Alerta mundial: Brasil também enfrenta desafios. Um novo relatório das Nações Unidas voltou a colocar o futuro climático do planeta no centro das discussões internacionais.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), as emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030, na comparação com os níveis de 2025, para que ainda seja possível limitar o aquecimento global e buscar o retorno ao limite de 1,5°C até o fim do século.
O documento apresenta um cenário que exige mudanças significativas na forma como os países produzem energia, utilizam recursos naturais e organizam suas atividades econômicas.
A preocupação é que, sem reduções mais profundas, o planeta poderá enfrentar consequências ainda mais graves relacionadas ao aumento das temperaturas.
O que o relatório da ONU revela?
O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, intitulado O Ponto de Retorno, apresenta metas importantes para a redução dos gases de efeito estufa.
De acordo com o documento, as emissões globais precisariam ser reduzidas:
- 18% até 2030.
- 45% até 2035.
- 69% até 2040.
Os percentuais são calculados em comparação com os níveis de 2025. Para alcançar essas metas, seria necessária uma redução média de aproximadamente 5,7% ao ano entre 2025 e 2035. O que pode acontecer se as emissões continuarem elevadas? O relatório aponta que, se a trajetória atual for mantida, o aquecimento global poderá atingir aproximadamente 2,8°C neste século.
Mesmo com o cumprimento integral dos compromissos climáticos nacionais atualmente considerados e a restauração de biomas capaz de neutralizar emissões até 2050, a projeção ainda chegaria a 2,1°C.
Entre os impactos associados ao aumento da temperatura estão:
- Elevação do nível dos oceanos.
- Intensificação de ondas de calor.
- Maior risco de incêndios florestais.
- Alterações nos regimes de chuva.
- Perda de biodiversidade.
- Degradação de ecossistemas.
- Pressão sobre a produção de alimentos e os recursos hídricos.
O documento também destaca os riscos de danos prolongados a ecossistemas como os recifes de coral e às regiões cobertas por gelo.
Como o Brasil pode ser afetado?
O Brasil possui uma posição estratégica na discussão climática por abrigar biomas importantes, como Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. O desmatamento, as queimadas e as mudanças no uso da terra estão entre os fatores que exigem atenção.
No Centro-Oeste, os efeitos climáticos podem repercutir diretamente sobre a agricultura e a pecuária. Períodos prolongados de estiagem, alterações na distribuição das chuvas e temperaturas elevadas podem aumentar os custos de produção e comprometer o planejamento das atividades rurais.
Cerrado merece atenção especial
Para Goiás e Minas Gerais, a discussão é particularmente importante por causa da presença do Cerrado e da relevância da produção agropecuária. A conservação da vegetação nativa, a proteção de nascentes, o uso racional da água e a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis são medidas que merecem atenção.
A produção de alimentos e a preservação ambiental não precisam ser tratadas como objetivos incompatíveis. O desafio é encontrar modelos produtivos capazes de manter a produtividade sem ampliar a degradação dos recursos naturais.
ONU afirma que ainda existe possibilidade de mudança
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou que ultrapassar temporariamente a meta de 1,5°C não significa abandonar os esforços para limitar o aquecimento. A avaliação é que ainda existe possibilidade de reduzir a intensidade e a duração desse excesso de temperatura e buscar uma recuperação ao longo do século.
O relatório reforça a necessidade de acelerar as políticas climáticas e ampliar os investimentos em fontes de energia de baixa emissão. O que pode ser feito?
Entre as medidas consideradas importantes estão:
- Ampliação das fontes renováveis de energia.
- Redução do desmatamento.
- Recuperação de áreas degradadas.
- Melhoria da eficiência energética.
- Investimento em transporte menos poluente.
- Agricultura de baixo carbono.
- Proteção de nascentes e recursos hídricos.
O alerta da ONU mostra que as decisões tomadas nesta década terão influência direta sobre as condições ambientais das próximas gerações.
Fontes: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Agência Brasil, publicação de 2 de novembro de 2026.

