O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou uma investigação contra o juiz Bruno Paes Straforini após denúncias relacionadas ao leilão da mansão do ex-jogador Cafu, vendida por metade do valor estimado.
A decisão foi tomada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, que determinou a abertura de reclamação disciplinar diante da “gravidade dos fatos narrados” pela defesa do ex-atleta.
Segundo os advogados de Cafu, o magistrado teria mantido uma “relação imprópria” com o leiloeiro Denys Pyerre de Oliveira, responsável pela venda do imóvel. A mansão foi arrematada em outubro de 2024 por R$ 20 milhões, apesar de ter sido avaliada em R$ 40 milhões.
Na decisão, Mauro Campbell afirmou que documentos apontam a nomeação do mesmo leiloeiro em mais de 50 processos da 1ª Vara Cível de Barueri, o que pode configurar violação à Resolução 236/2016 do CNJ.
O corregedor também destacou que o juiz teria negado pedidos das partes para substituição do leiloeiro sob a justificativa de “confiança pessoal”, além de autorizar comissões consideradas acima dos padrões de mercado.
Outro ponto citado na investigação envolve informações publicadas pela imprensa indicando que o magistrado teria adquirido dois veículos de luxo da marca Volvo pertencentes ao leiloeiro ou a empresas ligadas a ele.
Campbell ainda mencionou relatos de que o juiz teria adotado postura intimidatória contra advogados e jornalistas que divulgaram informações sobre o caso.
Como parte da apuração, o CNJ solicitou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) a relação de processos conduzidos pelo magistrado nos últimos cinco anos envolvendo o leiloeiro Denys Pyerre de Oliveira, além dos valores pagos em comissões. Também foi requisitada a lista de ações em que Bruna Oliveira dos Santos, esposa do leiloeiro, atuou como administradora judicial.
Em meio à repercussão do caso, Bruno Straforini pediu afastamento do processo envolvendo Cafu em fevereiro deste ano. Posteriormente, ele foi transferido da 1ª Vara Cível de Barueri para a 2ª Vara Cível de Osasco.

