PEQUIM — Em uma das mais assistidas transmissões televisivas do mundo, os robôs humanoides chineses roubaram a cena nas celebrações do Ano Novo Lunar de 2026, protagonizando performances que misturam tecnologia de ponta e tradições culturais milenares.
O Gala do Festival da Primavera da CCTV, exibido na noite de 16 de fevereiro, transformou o que é tradicionalmente um show de variedades em uma vitrine da capacidade industrial e da evolução da robótica no país. Nesta edição, empresas nacionais especializadas em tecnologias de inteligência artificial e automação trouxeram dezenas de robôs para o palco numa performance altamente coordenada que ultrapassou em muito as demonstrações do ano anterior.
Robôs em destaque: artes marciais, acrobacias e sincronização avançada
Empresas como Unitree Robotics, Galbot, Noetix e MagicLab foram destaques do espetáculo, com robôs executando sequências que mesclam kung fu, acrobacias, rotações sincronizadas e movimentos de dança ao lado de artistas humanos. Alguns dos destaques incluíram:
- Performances de artes marciais, com robôs empunhando bastões e espadas em combates coreografados.
- Movimentos atléticos avançados, incluindo saltos, giros e “backflips”, que impressionaram tanto o público doméstico quanto quem assistiu às transmissões internacionais.
- Interações com crianças e comediantes, integrando tecnologia e narrativa tradicional no formato de variedades televisivas.
Comparado com as demonstrações de 2025 — onde os robôs limitavam-se a movimentos mais simples e mecânicos — o salto de desempenho em 2026 foi notável, evidenciando melhorias significativas em dinâmica motora, coordenação e controle de movimentos complexos.
Além do espetáculo: o contexto tecnológico e industrial
Especialistas veem o uso de robôs nesses grandes eventos não apenas como entretenimento, mas como parte de uma estratégia mais ampla da China para consolidar sua liderança em robótica industrial e inteligência artificial. O país já responde por cerca de 90% das vendas globais de robôs humanoides, segundo analistas citados em reportagens recentes, e está incentivando startups e corporações a avançarem em aplicações práticas e comerciais.
O espetáculo televisivo deste ano também contou com menções a chatbots e IA interativa, destacando a integração da robótica com software inteligente — algo que reflete prioridades nacionais como a iniciativa AI+Manufacturing e planos de longo prazo para automação.
Repercussão pública e opiniões contrastantes
Nas redes sociais e fóruns internacionais, as performances dos robôs dividem opiniões. Enquanto muitos admiram o avanço técnico e a fluidez dos movimentos, outros questionam:
- Quanto de autonomia real os robôs têm, em oposição a movimentos pré-programados.
- O papel que máquinas desempenharão em empregos, cuidado de idosos e vida cotidiana.
- O simbolismo de substituir, ao menos parcialmente, performers humanos em uma tradição cultural tão arraigada.
Esses debates ecoam fora da China, onde parte do público mundial vê a cena como um prenúncio de uma nova era tecnológica, enquanto outros alertam para questões éticas e sociais relacionadas à automação acelerada.
A participação de robôs humanoides nas celebrações do Ano Novo Lunar chinês em 2026 representa mais que um espetáculo tecnológico: é um momento simbólico e estratégico. Ao colocar máquinas avançadas no centro de um evento cultural de enorme audiência, a China está comunicando tanto para sua própria população quanto para o mundo que a robótica está deixando de ser apenas um laboratório de pesquisa para se tornar uma face visível — e performática — de seu poder tecnológico.
