Jair Bolsonaro será transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda

O ex-presidente Jair Bolsonaro será transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde passará a ocupar uma sala de Estado-Maior com área total equivalente a cerca de cinco vezes o espaço que ocupa atualmente na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a mudança ocorreu nesta quinta-feira (15).

Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à uma suposta trama golpista, estava detido desde novembro de 2025 em uma cela individual reformada de aproximadamente 12 m² na sede da PF. O local contava com cama de solteiro, frigobar, televisão, ar-condicionado, banheiro privativo e janela.

A nova acomodação, localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar (conhecido como “Papudinha”), tem área construída de 54,7 m² (além de cerca de 10 m² de área externa para banho de sol), totalizando aproximadamente 64,8 m². O espaço — originalmente projetado para abrigar até quatro presos — será utilizado exclusivamente por Bolsonaro, de forma individual. A estrutura inclui quarto, sala, banheiro, lavanderia, cozinha, geladeira, filtro de água e ar-condicionado, oferecendo condições bem mais amplas e confortáveis em comparação ao local anterior.

A transferência ocorre após meses de debates sobre as condições de detenção do ex-presidente. A defesa de Bolsonaro havia protocolado pedidos recorrentes de prisão domiciliar humanitária, citando problemas de saúde e uma queda sofrida em janeiro deste ano dentro da cela da PF. O STF, porém, manteve o regime fechado na carceragem da Polícia Federal até o momento, considerando fatores como segurança e o andamento dos processos.

Em decisões recentes, Moraes rebateu críticas da família Bolsonaro às condições na PF, listando 13 privilégios concedidos ao ex-presidente — entre eles isolamento exclusivo, comodidades como TV e frigobar, e refeições diferenciadas —, classificando o tratamento como “absolutamente excepcional” em comparação ao padrão do sistema prisional brasileiro.

O novo local na Papuda já abriga outro condenado no mesmo núcleo de acusações: o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que cumpre pena de 24 anos em cela semelhante. A mudança também prevê atendimento médico multidisciplinar e cinco refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia), além de autorização para visitas em horários regulamentados.

A transferência reacende discussões sobre o tratamento diferenciado dispensado a ex-autoridades em salas de Estado-Maior, modalidade prevista em lei para presos com foro privilegiado ou em situações especiais de segurança. Aliados de Bolsonaro veem a ampliação do espaço como uma melhora na rotina, enquanto críticos apontam que as condições continuam privilegiadas em relação à superlotação e às precariedades enfrentadas pela maioria da população carcerária do país.

A defesa do ex-presidente ainda não se manifestou oficialmente sobre a mudança, mas fontes próximas indicam que a expectativa é de que o novo ambiente proporcione maior conforto e facilite eventuais exames médicos pendentes. O STF informou que a cela será monitorada com rigor para garantir o cumprimento integral da pena.

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