Teerã — Milhares de iranianos participaram, entre domingo (11) e segunda-feira (12), de manifestações pró-regime em diversas cidades do Irã, em meio a uma onda de protestos antigovernamentais que já dura semanas e tem gerado forte tensão interna e repercussão internacional.
Os atos, convocados por autoridades do governo e amplamente cobertos pela mídia estatal, reuniram apoiadores da República Islâmica em praças e ruas de Teerã, Kerman, Zahedan, Birjand e outras regiões, em demonstrações de “solidariedade nacional” e de apoio às instituições do Estado. Participantes entoaram slogans contra o que foi descrito pelos organizadores como “distúrbios”, “terrorismo” e “interferência estrangeira”, rejeitando as críticas internas e as declarações de líderes estrangeiros sobre a situação no país.
Autoridades iranianas atribuem os últimos episódios de violência a grupos armados e a agentes externos, acusando serviços de inteligência estrangeiros, incluindo os dos Estados Unidos e de Israel, de fomentar a instabilidade com o objetivo de desestabilizar o regime. Em entrevistas à televisão estatal, altos representantes do governo qualificaram os distúrbios recentes como provocados por “terroristas” e “mercenários” que atuariam em conluio com forças externas.
Em comentários à imprensa internacional, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o governo está “pronto para guerra” caso haja interferência externa, ao mesmo tempo em que declarou abertura para negociações sob condições de respeito mútuo. Essas declarações ocorrem em meio a ameaças expressas por líderes estrangeiros sobre possíveis ações em resposta à repressão estatal contra manifestantes antigovernamentais.
Os protestos antigovernamentais tiveram início em dezembro de 2025, motivados em grande parte por fatores econômicos, como a alta inflação e a deterioração do poder de compra, e se expandiram para reivindicações mais amplas de reforma política. Organizações de direitos humanos e grupos independentes relatam um número significativo de mortos e milhares de prisões em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, embora as cifras exatas variem conforme a fonte.
Enquanto os atos pró-regime buscam projetar um quadro de coesão e apoio popular ao governo, observadores internacionais e analistas destacam que a situação no Irã permanece volátil, com tensões sociais e políticas persistentes que continuam a desafiar a estabilidade interna e a agenda diplomática do país.
