Greve dos Correios: TST retoma julgamento nesta quinta; veja o que está em jogo e como ficam as entregas

Paralisação nacional começou em 10 de setembro após trabalhadores rejeitarem proposta da estatal; principal impasse envolve plano de saúde. Tribunal também analisa pedido dos Correios para considerar movimento abusivo

A greve dos trabalhadores dos Correios chega a um momento decisivo nesta quinta-feira (24). O Tribunal Superior do Trabalho (TST) retoma, a partir das 15h30, o julgamento do dissídio coletivo que envolve a paralisação nacional iniciada em 10 de setembro.

O julgamento havia começado na segunda-feira (21), mas foi suspenso depois que os Correios apresentaram novos documentos no processo e pediram que a greve fosse considerada abusiva. O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, determinou que as entidades que representam os trabalhadores tivessem prazo para analisar o material e apresentar manifestação.

Com a suspensão, a paralisação continuou. A federação que representa parte dos trabalhadores orientou os sindicatos a manterem o movimento até a retomada do julgamento.

O principal ponto de conflito entre a empresa e os empregados está relacionado ao plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes. Também existem divergências sobre reajuste salarial, benefícios e gratificações.

Enquanto o impasse não é solucionado, os Correios afirmam que mantêm medidas para reduzir os efeitos da paralisação sobre a população e preservar o fluxo de encomendas e correspondências.

Por que os trabalhadores entraram em greve?

A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas pelos trabalhadores em 10 de setembro, depois que as negociações para o novo Acordo Coletivo de Trabalho terminaram sem consenso.

Segundo a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios), a categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa e decidiu iniciar uma greve por tempo indeterminado. A paralisação começou às 22h daquele dia.

O plano de saúde se tornou um dos principais pontos de discordância.

Atualmente, os Correios participam da estrutura de custeio do plano de saúde dos empregados. Os trabalhadores são contrários à proposta de alteração da participação da estatal no benefício e afirmam que a mudança pode aumentar os custos para empregados, aposentados e dependentes.

A categoria também questiona a proposta salarial apresentada durante as negociações.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, os trabalhadores rejeitaram uma oferta inicial de 0,87% de reajuste, considerada insuficiente pela representação sindical diante da inflação acumulada.

O que os trabalhadores reivindicam?

Além da discussão sobre o plano de saúde, os sindicatos apresentam uma série de reivindicações relacionadas ao acordo coletivo.

Entre os pontos citados durante as negociações estão:

  • reajuste salarial compatível com a inflação;
  • ganho real nos salários;
  • manutenção ou recuperação de direitos relacionados ao plano de saúde;
  • retorno do adicional de 70% sobre as férias;
  • retomada do pagamento de 200% pelo trabalho em repousos ou feriados;
  • manutenção de gratificações específicas;
  • preservação de benefícios previstos no acordo coletivo.

Os trabalhadores também contestam propostas relacionadas à retirada ou alteração de determinadas gratificações, entre elas valores destinados a motoristas, quebra de caixa e o chamado vale extra de Natal.

O que dizem os Correios?

A empresa afirma que apresentou uma proposta abrangente durante as negociações.

Segundo os Correios, a proposta contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente e previa, entre outros pontos, reajuste correspondente a 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde.

A estatal também afirma que adotou medidas para diminuir os efeitos da greve.

Entre elas estão o remanejamento de empregados administrativos para atividades operacionais, reforço de equipes, reorganização de veículos e realização de mutirões para tentar manter o fluxo de encomendas.

Os Correios sustentam que a adesão ao movimento é parcial e afirmam que os serviços continuam funcionando.

Entregas estão paradas?

Não existe uma paralisação total de todas as atividades dos Correios.

A empresa afirma que continua prestando os serviços e adotou um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os impactos da greve. Mesmo assim, a paralisação pode provocar atrasos na triagem, transporte e distribuição de objetos em determinadas regiões.

O impacto também pode variar conforme a unidade, o tipo de serviço e a adesão dos trabalhadores.

Por isso, uma encomenda pode continuar sendo movimentada normalmente enquanto outra, dependendo da região e da etapa logística, pode sofrer atraso.

A orientação dos Correios é que os clientes acompanhem o rastreamento pelo site ou aplicativo oficial e aguardem a entrega no endereço informado.

TST determinou manutenção de 80% do efetivo

Antes da retomada do julgamento, o TST determinou que os Correios mantenham 80% do efetivo em atividade em cada unidade durante a greve.

A determinação considera o caráter essencial da atividade postal e também levou em conta o possível impacto da paralisação sobre as eleições de 2026.

A regra abrange unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos ou de suporte considerados indispensáveis para a continuidade da cadeia postal.

A discussão sobre o cumprimento dessa determinação também faz parte do processo analisado pelo tribunal.

Correios querem que greve seja considerada abusiva

Os Correios recorreram ao TST para discutir a legalidade do movimento e pediram que a greve seja considerada abusiva.

A estatal apresentou novos documentos ao processo nos dias 18 e 19 de setembro. O material inclui, segundo informações divulgadas durante o julgamento, relatos e vídeos que os Correios consideram relevantes para sustentar o pedido.

As entidades sindicais, porém, precisaram de tempo para analisar os documentos.

Foi justamente esse o motivo apontado pelo presidente do TST para interromper a sessão de segunda-feira.

Segundo Vieira de Mello Filho, não seria adequado tomar uma decisão com base em documentos que ainda não haviam sido examinados pela parte contrária.

O julgamento foi então remarcado para esta quinta-feira, às 15h30.

O que pode acontecer nesta quinta-feira?

O TST deverá analisar o dissídio coletivo e os pedidos apresentados no processo envolvendo a greve.

