Uberlândia ultrapassa 12 mil hidrômetros inteligentes e aposta em tecnologia para detectar vazamentos

Equipamentos instalados em 145 condomínios enviam dados de consumo à distância; Dmae também prevê ampliar o monitoramento de grandes consumidores até o fim de 2026

UBERLÂNDIA (MG) — A tecnologia está ganhando espaço na gestão do abastecimento de água em Uberlândia. O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) ultrapassou a marca de 12 mil hidrômetros inteligentes instalados em 145 condomínios, ampliando a utilização de sistemas de medição remota para acompanhar o consumo e identificar alterações que podem indicar desperdício.

Os números foram divulgados pela autarquia em 29 de julho de 2026. Na ocasião, o órgão também informou que outras 1.277 unidades estavam em fase de implantação e anunciou planos de ampliar a telemetria para grandes consumidores, incluindo indústrias, instituições públicas e estabelecimentos comerciais.

A iniciativa faz parte de uma estratégia de modernização do sistema de medição e monitoramento da água. O objetivo é utilizar informações transmitidas automaticamente para melhorar o acompanhamento do consumo, identificar possíveis irregularidades e apoiar a gestão dos recursos hídricos.

Como funcionam os hidrômetros inteligentes?

Os equipamentos utilizam sensores e dispositivos de comunicação para transmitir informações de consumo a um sistema de monitoramento, sem depender exclusivamente da leitura presencial.

A tecnologia está associada à chamada Internet das Coisas, conhecida pela sigla IoT. Nesse modelo, dispositivos físicos enviam dados a sistemas digitais, permitindo o acompanhamento remoto de determinadas operações.

No abastecimento de água, o monitoramento pode ajudar a identificar alterações no padrão de consumo de um imóvel ou condomínio.

Um fluxo contínuo ou uma mudança significativa em relação ao histórico, por exemplo, pode levantar suspeitas de vazamento, falha em equipamentos ou outra ocorrência que precise ser investigada.

A identificação de uma alteração, contudo, não comprova automaticamente a existência de vazamento. É necessário avaliar os dados e, quando necessário, realizar uma verificação técnica no local.

Mais de 12 mil equipamentos em 145 condomínios

Segundo o Dmae, a marca de mais de 12 mil hidrômetros inteligentes instalados em 145 condomínios foi alcançada em julho deste ano.

O órgão informou ainda que outras 1.277 unidades estavam em fase de implantação naquele momento, o que poderia ampliar a cobertura do monitoramento.

A autarquia também anunciou a intenção de expandir o acompanhamento por telemetria de grandes consumidores: a meta divulgada era passar de aproximadamente 140 imóveis monitorados para 5 mil localidades até o final de 2026.

A ampliação planejada contempla diferentes perfis de usuários, como empresas industriais, órgãos públicos e estabelecimentos comerciais.

É importante diferenciar os resultados já divulgados das metas futuras. Os números referentes à expansão até o fim do ano precisam ser atualizados com a autarquia para confirmar quantos imóveis foram efetivamente incorporados ao sistema.

Tecnologia pode ajudar a identificar desperdícios

Uma das principais vantagens da medição remota é permitir o acompanhamento mais frequente do consumo.

Em sistemas convencionais, determinadas alterações podem ser percebidas somente quando ocorre uma nova leitura ou quando o consumidor identifica uma conta muito acima do esperado.

Com a transmissão automática de dados, torna-se possível observar mudanças no padrão de utilização e encaminhar situações suspeitas para verificação.

Em condomínios, essa capacidade pode auxiliar síndicos e responsáveis pela manutenção a investigar perdas internas. Em grandes consumidores, o monitoramento também pode ajudar na gestão do uso da água e na identificação de comportamentos fora do padrão.

Os resultados, entretanto, dependem da qualidade dos dados, da capacidade de interpretar os alertas e da rapidez com que as medidas corretivas são adotadas.

O equipamento não substitui a manutenção da rede hidráulica nem elimina a necessidade de inspeções técnicas.

Instalação e responsabilidades: quem paga?

De acordo com as informações divulgadas pelo Dmae, os hidrômetros com medição remota de diâmetro superior a 1,5 polegada são instalados pelo proprietário do imóvel.

Já a substituição corretiva ou preditiva dos equipamentos sob responsabilidade da autarquia é realizada pelo Dmae sem custo ao contribuinte, conforme as condições informadas pelo órgão.

Como as obrigações podem variar de acordo com o tipo de medidor, o imóvel e a instalação, os usuários devem confirmar diretamente com o departamento quais regras se aplicam ao seu caso.

A existência de um hidrômetro inteligente também não significa, por si só, que o consumidor pagará menos pela água. A cobrança continua condicionada ao consumo registrado e às tarifas aplicáveis.

Como a medição remota pode contribuir para a segurança hídrica?

A água tratada exige uma estrutura complexa de captação, tratamento, distribuição e manutenção. Perdas ao longo do sistema representam desperdício de um recurso que demanda investimentos para chegar às residências e empresas.

O monitoramento digital pode oferecer informações adicionais para identificar alterações e apoiar decisões operacionais.

Para que isso se traduza em ganhos concretos, entretanto, é necessário avaliar indicadores como o volume de perdas evitadas, o tempo entre a identificação de uma anomalia e sua correção, a precisão das medições e os custos de implantação e manutenção dos equipamentos.

A divulgação desses resultados permitiria à população compreender melhor os benefícios efetivos do investimento em tecnologia.

O que muda para o consumidor?

Para moradores de condomínios atendidos pelo sistema, o monitoramento pode facilitar a identificação de consumo atípico e contribuir para a investigação de possíveis vazamentos.

Em grandes imóveis comerciais e industriais, a ferramenta também pode ajudar a acompanhar o uso da água e organizar medidas de economia.

O benefício mais direto, porém, é ampliar a capacidade de monitoramento. A redução da conta depende de mudanças reais no consumo, da identificação de perdas e das medidas adotadas pelos responsáveis.

Próximo passo é acompanhar os resultados

O avanço dos hidrômetros inteligentes demonstra como recursos digitais podem ser utilizados na gestão de serviços públicos. Ao ampliar o acesso a informações sobre o consumo, a telemetria oferece novas possibilidades para o controle operacional e a identificação de problemas.

O próximo desafio é demonstrar, com números atualizados, o impacto dessa tecnologia sobre as perdas de água, a eficiência do abastecimento e os custos de operação.

O que já foi informado: mais de 12 mil hidrômetros inteligentes instalados em 145 condomínios até julho de 2026, além de 1.277 unidades em implantação.

O que precisa ser atualizado: o número atual de equipamentos instalados, o avanço da meta de monitoramento de 5 mil grandes consumidores e os resultados efetivamente obtidos na redução de perdas.

Fonte principal: Departamento Municipal de Água e Esgoto de Uberlândia, informações divulgadas em 29 de julho de 2026.

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