Medicamento experimental desperta interesse nas redes sociais, mas especialistas alertam para riscos da compra irregular e do uso sem acompanhamento médico.
A busca por medicamentos para emagrecimento ganhou um novo capítulo com a crescente procura pela retatrutida, uma substância ainda em fase de estudos clínicos e que não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil. Apesar disso, o produto já é oferecido de forma clandestina em redes sociais, sites e aplicativos de mensagens.
Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, a retatrutida é considerada uma das apostas mais promissoras no tratamento da obesidade. Em estudos clínicos, participantes chegaram a perder, em média, até 24% do peso corporal após cerca de um ano de tratamento, resultado que chamou a atenção da comunidade médica e do público interessado em terapias para perda de peso.
No entanto, por ainda estar em fase de pesquisa, a substância não pode ser comercializada legalmente no país. Mesmo assim, anúncios prometendo “emagrecimento rápido” têm se multiplicado na internet, muitas vezes sem qualquer garantia sobre a origem, a composição ou as condições de armazenamento do produto.
Venda irregular preocupa especialistas
Médicos e autoridades sanitárias alertam que a compra de medicamentos experimentais no mercado clandestino representa sérios riscos à saúde. Além da possibilidade de falsificação, os produtos podem conter concentrações inadequadas da substância, contaminantes ou até mesmo ingredientes diferentes dos anunciados.
Outro ponto de preocupação é o uso sem acompanhamento médico. Como qualquer medicamento de ação hormonal, a retatrutida pode causar efeitos adversos, como náuseas, vômitos, diarreia e alterações gastrointestinais, além de exigir avaliação clínica para identificar contraindicações.
Anvisa reforça alerta
A Anvisa orienta que medicamentos sem registro não devem ser adquiridos ou utilizados fora de protocolos de pesquisa autorizados. A agência destaca que o processo de aprovação existe justamente para garantir que os benefícios superem os riscos e que a eficácia e a segurança do produto tenham sido comprovadas.
Cresce a busca por novas terapias
O interesse pela retatrutida acompanha o sucesso de outros medicamentos voltados ao tratamento da obesidade, como a semaglutida e a tirzepatida. Especialistas, entretanto, ressaltam que, embora os resultados preliminares sejam considerados promissores, a substância ainda precisa concluir todas as etapas de avaliação regulatória antes de chegar ao mercado.
Enquanto isso, profissionais de saúde reforçam que o tratamento da obesidade deve ser individualizado, baseado em evidências científicas e sempre conduzido com orientação médica, evitando soluções de origem desconhecida que podem colocar a saúde em risco.

