Escolas também pararam, e hospitais cancelaram cirurgias.
A segunda greve geral em seis meses em Portugal interrompeu serviços no país nesta quarta-feira (3), parando trens, cancelando centenas de voos e fechando escolas, enquanto os sindicatos protestam contra os planos de reforma trabalhista do governo.

O governo minoritário de centro-direita provavelmente aprovará um projeto de lei com o apoio do partido de extrema-direita Chega, que propõe mudanças em mais de 100 artigos do Código Trabalhista.
O objetivo é aumentar a produtividade e estimular o crescimento, após o fracasso das negociações com os sindicatos.
Tiago Oliveira, presidente da maior central sindical de Portugal, a CGTP, que convocou a greve geral, disse à Reuters que a reforma alteraria as condições dos trabalhadores ao consolidar o emprego precário, desregulamentar as horas de trabalho, facilitar as demissões em massa e restringir os direitos de greve e as proteções aos pais.
A reforma deixaria os jovens trabalhadores “presos a contratos precários para o resto da vida”, forçando-os a trabalhar 50 horas por semana sem remuneração extra, em vez das atuais 40 horas padrão.
Ao mesmo tempo, facilitaria a demissão e a substituição por mão de obra terceirizada mais barata, disse Rodrigo Azevedo, 30 anos, funcionário de um banco.
“O pacote trabalhista é uma grande ameaça não apenas para o futuro dos jovens trabalhadores, mas para o nosso presente”, acrescentou.
Impactos da greve
A CP, empresa ferroviária estatal, suspendeu os trens de longa distância e a maioria dos trens regionais, enquanto o metrô de Lisboa fechou.
As escolas fecharam em todo o país devido à falta de pessoal, e os hospitais adiaram a maioria das cirurgias e consultas após uma greve de enfermeiros.
A TAP, companhia aérea de bandeira de Portugal, disse que operaria apenas 79 de seus mais de 300 voos diários habituais nesta quarta-feira, enquanto a Iberia esperava reduções entre 50% e 75%.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, disse que a participação dos trabalhadores do setor privado foi marginal. Os trabalhadores privados, que superam os funcionários do setor público em cerca de cinco para um, são o principal alvo da reforma.
“A esmagadora maioria dos trabalhadores está trabalhando, e a economia não parou”, disse ela aos repórteres.
A reforma prevê facilitar as demissões em massa por justa causa, permitir que as empresas neguem a reintegração dos trabalhadores em casos de demissão ilegal, desde que paguem uma indenização, e suspender os limites da terceirização.
Uma greve anterior em dezembro foi a primeira paralisação geral desde os protestos contra a austeridade, em 2013.

