atingida também precisou ser preservada para permitir a realização da perícia e a análise dos danos estruturais.
Suspeita de vazamento de gás ainda precisa ser investigada
Informações divulgadas pela imprensa com base em relatos de familiares indicaram a possibilidade de que o gás tivesse permanecido ligado na lanchonete durante a noite anterior.
Segundo esses relatos, João teria retornado ao estabelecimento para preparar café e assar pão de queijo quando ocorreu a explosão.
A hipótese de vazamento de gás foi mencionada durante a cobertura inicial do acidente. No entanto, ela não deve ser tratada como causa comprovada.
Os bombeiros identificaram botijões e um sistema de gás canalizado no imóvel, mas a presença desses equipamentos, por si só, não determina a origem da explosão.
A Polícia Técnico-Científica de Quirinópolis é responsável pelos exames que devem esclarecer as circunstâncias do caso. A análise pericial é importante para identificar a origem do evento e verificar se houve falha no sistema de abastecimento, vazamento ou outro fator que possa ter contribuído para o acidente.
Até que os resultados sejam divulgados, não há confirmação definitiva sobre a causa.
Quem era João Melo Lima?
Natural do Ceará, João Melo Lima morava em Goiás havia mais de 50 anos. Ele trabalhava na lanchonete instalada na rodoviária de São Simão.
Segundo as informações publicadas pelo Jornal Opção, o idoso deixou 21 filhos, além de netos e bisnetos.
A morte causou comoção entre familiares e pessoas próximas. A despedida estava prevista para ocorrer em São Simão, município onde ele vivia e trabalhava.
Investigação deve esclarecer as circunstâncias do acidente
A morte de João transforma a explosão ocorrida na rodoviária em um caso com consequências fatais, além dos prejuízos materiais e dos ferimentos provocados nas outras vítimas.
A investigação deverá esclarecer como a explosão começou, quais fatores contribuíram para sua propagação e se havia alguma irregularidade nas instalações do estabelecimento.
Os resultados da perícia também poderão ajudar a orientar eventuais medidas de segurança na área atingida.
Enquanto as causas não forem oficialmente determinadas, a principal informação confirmada é que João Melo Lima morreu após nove dias de internação, em decorrência das queimaduras sofridas na explosão de 30 de setembro.
O caso reforça a importância da inspeção e da manutenção de instalações de gás em estabelecimentos comerciais, especialmente em locais fechados ou com circulação de pessoas. A confirmação de eventuais falhas, entretanto, depende da conclusão da investigação técnica.


