O bullying não é apenas uma palavra repetida em campanhas ou escolas. Ele é uma experiência real, marcada por olhares que ferem, risadas que isolam e palavras que continuam ecoando muito depois de serem ditas. Para quem sofre, o dia a dia vira uma batalha silenciosa: acordar, fingir força, tentar se encaixar, suportar mais um comentário, mais uma piada, mais uma exclusão.
Muitas vezes, quem está de fora enxerga apenas “brincadeiras” ou “coisas da idade”. Mas para quem vive isso, não há brincadeira. Há medo. Há vergonha. Há o sentimento persistente de que não se é suficiente — como se algo estivesse errado em simplesmente existir. O bullying não marca a pele; marca a identidade.
E o impacto vai muito além do ambiente onde ele acontece. Ele segue a pessoa para casa, para os pensamentos, para a autoconfiança. Crianças e adolescentes carregam essas feridas para a vida adulta, reconstruindo, aos poucos, aquilo que alguém tentou destruir com meia dúzia de palavras ou atitudes.
Falar sobre bullying é reconhecer que ninguém deveria se sentir pequeno para que outro se sinta grande. É assumir que cada gesto conta, que cada comentário tem peso e que cada silêncio pode significar muito. É entender que empatia não é virtude: é necessidade.
Combater o bullying começa com algo simples e poderoso: enxergar o outro. Ouvir. Acolher. Dizer “você não está sozinho”. Porque ninguém deveria caminhar carregando a dor de ser diminuído todos os dias.
E se você já passou por isso, saiba: a culpa nunca foi sua. Sua história, sua voz e seu valor seguem intactos — mesmo quando tentaram te convencer do contrário. E há sempre alguém disposto a escutar, acolher e ajudar a reconstruir aquilo que foi machucado.
