Um vídeo publicado na plataforma YouTube nos últimos dias tem ganhado destaque ao desafiar oficialmente os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre inflação no Brasil, gerando repercussão entre economistas, influenciadores políticos e usuários nas redes sociais. O vídeo postado no perfil “Minha Inflação”no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=Apm0EbP-CNc), e em outras plataformas (@minhainflacao – https://t.co/4mR1ulVLMk – https://x.com/minhainflacao) contesta diretamente as informações divulgadas pelo IBGE.
Intitulado em inglês como “This guy did a study that debunks Lula’s IBGE (Brazilian Institute of Geography and Statistics)”, o conteúdo, com centenas de milhares de visualizações poucos dias após sua publicação, afirma que um estudo teria comprovado que os números oficiais divulgados pelo IBGE sobre inflação estariam distorcidos ou subestimados.
No vídeo, o autor apresenta supostos cálculos comparativos que, segundo ele, revelariam que a inflação enfrentada pela população brasileira — sobretudo em itens de consumo essenciais como alimentos, combustíveis e energia elétrica — seria significativamente maior do que os índices oficiais apontados pelo IBGE.
Embora a análise tenha sido veiculada em inglês, a discussão já se espalhou para plataformas de língua portuguesa, incluindo postagens nas mídias sociais que vinculam o conteúdo a debates sobre a chamada “inflação real”.
Usuários no Brasil compartilharam trechos do vídeo com a legenda “a inflação real”, sugerindo que os dados oficiais não estariam refletindo a experiência concreta do consumidor brasileiro diante do aumento de preços.
Especialistas que acompanharam parte do debate afirmam que vídeos com esse tipo de alegação tendem a se espalhar rapidamente em ambientes polarizados, mesmo sem uma verificação independente dos dados citados.
O IBGE é a principal fonte oficial de estatísticas econômicas e sociais no país, incluindo a medição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a referência para inflação. O instituto utiliza uma cesta padronizada de bens e serviços e uma metodologia consolidada para cálculo dos índices, com ampla revisão técnica e auditorias periódicas.
Até o momento, não há declaração pública do IBGE referente ao estudo citado no vídeo que contradiga diretamente seus números oficiais. Instituições técnicas costumam recomendar cautela ao adotar análises que não estejam publicamente documentadas ou revisadas por pares.
A inflação é um tema sensível no Brasil, especialmente em períodos de instabilidade econômica e aumento dos preços ao consumidor. Índices oficiais são frequentemente debatidos por economistas, imprensa e sociedade civil, e comparações entre diferentes metodologias (oficiais e alternativas) fazem parte da discussão técnica e pública sobre custo de vida e políticas econômicas.
Consultor econômico aponta lacunas que geram desconforto
Por outro lado, Ana Paula Rocha, consultora em políticas públicas, diz que há espaço para debate:
“O índice oficial agrega centenas de produtos e serviços, mas muitas famílias sentem na prática aumentos em itens que representam uma parcela maior de seus gastos mensais. Isso não invalida os dados oficiais, mas mostra que índices complementares podem ser úteis para entender experiências distintas no país.”
Rocha defende que metodologias alternativas, como as produzidas por institutos privados ou pesquisas independentes, ampliam o entendimento sobre preços ao consumidor, especialmente em períodos de grande volatilidade econômica.
