As apreensões em torno dos riscos que a inteligência artificial pode representar para a humanidade exigem atenção rigorosa e não podem ser descartadas como boatos infundados. A declaração foi feita pelo papa Leão XIV durante uma conversa com jornalistas a bordo da aeronave que o trazia de volta a Roma, após cumprir uma agenda oficial de quatro dias em território francês.
O primeiro pontífice norte-americano da história tem utilizado seus discursos recentes para enfatizar a urgência de cautela no desenvolvimento tecnológico. Ao longo de seus 16 meses à frente da Igreja Católica, ele tem demonstrado ceticismo em relação a discursos de líderes da indústria que defendem a ausência de freios ou intervenções estatais no setor.
Posicionamento contraposto a autoridades
A manifestação do líder religioso surge após declarações públicas de figuras de destaque na política internacional. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como um exagero sem fundamento as discussões sobre ameaças existenciais associadas à tecnologia durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.
No entanto, o papa destacou que diversas mentes científicas e especialistas renomados compartilham do receio de que a tecnologia avance de maneira descontrolada, a ponto de comprometer o futuro da civilização.
Críticas ao setor de tecnologia
Durante o trajeto de retorno, Leão mencionou notícias recentes sobre iniciativas de fabricantes de microprocessadores para implementar travas de segurança em sistemas avançados. Contudo, o pontífice pontuou contradições nas declarações de executivos da área, que frequentemente alternam entre promessas de controle e a defesa da autorregulamentação.
Para o chefe da Igreja Católica, a sociedade global precisa intensificar o debate e a cooperação científica para estabelecer diretrizes claras de controle. O papa concluiu reforçando que a inércia diante dos avanços tecnológicos não é uma opção viável para a preservação humana.

