O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) divulgou nesta quarta-feira (3) um vídeo nas redes sociais no qual acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de praticar um “golpe de Estado” contra a democracia brasileira. A declaração, feita em tom contundente, reacendeu o debate sobre tensão entre Poderes e dividiu repercussões no meio político.
No vídeo, Gayer critica decisões recentes do STF que envolvem processos relacionados aos atos antidemocráticos investigados desde 2023. Segundo o parlamentar, essas decisões representariam uma extrapolação das atribuições constitucionais da Corte e configurariam, na avaliação dele, um “rompimento institucional”.
Gayer afirma que o Supremo estaria assumindo funções que não lhe competem, interferindo no processo político e cerceando liberdades individuais. Para o deputado, medidas adotadas pela Corte nos últimos meses — incluindo ordens de prisão, conduções e determinações sobre conteúdo publicado em redes sociais — evidenciariam uma “usurpação de poder”.
Ao longo da gravação, o parlamentar também questiona a imparcialidade de ministros do STF e afirma que decisões judiciais estariam sendo utilizadas como instrumento de perseguição política. Ele não apresenta documentos ou provas novas no vídeo, mas critica a condução de investigações e julgamentos em curso.
A publicação gerou rápida mobilização entre apoiadores do deputado, que replicaram o vídeo em diferentes plataformas digitais. Parlamentares alinhados ao PL e a outras siglas da direita também repercutiram as falas de Gayer, classificando-as como um alerta para o “excesso de poder” do Judiciário.
Por outro lado, críticos do deputado afirmam que a acusação de “golpe” carece de fundamento jurídico e contribui para o aumento da desconfiança nas instituições democráticas. Juristas ouvidos por veículos de imprensa nos últimos meses já haviam rebatido narrativas semelhantes, afirmando que decisões do STF estão previstas no ordenamento constitucional e servem ao cumprimento da lei. Outros juristas afirma o contrário, que o STF vem ultrapassando todos os limites constituicionais.
As declarações de Gayer ocorrem em um momento de desgaste entre setores do Legislativo e o STF. Discussões sobre limites da atuação do Judiciário, liberdade de expressão de parlamentares e a condução de investigações sobre atos antidemocráticos têm provocado frequentes embates públicos.
O vídeo divulgado hoje adiciona novo capítulo a esse cenário e deve alimentar debates no Congresso. Lideranças partidárias avaliam que as falas do deputado podem repercutir em requerimentos, discursos e articulações políticas nos próximos dias.
Até o momento, o STF não se manifestou sobre o conteúdo divulgado por Gayer. A expectativa no meio político é de que o vídeo reacenda embates já conhecidos entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros da Corte.
Enquanto isso, o deputado afirma que continuará denunciando o que chama de “ameaças ao Estado de Direito” e mobilizando sua base digital para pressionar por mudanças.
