“Mesada e silêncio”: o turbilhão em torno do filho do presidente e o escândalo no INSS

Uma nova reviravolta sacudiu os corredores do poder. A CPMI do INSS, comissão que investiga um esquema de fraudes e descontos indevidos envolvendo aposentados e pensionistas, votou nesta quinta-feira (4 de dezembro de 2025) contra a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão, por 19 votos a 12, ocorre em meio a acusações graves. Segundo depoimento de um ex-funcionário do operador do suposto esquema, Lulinha teria recebido cerca de R$ 300 mil mensais, além de um repasse total de R$ 25 milhões, pagos pelo empresário apontado como chefe da fraude, o chamado Antônio Carlos Camilo Antunes — o “Careca do INSS”.

Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), em 29 de outubro de 2025, o ex-funcionário do “Careca do INSS”, Edson Claro, afirmou que o esquema de fraudes incluía pagamentos regulares a Lulinha: uma “mesada” de cerca de R$ 300 mil mensais e um repasse de R$ 25 milhões , embora a moeda e o período exato dos repasses não tenham sido esclarecidos.

Segundo o depoimento, Lulinha manteria proximidade com Antunes, inclusive com viagens ao exterior — citadas como feitas em conjunto.

A reportagem que trouxe o caso à público teve acesso parcial ao depoimento enviado à CPMI, sob reserva. Até o momento, não há documentação pública que comprove os supostos repasses ou sociedades entre Lulinha e Antunes. Todos os indícios se baseiam no relato de testemunha.

Na sessão da CPMI nesta quinta (4), o requerimento para ouvir Lulinha foi rejeitado por 19 votos contra 12. A base governista fez defesa conjunta, argumentando que a denúncia é “mera manobra política” da oposição. Já os parlamentares de oposição classificaram a decisão como uma “blindagem institucional”, que impede o esclarecimento de suspeitas graves.

Para o governo, não há provas concretas que justifiquem a convocação — apenas declarações de ex-investigados e denunciantes. Por outro lado, a oposição considera que a recusa compromete a credibilidade da investigação e reforça a percepção de que o processo poderá ser esvaziado antes mesmo de produzir resultados substanciais.

O Brasil já vive uma longa história de denúncias e escândalos envolvendo fraudes na Previdência, empresas de fachada e associações que cobram ilegalmente aposentados, uma ferida institucional que arranha a confiança dos beneficiários. A criação da CPMI do INSS representou uma tentativa de dar visibilidade e controle político às investigações.

Agora, o fato de o filho do presidente estar implicado no caso eleva dramaticamente a atenção pública e política: trata-se de um potencial nó moral e jurídico, não apenas no âmbito da investigação de corrupção e fraude, mas também no debate sobre impunidade, favoritismo e influência de redes privadas no aparelho estatal. Se confirmado, o caso pode representar um dos exemplos mais simbólicos de conexão entre poder político e escândalos de Previdência nos últimos anos.

Por outro lado, se as acusações não forem corroboradas com provas concretas — extratos bancários, contratos, documentos oficiais — o episódio pode terminar como mais um caso de “relato vs. prova”, reforçando o ceticismo da sociedade quanto à eficácia real de CPIs e comissões de inquérito.

A Polícia Federal deverá seguir analisando os documentos apreendidos, registros financeiros e comunicações que possam confirmar ou refutar os repasses mencionados. Se houver material sólido, o caso poderá ganhar outra dimensão. A CPMI pode voltar a pressionar por convocações — inclusive de Edson Claro ou de outros suspeitos — dependendo de novos desdobramentos e de mobilização política da oposição. Independentemente de haver ou não indiciamento, o escândalo alimenta o debate sobre governança, integridade das instituições e transparência na Previdência — e pode gerar impacto simbólico sobre a imagem do governo e da coalizão que o sustenta.

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