Nova relação do Ministério do Meio Ambiente identifica 730 espécies criticamente ameaçadas; duas plantas da Mata Atlântica foram classificadas como possivelmente extintas.
A biodiversidade brasileira enfrenta um alerta importante. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima atualizou a Lista Nacional Oficial das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, que agora reúne 3.730 espécies de plantas em diferentes categorias de risco.
Um dos destaques da atualização é o pau-brasil, espécie que passou da categoria Em Perigo para Criticamente em Perigo, indicando um agravamento de sua situação de conservação. A nova relação foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026, e divulgada pelo ministério no dia 29 de outubro.
O levantamento também classificou duas espécies da Mata Atlântica como possivelmente extintas, situação que reforça a necessidade de pesquisas e ações de conservação. Quantas espécies estão ameaçadas?
De acordo com os dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente, a lista reúne:
- 838 espécies classificadas como vulneráveis;
- 2.162 espécies em perigo;
- 730 espécies criticamente em perigo.
As três categorias indicam diferentes níveis de risco de desaparecimento na natureza. A classificação Criticamente em Perigo representa a condição de maior gravidade entre essas categorias.
Duas espécies podem ter desaparecido da natureza
Entre os pontos mais preocupantes da atualização está a classificação de duas espécies da Mata Atlântica como criticamente em perigo, possivelmente extintas. Uma delas é a Symplocos rizzinii, árvore com registros na região da Serra da Mantiqueira.
A outra é a Plinia rogersiana, pertencente ao mesmo gênero botânico da jabuticaba, com ocorrência registrada no estado de São Paulo. É importante esclarecer que a expressão possivelmente extinta não significa que o desaparecimento definitivo tenha sido comprovado.
A classificação indica que não existem evidências suficientes de populações vivas nas condições avaliadas, mas novas buscas de campo ainda deverão ser realizadas para verificar se essas plantas continuam existindo na natureza.
Pau-brasil passou para a categoria de maior risco
O pau-brasil, espécie historicamente associada à formação do território e à própria origem do nome do país, também aparece entre os principais destaques. A espécie Paubrasilia echinata passou da categoria Em Perigo para Criticamente em Perigo.
A mudança representa um alerta sobre a necessidade de reforçar a proteção das populações remanescentes e dos ambientes naturais onde a árvore ocorre. O pau-brasil possui importância histórica, cultural e ecológica, além de ter sido intensamente explorado ao longo dos séculos.
Cerrado também está entre os biomas preocupantes
A atualização traz informações importantes para Goiás e para outras regiões brasileiras. Segundo o ministério, a Mata Atlântica apresenta 38% das espécies avaliadas ameaçadas, enquanto o Cerrado registra 35%.
Na Amazônia, o percentual informado é de 18%. Esses números se referem às espécies avaliadas em cada bioma, e não representam necessariamente a proporção de todas as plantas existentes nessas regiões.
Mesmo com essa ressalva, os resultados demonstram a dimensão do desafio de conservar a vegetação nativa. No Cerrado, a expansão agropecuária, os incêndios, a fragmentação dos habitats, a exploração irregular e as alterações no uso do solo estão entre as pressões ambientais que merecem acompanhamento.
Como os cientistas determinam o risco de extinção?
As avaliações utilizam critérios reconhecidos internacionalmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Os pesquisadores analisam diferentes fatores, como:
- Tamanho das populações existentes;
- Redução do número de indivíduos;
- Distribuição geográfica;
- Fragmentação dos ambientes naturais;
- Perda de habitat;
- Incêndios florestais;
- Poluição;
- Exploração ilegal;
- Expansão urbana e agropecuária.
A avaliação não depende apenas de encontrar poucos exemplares de uma planta. É necessário analisar o conjunto de informações científicas disponíveis sobre a espécie e suas condições de sobrevivência.
Mais pesquisadores participaram da atualização
O trabalho foi coordenado pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), vinculado ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A atualização contou com a participação de 507 pesquisadores.
O número de espécies avaliadas aumentou de 7.524, em 2022, para 9.420 em 2026, crescimento de aproximadamente 25%. A nova lista possui 521 espécies a mais do que a relação publicada anteriormente. Foram incluídas 595 espécies e retiradas 74.
O ministério esclareceu que o aumento do número de espécies listadas não significa necessariamente que todas tenham sofrido uma piora recente. Parte da diferença está relacionada à ampliação das avaliações científicas e à obtenção de novos dados.
O que muda com a publicação da lista?
A relação oficial não tem apenas função informativa. Ela serve de referência para políticas públicas, criação e gestão de áreas protegidas, licenciamento ambiental e ações destinadas à recuperação de espécies e ambientes naturais.
Também fundamenta medidas de proteção e restrições a determinadas atividades envolvendo espécies ameaçadas, conforme as condições e exceções previstas na legislação.
Um alerta que vai além das plantas
A perda de espécies vegetais pode comprometer o funcionamento dos ecossistemas. As plantas participam da manutenção do solo, da regulação do ciclo da água, do armazenamento de carbono e da alimentação de diferentes animais.
Quando uma espécie desaparece de determinada região, os impactos podem atingir outros organismos que dependem dela para sobreviver. No Cerrado, por exemplo, a conservação da vegetação nativa é fundamental para a manutenção de habitats, nascentes, cursos d’água e da diversidade biológica.
O desafio agora é transformar os dados científicos em medidas concretas de proteção, fiscalização, recuperação ambiental e conscientização da sociedade.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, atualização divulgada em 29 de outubro de 2026. Portaria GM/MMA nº 1.783/2026.

