Novos dados mostram o cenário atual. O mercado de trabalho brasileiro tem passado por transformações profundas desde o surgimento da crise sanitária em 2020. Embora a modalidade remota tenha perdido espaço em relação ao seu auge, o percentual de pessoas que exercem funções do próprio lar continua acima dos patamares registrados antes de 2020.
A evolução do trabalho remoto no país
Informações divulgadas pelo IBGE mostram que, em 2022, o índice de profissionais atuando de casa era de 8,4%. Já em 2025, esse número sofreu uma retração para 7,9%. Em contrapartida, a presença em estabelecimentos físicos avançou de 57,9% para 60,2% no mesmo intervalo.
Historicamente, a transição nos modelos laborais começou bem antes da emergência sanitária. Em 2012, apenas 3,6% dos brasileiros operavam no domicílio, subindo para 5,8% em 2019. O avanço tecnológico, a expansão do setor de serviços e a proliferação de plataformas digitais impulsionaram essa descentralização gradativa.
Como funciona a classificação oficial
De acordo com William Araujo Kratochwill, pesquisador do IBGE, a metodologia da pesquisa leva em conta o local principal onde o profissional executa suas tarefas. Isso significa que esquemas híbridos, onde o empregado passa boa parte da semana na residência, acabam contabilizados em uma única categoria predominante.
Essa dinâmica ajuda a esclarecer por que a modalidade residencial se mantém resiliente. A região Sudeste lidera esse índice, alcançando 8,2%, impulsionada principalmente pela concentração de corporações compatíveis com o formato em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
“São Paulo e Rio de Janeiro têm muitas empresas em que o trabalho remoto pode ter uma influência importante devido ao volume de trabalhadores”, afirmou o pesquisador.
O retorno aos escritórios e os motivos corporativos
A retomada da rotina presencial acompanha tendências apontadas por diversos estudos do setor. Levantamentos indicam que companhias de diferentes segmentos vêm exigindo a presença física dos colaboradores para estimular a colaboração e fortalecer a cultura interna.
Gestores consultados em pesquisas apontam fatores determinantes para essa exigência:
- Fortalecimento da cultura organizacional
- Melhora na comunicação e colaboração entre equipes
- Maior integração e supervisão
- Aumento da produtividade
Impactos no dia a dia e no mercado imobiliário
A exigência da presença física trouxe de volta discussões sobre o tempo de deslocamento. Especialistas apontam a existência de um “custo silencioso” associado ao transporte, que consome recursos financeiros e reduz o tempo livre dos trabalhadores.
Além disso, o movimento impactou diretamente o setor imobiliário. Enquanto capitais registraram volumes expressivos de transações em 2025, cidades do interior que haviam atraído novos moradores durante o boom do trabalho remoto começaram a notar uma desaceleração.
Para o vice-presidente do CNB/SP, Andrey Guimarães Duarte, o momento atual revela uma nova configuração urbana e econômica no país.
“Se fosse simplesmente uma volta ao padrão pré-pandemia, esperaríamos que a capital recuperasse o que perdeu e os destinos do home office retornassem aos níveis anteriores. Não foi exatamente isso que aconteceu”, afirmou.

