Ibama aplica R$ 890 mil em multas após identificar milho transgênico em 645 hectares no entorno do Parque das Emas, em Goiás

Fiscalização identificou três áreas de cultivo na zona de amortecimento da unidade de conservação; operação percorreu 38 situações entre os dias 13 e 23 de outubro.

Uma operação de fiscalização ambiental realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), identificou três áreas com cultivo de milho geneticamente modificado na zona de amortecimento do Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás. As irregularidades foram constatadas em áreas que somam 645,43 hectares, e as autuações aplicadas aos responsáveis chegam a aproximadamente R$ 890 mil.

A fiscalização ocorreu entre os dias 13 e 23 de outubro de 2026 e envolveu 38 ações de verificação relacionadas ao cultivo de organismos geneticamente modificados (OGMs) no entorno da unidade de conservação federal.

Segundo o Ibama, os cultivos identificados já haviam sido encerrados quando as equipes realizaram as inspeções. O órgão também esclareceu um detalhe importante: não foi constatado plantio de organismos geneticamente modificados dentro dos limites do Parque Nacional das Emas, onde essa atividade é proibida.

Por que a fiscalização é importante?

A zona de amortecimento é uma área localizada no entorno de uma unidade de conservação, criada para reduzir os impactos de atividades humanas sobre os ecossistemas protegidos.

Embora não tenha necessariamente as mesmas regras aplicadas ao interior do parque, essa região está sujeita a normas específicas, especialmente quando determinadas atividades podem comprometer a biodiversidade e os objetivos de preservação ambiental.

No caso do Parque Nacional das Emas, a fiscalização busca verificar o cumprimento das medidas de biossegurança relacionadas ao cultivo de organismos geneticamente modificados.

O Ibama acompanha esse tipo de atividade na região desde 2008.

O que preocupa os órgãos ambientais?

Entre os riscos apontados pelo Ibama estão a possibilidade de transferência de genes para espécies selvagens, o desenvolvimento de resistência a determinados pesticidas e o surgimento de organismos considerados superpragas.

O instituto também chama atenção para possíveis efeitos sobre espécies que não são o alvo das atividades agrícolas, mas que podem sofrer consequências da alteração dos ambientes naturais.

Outro aspecto envolve a conservação da diversidade genética de espécies vegetais nativas, especialmente aquelas que possuem importância para populações tradicionais e indígenas.

Histórico de fiscalização

A região já foi alvo de uma operação semelhante em 2019. Naquele ano, o Ibama aplicou nove autos de infração, que totalizaram aproximadamente R$ 936 mil.

Na ocasião, foram identificados cultivos de soja transgênica em 542,02 hectares, além da apreensão de 867 mil quilos do produto. Parte da produção foi destinada à Federação Nacional das Associações Pestalozzi.

O histórico demonstra que o controle das atividades agrícolas no entorno do Parque Nacional das Emas é uma questão acompanhada pelos órgãos ambientais há vários anos.

O que ainda precisa ser esclarecido?

A fiscalização de outubro abre espaço para novos questionamentos sobre o cumprimento das regras ambientais na região.

É importante acompanhar a tramitação dos autos de infração, eventuais defesas apresentadas pelos proprietários e as medidas administrativas que poderão ser adotadas.

Também merece atenção a avaliação dos impactos ambientais e a identificação precisa das propriedades envolvidas, respeitando os limites legais de divulgação das informações.

O Parque Nacional das Emas é uma das áreas mais importantes para a conservação do Cerrado brasileiro. A proteção de seu entorno é fundamental para reduzir pressões sobre os ecossistemas e preservar a biodiversidade regional.

Fonte: Ibama e ICMBio. Operação divulgada em 28 de outubro de 2026.

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