PF investiga ex-integrante do Exército ligado ao tráfico internacional de armas do Paraguai para o Brasil

Operação Scutum 3 cumpre 13 mandados judiciais e aponta atuação de ex-militar no teste de armamentos de grosso calibre em clube de tiro; arsenal seria destinado a facções criminosas brasileiras

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira uma nova fase da Operação Scutum, batizada de “Scutum 3”, para desarticular um esquema de tráfico internacional de armas de fogo de grosso calibre oriundas do Paraguai e destinadas ao crime organizado no Brasil. Entre os principais alvos da investigação está um ex-integrante do Exército Brasileiro, suspeito de atuar diretamente na logística e validação do armamento ilegal.

Ações foram realizadas em Uberlândia, Ituiutaba, cidades em Goiás, Bahia e Rio de Janeiro. A investigação da Polícia Federal apontou ramificações da organização criminosa em Ituiutaba. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores dos investigados na Operação Scutum 3. Segundo a Polícia Federal, o montante corresponde à movimentação financeira atribuída ao grupo criminoso ao longo de aproximadamente cinco anos de investigação.

Segundo a PF, o núcleo principal atuava em Uberlândia, mas havia conexões identificadas também em Ituiutaba e Patrocínio.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados judiciais entre buscas, apreensões e outras medidas cautelares em cidades da região investigadas. A ofensiva mobilizou equipes da Polícia Federal com apoio de setores de inteligência e combate ao tráfico de armas.

Segundo os investigadores, o ex-militar exercia papel estratégico dentro da organização criminosa. A suspeita é de que ele fosse responsável por testar armamentos paraguaios em um clube de tiro localizado na cidade onde trabalhava. O objetivo seria verificar o funcionamento das armas antes da distribuição para integrantes de facções criminosas.

As investigações apontam que o grupo atuava na internalização clandestina de fuzis, pistolas e outros armamentos de alto poder destrutivo trazidos ilegalmente do Paraguai. Parte desse arsenal teria como destino organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, roubos violentos e disputas territoriais em estados brasileiros.

De acordo com a PF, a operação é resultado do aprofundamento de apurações iniciadas em fases anteriores da Scutum, que já haviam identificado rotas de contrabando, intermediadores e operadores financeiros ligados ao esquema.

Estrutura criminosa sofisticada

Os investigadores afirmam que a organização utilizava métodos sofisticados para dificultar a fiscalização nas fronteiras. Entre as estratégias identificadas estão o uso de “laranjas”, veículos com compartimentos ocultos e comunicação criptografada.

A participação do ex-integrante das Forças Armadas chamou a atenção da PF pelo conhecimento técnico que ele possuía sobre armamentos e procedimentos militares. Esse conhecimento teria sido utilizado para selecionar, avaliar e operacionalizar armas de uso restrito.

Além do tráfico internacional de armas, os investigados podem responder por organização criminosa, comércio ilegal de armamento, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão.

Armas paraguaias abastecem facções no Brasil

O Paraguai segue sendo uma das principais rotas de entrada de armamentos ilegais no Brasil, especialmente devido à facilidade de aquisição de armas no país vizinho e à extensa faixa de fronteira seca.

Nos últimos anos, operações das forças de segurança têm identificado um aumento na circulação de fuzis de origem estrangeira em poder de facções criminosas brasileiras. Muitas dessas armas acabam utilizadas em confrontos urbanos, ataques a bancos e ações contra forças policiais.

Especialistas em segurança pública apontam que o fortalecimento do mercado clandestino de armas está diretamente relacionado ao avanço das organizações criminosas no país.

Operação segue em andamento

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e mapear completamente a rede criminosa. Novas fases da operação não estão descartadas.

Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados passarão por perícia técnica. Entre os itens buscados estão armas, munições, documentos, aparelhos celulares, computadores e registros financeiros.

Até o momento, a PF não divulgou os nomes dos investigados para preservar o andamento das diligências.

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