Uma movimentação financeira suspeita retirou aproximadamente R$ 800 mil das contas da Prefeitura de Comendador Gomes, no Triângulo Mineiro. O dinheiro, destinado a investimentos na área da Educação, foi transferido sem autorização da administração municipal e acabou sendo recuperado após a identificação das operações.
Apesar da devolução integral dos recursos, o episódio passou a ser investigado pela Polícia Civil, que trabalha com a hipótese de atuação de criminosos especializados em fraudes cibernéticas.
As movimentações foram identificadas na sexta-feira (30 de outubro). Segundo informações divulgadas pela administração municipal, o Banco do Brasil detectou as transações suspeitas e comunicou a tesouraria da prefeitura.
Foram realizadas três transferências bancárias por meio de TED, direcionadas a duas contas diferentes.
Dinheiro seria utilizado em obras e transporte escolar
Um dos aspectos mais preocupantes do caso é a destinação dos recursos movimentados.
Segundo o prefeito Reginaldo Silva, o dinheiro estava reservado para investimentos na Educação municipal.
Parte da quantia seria utilizada na construção de uma quadra em uma escola. Outra parcela estava prevista para a aquisição de um ônibus destinado ao transporte escolar. O restante seria aplicado em outros investimentos da área.
A retirada temporária dos recursos poderia comprometer o planejamento financeiro do município, especialmente se o dinheiro não tivesse sido recuperado.
Banco conseguiu recuperar todo o valor
Depois de identificar as operações, a prefeitura adotou providências para bloquear as contas e comunicou as autoridades.
A Polícia Militar, a Polícia Civil e o Ministério Público foram informados sobre o ocorrido.
O valor integral foi recuperado e devolvido às contas municipais. A confirmação do estorno chegou à administração na terça-feira (3 de novembro).
A recuperação do dinheiro, entretanto, não encerra a investigação.
Computadores da prefeitura passaram por análise
De acordo com o prefeito, a administração solicitou uma perícia nos computadores utilizados pelos setores municipais.
Os investigadores analisaram os equipamentos e, segundo o relato do chefe do Executivo, não identificaram comandos responsáveis pelas transferências partindo das máquinas da prefeitura.
O município também solicitou ao Banco do Brasil um laudo técnico para ajudar a esclarecer como as operações foram autorizadas.
A Polícia Civil de Frutal, responsável pela investigação, trabalha com a suspeita de atuação de uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos.
Caso levanta alerta sobre segurança digital nos municípios
O episódio evidencia os riscos enfrentados por administrações públicas diante do avanço das fraudes financeiras digitais.
Transferências bancárias não autorizadas podem ocorrer por diferentes mecanismos, incluindo comprometimento de credenciais, engenharia social, acesso indevido a sistemas ou exploração de vulnerabilidades em processos de autorização.
Entretanto, nenhuma dessas possibilidades deve ser considerada causa confirmada neste caso enquanto a investigação não apresentar uma conclusão.
Com orçamento aprovado de R$ 46,8 milhões para 2026, Comendador Gomes é um município de pequeno porte, com aproximadamente 2,8 mil habitantes.
A apuração deverá esclarecer como os criminosos conseguiram movimentar os recursos, quem recebeu as transferências e se houve participação de outras pessoas ou empresas.
Por enquanto, a prefeitura conseguiu recuperar o dinheiro, mas a investigação continua para identificar os responsáveis.

