Cidade acumulou 2.856 postos de trabalho com carteira assinada nos oito primeiros meses de 2026; serviços lideraram as contratações e salário médio de admissão chegou a R$ 2.346
UBERLÂNDIA (MG) — O mercado de trabalho formal de Uberlândia apresentou resultado positivo em agosto, com a criação líquida de 900 empregos com carteira assinada. O saldo foi resultado de 12.040 admissões e 11.140 desligamentos, segundo levantamento do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU).
Com o desempenho de agosto, o município chegou a 2.856 postos líquidos de trabalho formal criados entre janeiro e agosto de 2026. Os números indicam que, apesar das oscilações mensais, Uberlândia manteve saldo acumulado positivo no período.
O resultado também evidencia diferenças entre os setores econômicos e os perfis dos trabalhadores que conseguiram ingressar no mercado de trabalho.
Serviços concentram a maior parte das novas vagas
O setor de serviços liderou a geração de empregos em agosto, com saldo positivo de 638 postos. Isso significa que a atividade respondeu por aproximadamente 71% do resultado líquido do município naquele mês.
A agropecuária acrescentou 212 vagas, enquanto a construção civil registrou saldo positivo de 58 empregos.
O comércio apresentou resultado praticamente estável, com três postos líquidos a mais. A indústria, por sua vez, encerrou o mês com saldo negativo de 11 vínculos.
A distribuição mostra que o crescimento do emprego não ocorreu de maneira uniforme. A expansão dos serviços teve peso decisivo para que a cidade fechasse agosto com saldo positivo.
Construção lidera o acumulado do ano
Quando a análise considera os oito primeiros meses de 2026, o cenário muda.
A construção civil acumulou saldo positivo de 1.228 empregos, seguida pelo setor de serviços, com 1.155 postos. A indústria também apresentou resultado acumulado positivo, com 802 vagas.
O comércio, entretanto, registrou redução líquida de 561 empregos no período.
A diferença entre os números mensais e os acumulados é importante. Um setor pode apresentar saldo positivo em agosto e ainda ter dificuldades no balanço anual, assim como pode registrar perdas em um único mês e permanecer positivo no acumulado.
Jovens responderam por cerca de 82% do saldo
Um dos dados que mais chamam a atenção no boletim do Cepes/UFU é a participação dos trabalhadores mais jovens.
As pessoas com até 29 anos responderam por 736 dos 900 postos líquidos criados em agosto, aproximadamente 82% do saldo total.
O indicador mostra que os grupos etários mais jovens tiveram participação expressiva no resultado mensal. Não significa, porém, que 82% de todos os contratados sejam jovens: o dado se refere ao saldo líquido de empregos por faixa etária, após o desconto dos desligamentos.
As mulheres também registraram saldo positivo, com 499 empregos líquidos, enquanto os homens responderam por 401 postos.
Esses números ajudam a compreender a composição das novas vagas, mas não substituem indicadores de desemprego, informalidade, rotatividade e qualidade das ocupações.
Salário médio de admissão chega a R$ 2.346
O salário médio real de admissão em Uberlândia atingiu R$ 2.346 em agosto, com crescimento de 1,92% em comparação com julho.
Entre os setores analisados, a agropecuária apresentou a maior remuneração média de admissão, de R$ 2.746. Na sequência apareceram serviços, com R$ 2.466; indústria, com R$ 2.336; e construção, com R$ 2.300.
O comércio registrou a menor média entre esses setores, de R$ 2.073.
É importante lembrar que os valores são médias estatísticas, e não salários garantidos em todas as vagas. A remuneração efetiva varia conforme a função, a experiência exigida, a escolaridade, a jornada e as condições oferecidas pelo empregador.
O boletim também identificou diferenças salariais associadas à escolaridade e ao gênero, inclusive entre trabalhadores com ensino superior e pós-graduação. O dado reforça a importância de avaliar não apenas a quantidade de empregos, mas também a remuneração e as condições de acesso às oportunidades.
Onde procurar emprego em Uberlândia?
Quem está em busca de uma vaga pode consultar os serviços municipais de intermediação de mão de obra, incluindo o Sine, além dos canais de recrutamento das próprias empresas.
A Prefeitura também divulga cursos profissionalizantes e ações de qualificação por meio dos Centros Profissionalizantes e de iniciativas de atendimento itinerante.
Como as vagas mudam diariamente, os interessados devem verificar os canais oficiais antes de se deslocar, confirmar os requisitos exigidos e preparar currículo e documentos pessoais.
O que os números dizem sobre a economia local?
A criação de 900 empregos formais em agosto é um sinal positivo para o mercado de trabalho de Uberlândia. O destaque dos serviços e a participação dos jovens ajudam a explicar o resultado, enquanto o desempenho acumulado da construção mostra que diferentes setores contribuem para a geração de oportunidades em momentos distintos.
Ainda assim, o saldo mensal não permite concluir sozinho que houve melhora generalizada das condições de vida dos trabalhadores.
Para avaliar a qualidade dessa expansão, também é necessário acompanhar os salários, a estabilidade das ocupações, a informalidade e as diferenças de oportunidades entre os grupos profissionais.
O boletim do Cepes/UFU oferece uma base para esse acompanhamento ao reunir dados mensais do Novo Caged e permitir comparações entre setores e perfis de trabalhadores.
Fonte principal: Cepes/Instituto de Economia e Relações Internacionais da UFU, Boletim Mensal do Emprego de Uberlândia referente a agosto de 2026.

