Mais de quatro meses após uma colisão fatal no Tocantins, os familiares de Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, de 22 anos, enfrentam a angústia da espera burocrática para sepultar a jovem por completo. Ela teve o pé amputado durante a colisão na rodovia e o membro foi localizado dias depois, mas a família relata não ter sido notificada sobre a conclusão dos exames de identificação genética no Instituto Médico Legal (IML).
Demora na notificação e revolta da família
Questionada recentemente sobre o caso, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) declarou que a perícia comprovou a identidade dos restos mortais. Segundo a nota oficial emitida pelo órgão, “O documento foi finalizado no dia 16 de setembro de 2026”. Apesar da conclusão do laudo, a entidade não esclareceu se houve autorização e liberação para o sepultamento.
Para os parentes da estudante, a ausência de uma comunicação formal intensifica a dor do luto. A mãe da jovem, Maria Aparecida, desabafou sobre o tratamento recebido:
“Eles não nos avisaram, e o pé onde está? Não ouve ligação, não ouve mensagens. Nada. E deixei claro no IML que quando fosse confirmado eu queria enterrar junto ao corpo da minha filha. É um pouco caso com a gente”, disse Maria Aparecida.
Diante da incerteza anterior sobre o andamento pericial, ela já havia criticado a demora e a falta de atualizações:
“Ainda não tivemos nenhuma informação, é uma falta de respeito. Infelizmente ainda não sabemos se o membro pertencia à Jhenyfer”, contou a mãe, complementando adiante: “Isso é muito ruim porque queremos enterrar o pé da nossa filha. […] Além de não ter a confirmação sobre, não sabemos sobre o andamento do inquérito e fica como se uma vida não valesse nada”.
Dinâmica do acidente e investigação policial
O episódio aconteceu no dia 17 de maio deste ano, no km 3 da rodovia BR-010, em Palmas. A vítima trafegava em uma motocicleta com o marido quando foi atingida por um automóvel. Socorrida com vida, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu horas depois no Hospital Geral de Palmas (HGP). Quatro dias após a batida, no dia 21 de maio, uma moradora que corria nas margens da pista encontrou o membro amputado a alguns quilômetros do local do impacto.
O condutor do carro foi identificado como o policial militar Nerivaldo Mendes, de 39 anos. Após as apurações, o militar foi formalmente indiciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A defesa de Mendes informou que suas manifestações serão feitas exclusivamente nos autos do processo judicial.
De acordo com informações fornecidas pela Polícia Militar do Tocantins, o agente envolvido no acidente estava em seu período de folga e utilizava um veículo particular no instante da colisão. O órgão militar também pontuou que o condutor permaneceu na rodovia para prestar socorro e apresentou resultado negativo no teste de bafômetro.
Planos interrompidos e memória de Jhenyfer
No momento da tragédia, o casal viajava em direção ao município de Aparecida do Rio Negro com o objetivo de visitar parentes. Jhenyfer dividia a rotina entre o emprego de vendedora em uma loja de departamentos e a faculdade de Nutrição, carreira na qual desejava se graduar para melhorar a condição de vida da família.
Amigos e familiares recordam a jovem com carinho, destacando sua postura carinhosa e animada. A mãe relembrou a dedicação da filha aos estudos e aos seus planos futuros:
“Minha filha era meiga, amava os irmãos. Ela falava que iria terminar a faculdade para ajudar a família. Jhenyfer estava no melhor momento da vida dela. Estava alegre, sorridente, cheia de vida”, diz a mãe.
O cunhado, Sandro Lima, também ressaltou as lembranças positivas deixadas pela jovem: “Era uma menina alegre. Estava sempre sorrindo”.

