Testes em plantação de café rendem prêmio a cientistas da UFU
Um estudo do Grupo de Pesquisa em Fertilizantes Especiais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) demonstrou que a aplicação de fertilizantes especiais organominerais é capaz de aumentar a eficiência da adubação do café, evitar danos ao meio ambiente e reduzir custos para os produtores rurais.
A pesquisa foi premiada, em outubro deste ano, pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). O trabalho, apresentado em Campinas (SP) pelo estudante Adailton Agostinho, do curso de graduação em Agronomia, sob orientação do professor Reginaldo de Camargo, é parte da tese de doutorado de Raquel Pinheiro da Mota, defendida em 2023 no Programa de Pós-graduação em Agronomia.
Como funcionam os fertilizantes

Professor Reginaldo de Camargo mostra fertilizante organomineral peletizado, um tipo de granulação (Foto: Arquivo dos pesquisadores)
Os fertilizantes são substâncias orgânicas ou químicas que fornecem nutrientes ao solo. Os fertilizantes orgânicos, por exemplo, esterco de curral, cama de frango e compostagem, têm menos nutrientes, mas oferecem benefícios ao solo como melhora da flora microbiana, da textura e da estrutura e aumentam a retenção de água.
Já os fertilizantes químicos, também chamados de minerais, como cloreto de potássio e ureia, são mais concentrados e têm muitos nutrientes. Entretanto, são perdidos em processos de lixiviação (lavagem do solo pela chuva) e volatilização (evaporação).
Quando os fertilizantes têm uma tecnologia agregada, que melhore sua qualidade e eficiência, passam a ser especiais, como no nome do grupo da UFU. Um desses fertilizantes especiais é o organomineral, formado pela mistura dos dois tipos.
Nos fertilizantes organominerais, a matéria orgânica age como uma proteção e a liberação dos nutrientes passa a ser lenta, o que reduz as perdas. Assim, os produtores economizam tempo e dinheiro e, com menos nutrientes sendo perdidos, há um benefício ambiental, pois diminui a contaminação de lençóis freáticos, rios e lagos.
O que a UFU comprovou

Raquel Pinheiro da Mota é autora da tese “Fertilizantes especiais na cultura do cafeeiro” (Foto: Arquivo dos pesquisadores)
Nas ciências agrárias, já se sabia que a aplicação, de uma vez só, do fertilizante mineral convencional resultaria em grandes perdas, e que, por isso, o ideal seriam aplicações parceladas, em até três vezes, para nutrir as plantas adequadamente. Também já havia a teoria de que a junção entre minerais e orgânicos poderia amenizar esse problema.
Os pesquisadores da UFU, então, decidiram testar essa teoria. Eles fizeram experimentos, durante dois anos, ou seja, duas safras, em uma propriedade rural de Indianópolis (MG), onde testaram diferentes fontes de fertilizantes, em épocas variadas de aplicação, em uma plantação de café.
Foram testados quatro tipos de fertilizantes: mineral convencional, polimerizado (mineral revestido que faz liberação lenta) e dois tipos de organominerais, um à base de resíduos celulósicos de indústrias madeireiras e outro à base de torta de filtro residual da cana-de-açúcar. As aplicações aconteceram no cafezal em outubro e dezembro de 2022 e janeiro e fevereiro de 2023. Além de mensurar a produtividade, a pesquisa avaliou parâmetros vegetativos, como crescimento da planta e diâmetro de copa, e até a qualidade da bebida do café, após processamento e torra.
O principal resultado confirmou a maior produtividade do café com o organomineral, principalmente à base de resíduos celulósicos, que manteve a eficiência com apenas uma aplicação. Isso validou a hipótese de que a tecnologia organomineral não apenas otimiza o uso de nutrientes, mas também simplifica a logística do produtor, reduzindo a mão de obra e os custos operacionais.
Parcerias com empresas
Estudante Adailton Agostinho é orientado pelo professor Reginaldo de Camargo (Foto: Milton Santos)
Há cinco anos, o Grupo de Pesquisa em Fertilizantes Especiais da UFU passou a fazer parcerias com empresas via projetos de extensão, formalizados junto à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc). Essas parcerias são mediadas pela Fundação de Desenvolvimento Agropecuário (Fundap).
O grupo da UFU é formado por 17 pesquisadores de diferentes níveis de formação, entre estudantes e profissionais. O professor destaca o ganho em maturidade profissional que os alunos têm ao participarem de atividades como essas.
A equipe já realizou 55 prestações de serviço e atendeu a oito empresas. São feitos acordos de cooperação entre a universidade e as empresas, que financiam os estudos. “Não significa que o resultado vai ser aquele que ele [empresário] quer. Vai ser aquele que quer acontecer. Nem sempre o resultado que ele gostaria que acontecesse acontece”, afirma Camargo.
Os empresários têm interesse nas parcerias com a universidade devido à estrutura física ampla, aos equipamentos, ao grande número de pesquisadores em áreas como fisiologia vegetal, fertilidade do solo, fitossanidade etc. “Nenhuma empresa aí fora contaria com uma quantidade tão grande de pesquisadores em diferentes áreas. Então, nesse sentido, a universidade é imbatível na prestação de serviço, porque ela tem uma estrutura física de equipamentos e uma e uma estrutura humana muito grande também”, completa.
Fonte: Portal Comunica UFU.
