O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta terça-feira (20) que as relações diplomáticas e estratégicas entre Teerã e Moscou alcançaram um patamar inédito de proximidade. O pronunciamento ocorreu logo após uma reunião com o chanceler russo, Sergei Lavrov, na qual ambos trataram do fortalecimento das parcerias bilaterais e do avanço das tratativas envolvendo energia atômica.
Parceria estratégica e projetos nucleares
Por meio de publicação na rede social X, o chanceler iraniano enfatizou o nível atual de entendimento entre as duas nações e a amplitude dos assuntos colocados na mesa de negociações durante o encontro oficial.
“Nunca em nossa história, Irã e Rússia fizeram trabalhos tão próximos como agora. Abordamos tudo, da Europa até à Ásia Ocidental, incluindo Líbano, Palestina, Ucrânia e Iêmen. Também nos concentramos na ampliação da cooperação económica e nuclear”, escreveu Araghchi.
O alinhamento entre as duas potências tem se consolidado formalmente desde o tratado firmado em janeiro de 2025, focado em “cooperação nas áreas de energia, meio ambiente e questões de defesa e segurança”. Além dos acordos vigentes, a mídia estatal já havia apontado tratativas para que os russos construam novos reatores em usinas nucleares iranianas, enquanto apurações recentes indicaram cooperação em tecnologia militar de ponta, incluindo mísseis hipersônicos e sistemas para drones.
Tentativas de mediação diplomática
Antes de desembarcar em solo iraniano, Sergei Lavrov pontuou em Moscou que a missão tinha a finalidade de “impedir o retorno de uma guerra de grande magnitude”, em resposta ao aumento das tensões diplomáticas e militares que envolvem o Oriente Médio e os Estados Unidos.
O presidente russo, Vladimir Putin, também já havia sinalizado disposição direta para atuar como facilitador em diálogos ao conversar recentemente com o mandatário iraniano, Masoud Pezeshkian.
Cenário de tensão com Washington
O encontro em Teerã se desenvolve sob o pano de fundo de uma pausa tática nas ações bélicas promovidas por Washington. O governo norte-americano optou por paralisar ofensivas diretas contra posições iranianas até o desfecho das eleições de meio de mandato, as midterms, agendadas para 3 de novembro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a postura provisória, embora tenha ressaltado a continuidade do cerco econômico:
“Quero deixar claro para todos que, embora o Irã esteja em péssimas condições, tanto econômica quanto militarmente, e embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, (…) não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas nos Estados Unidos”.
Mesmo com a trégua temporária em bombardeios e a menção a conversas em andamento, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções recentes contra indivíduos, entidades e navios ligados a Teerã, evidenciando que ainda não existe um cessar-fogo formalizado entre as partes.

