Segundo comunicado divulgado pelo órgão ambiental em 27 de outubro de 2026, a carga foi apreendida pela Receita Federal no Porto de Itapoá, no litoral de Santa Catarina. De acordo com o Ibama, as barbatanas estavam armazenadas em sacos identificados como se contivessem sardinhas-lage, o que levantou suspeitas de fraude para escapar da fiscalização.
O órgão informou que parte do material era proveniente de uma espécie ameaçada de extinção. A investigação também apontou que a carga teria como destino a Malásia, onde o produto seria destinado ao consumo humano.
Quais espécies foram identificadas?
Segundo o Ibama, a maior parte das barbatanas identificadas pertencia ao tubarão-azul (Prionace glauca). Uma parcela menor era de tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus), espécie que consta na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção. A identificação das espécies é importante porque as regras aplicáveis ao comércio e à conservação podem variar conforme a classificação ambiental e as normas nacionais e internacionais.
O órgão ambiental estimou que a obtenção de toda a carga poderia estar associada ao abate de aproximadamente 5.700 tubarões. Essa estimativa foi apresentada pelo Ibama e não deve ser confundida com uma contagem individual de animais encontrados na apreensão.
Por que as barbatanas são comercializadas?
As barbatanas de tubarão têm mercado internacional, especialmente em países asiáticos, onde são utilizadas em preparações culinárias tradicionais. O valor comercial do produto pode criar incentivos econômicos para a captura de tubarões e para tentativas de contornar restrições ambientais.
No caso divulgado pelo Ibama, o órgão informou que o quilo da iguaria pode alcançar US$ 3 mil em determinados mercados asiáticos. Esse valor se refere à informação divulgada pelo instituto e não representa necessariamente o preço de toda a carga apreendida.
A existência de um mercado de alto valor, por si só, não determina a ilegalidade de um produto. A legalidade depende da origem, da documentação, das espécies envolvidas e do cumprimento das regras aplicáveis.
Por que os tubarões são importantes para o meio ambiente?
Os tubarões desempenham funções importantes nos ecossistemas marinhos. Dependendo da espécie, podem influenciar as relações entre predadores e presas e contribuir para o equilíbrio das comunidades oceânicas.
A retirada excessiva de indivíduos pode alterar essas relações ecológicas. Os efeitos variam conforme a espécie, a região, a intensidade da captura e a capacidade de recuperação das populações.
A conservação também enfrenta desafios relacionados ao ciclo de vida de diversas espécies. Algumas apresentam crescimento relativamente lento e demoram a atingir a maturidade reprodutiva, o que pode dificultar a recuperação quando as populações sofrem pressão intensa de pesca.
Por esse motivo, a avaliação ambiental exige dados científicos sobre abundância, distribuição, reprodução e mortalidade.
Como funciona a fiscalização ambiental?
A fiscalização do comércio internacional de animais e produtos de origem animal pode envolver diferentes órgãos públicos. A Receita Federal atua no controle aduaneiro, enquanto o Ibama tem atribuições relacionadas à fiscalização ambiental e ao cumprimento das normas aplicáveis à fauna e à flora.
A identificação de mercadorias, a análise da documentação e a verificação das espécies podem ajudar a detectar irregularidades. No caso divulgado em outubro, a suspeita de identificação fraudulenta da carga foi um dos elementos destacados pelo Ibama.
Multa não é o mesmo que condenação criminal
A aplicação de uma multa administrativa representa uma medida no âmbito da fiscalização ambiental. Ela não equivale, por si só, a uma condenação criminal definitiva. A empresa autuada pode ter direitos de defesa e apresentar recursos conforme as regras aplicáveis ao processo administrativo.
Eventuais responsabilidades criminais dependem da apuração pelas autoridades competentes e dos procedimentos legais correspondentes.
Para acompanhar o caso, é necessário verificar o andamento do processo administrativo, a situação da mercadoria apreendida e a existência de outras medidas adotadas pelas autoridades.
O Brasil já registrou outra apreensão de grande porte
O Ibama também relembrou uma apreensão realizada em 2023, quando foram identificadas 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão que teriam como destino mercados asiáticos. Na ocasião, segundo o órgão, mais de 40 pessoas ligadas ao caso foram autuadas. A investigação estimou que a carga poderia estar associada ao abate de aproximadamente 10 mil tubarões.
A comparação mostra a dimensão do desafio enfrentado pela fiscalização, mas não é suficiente, isoladamente, para demonstrar uma tendência de aumento ou redução do comércio ilegal. Para chegar a essa conclusão, seria necessário analisar uma série histórica de apreensões, fiscalizações, volumes comercializados e resultados das investigações.
O que está em jogo na proteção da fauna marinha?
O caso evidencia a importância da rastreabilidade dos produtos comercializados internacionalmente e da cooperação entre órgãos ambientais e aduaneiros. A fiscalização precisa identificar a origem das mercadorias, verificar se as espécies estão sujeitas a restrições e impedir que documentos fraudulentos sejam utilizados para ocultar irregularidades.
Também é necessário distinguir atividades autorizadas daquelas que violam as normas de proteção ambiental. A apreensão de 17 toneladas de barbatanas de tubarão mostra como o comércio internacional de produtos de origem animal exige fiscalização rigorosa. O acompanhamento do processo será importante para esclarecer as responsabilidades, a origem da carga e as medidas adotadas para proteger as espécies envolvidas.