Entre os pontos que estão no centro da discussão está o pedido dos Correios para que a paralisação seja considerada abusiva.

O tribunal também deverá analisar as condições para continuidade ou encerramento do movimento e as questões relacionadas ao cumprimento da decisão que determinou a manutenção de 80% do efetivo.

Até a retomada da sessão, não há como afirmar qual será o resultado do julgamento.

A decisão poderá estabelecer os próximos passos para trabalhadores e empresa, inclusive em relação ao retorno às atividades, manutenção da paralisação e cumprimento das condições determinadas pela Justiça do Trabalho.

Por que a greve acontece em um momento delicado para os Correios?

A paralisação ocorre em meio a uma situação financeira difícil para a estatal.

Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo informações divulgadas pela empresa e repercutidas pelo R7. O resultado representou aumento de aproximadamente 30% em relação ao prejuízo de R$ 4,26 bilhões registrado no mesmo período de 2025.

Somente no segundo trimestre de 2026, o prejuízo líquido foi de aproximadamente R$ 2,39 bilhões.

A empresa também trabalha em um plano de reestruturação financeira.

Entre as medidas estão a busca por novos recursos, redução de despesas e mudanças na estrutura operacional.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, os Correios solicitaram garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados. O pedido faz parte das medidas destinadas a enfrentar a crise financeira da empresa.

Empresa já contratou outro empréstimo

O cenário financeiro dos Correios já havia levado a empresa a contratar um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025.

Também existe previsão de recebimento de recursos da União em 2027, dentro do processo de reestruturação.

A situação financeira influencia diretamente as negociações trabalhistas porque a empresa tenta reduzir despesas e reorganizar suas operações ao mesmo tempo em que os funcionários reivindicam manutenção e recuperação de direitos.

É nesse contexto que a discussão sobre o plano de saúde ganhou peso nas negociações.

Plano de saúde é o principal ponto de tensão

O plano de saúde tornou-se o ponto mais sensível da negociação.

A preocupação dos trabalhadores está relacionada à possibilidade de mudança na participação dos Correios no custeio do benefício.

A categoria afirma que uma alteração no modelo pode aumentar os custos para empregados, aposentados e dependentes.

Os Correios, por outro lado, defendem uma solução que seja compatível com a situação financeira da empresa.

O tema já vinha sendo discutido antes da greve e chegou ao Judiciário durante o processo de negociação coletiva.

Consumidores podem ter encomendas atrasadas?

Sim.

Mesmo com a manutenção de parte significativa do efetivo, a greve pode provocar atrasos na entrega de cartas e encomendas, especialmente quando há redução de trabalhadores em determinadas unidades ou aumento do volume acumulado.

O impacto não é necessariamente igual em todo o país.

Uma encomenda pode permanecer em uma unidade de tratamento por mais tempo ou levar mais tempo para ser encaminhada para distribuição.

Os Correios afirmam que estão utilizando equipes remanejadas e operações especiais para reduzir o acúmulo.

A orientação oficial é consultar o rastreamento antes de procurar uma agência ou considerar que uma encomenda foi perdida.

E quem já enviou uma encomenda?

Quem já realizou uma postagem deve continuar acompanhando o objeto pelo sistema de rastreamento.

A existência da greve não significa que todas as encomendas ficarão paradas.

Os Correios afirmam que seguem realizando atividades de atendimento, tratamento, transporte e distribuição, respeitando a determinação judicial de manutenção de 80% do efetivo.

Em caso de atraso, o cliente pode utilizar os canais oficiais da empresa para obter informações sobre o objeto.

Greve ocorre em período eleitoral

Um dos argumentos considerados pelo TST para determinar a manutenção de 80% do efetivo foi o possível impacto da paralisação sobre as eleições de 2026.

A atividade postal é considerada essencial, e o tribunal avaliou que uma paralisação ampla poderia afetar a logística de materiais relacionados ao processo eleitoral.

Por isso, a decisão judicial estabeleceu um percentual mínimo de trabalhadores em atividade em cada unidade abrangida pela determinação.

Greve não tem data definida para terminar

Até a retomada do julgamento, a greve permanece sem uma data previamente estabelecida para terminar.

A paralisação começou em 10 de setembro e foi aprovada por tempo indeterminado.

O futuro do movimento depende do julgamento do TST e das possíveis negociações entre a empresa e os representantes dos trabalhadores.

Enquanto o tribunal não conclui a análise, os trabalhadores seguem mobilizados e os Correios mantêm as medidas de contingência para tentar preservar os serviços.

O que saber sobre a greve dos Correios

Quando começou?
Em 10 de setembro de 2026.

Por que começou?
Após o fracasso das negociações do novo acordo coletivo e a rejeição da proposta apresentada pelos Correios.

Qual é o principal impasse?
O plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.

A greve é nacional?
A paralisação foi aprovada nacionalmente por tempo indeterminado, com adesão que pode variar entre unidades e regiões.

As entregas foram totalmente interrompidas?
Não. Os Correios afirmam que mantêm as operações e adotaram medidas de contingência.

Existe determinação judicial?
Sim. O TST determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade abrangida.

Quando o TST retoma o julgamento?
Nesta quinta-feira (24), às 15h30.

A greve já tem data para acabar?
Até a retomada do julgamento, não havia uma data definida para o encerramento.

O que acontece com encomendas atrasadas?
Os clientes devem acompanhar o rastreamento e utilizar os canais oficiais dos Correios em caso de necessidade.

A sessão desta quinta-feira será acompanhada de perto porque poderá definir os próximos passos da paralisação, enquanto empresa e trabalhadores continuam em lados opostos nas principais questões do acordo coletivo.

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