Washington — As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (20) a apreensão de mais um navio-petroleiro ligado à Venezuela no mar do Caribe, marcando a sétima ação desse tipo em menos de dois meses no âmbito de uma campanha mais ampla para controlar os fluxos de petróleo venezuelano.
O Motor Vessel Sagitta foi interceptado pelo Comando Sul das Forças Armadas americanas em uma operação marítima conduzida “sem incidentes”, segundo comunicado divulgado pelas autoridades dos EUA. A apreensão ocorreu como parte de uma iniciativa — descrita por Washington como uma “quarentena” marítima — que visa interromper a circulação de embarcações sancionadas e impedir que petróleo venezuelano circule fora de canais considerados legais pelas autoridades norte-americanas.
De acordo com as informações oficiais, a ação integra uma estratégia determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo governo tem intensificado medidas para reduzir o papel de Caracas no mercado global de energia após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa no início de janeiro. As apreensões, que incluem navios que supostamente operam sob sanções norte-americanas ou que fazem parte de uma chamada “frota sombra” para camuflar a origem de petróleo de países sancionados, refletem a tentativa dos EUA de estabelecer um controle mais rígido sobre a produção e exportação de petróleo venezuelano.
A campanha para deter navios com ligações a Caracas ocorre em meio a um cenário geopolítico tenso na região e tem levantado debates sobre legalidade, soberania e as implicações para os mercados energéticos internacionais. Autoridades norte-americanas sustentam que essas operações são necessárias para garantir que o único petróleo venezuelano exportado esteja sujeito a normas e supervisão adequadas.
A medida também se insere em um plano mais amplo que inclui propostas para reconstruir a infraestrutura petrolífera venezuelana, estimado em cerca de US$ 100 bilhões, e potencialmente estabilizar a produção de um dos maiores reservatórios de petróleo do mundo sob padrões que os EUA consideram “legítimos”.
Especialistas em relações internacionais observam que a intensificação dessas ações militares navais pode aprofundar as tensões entre Washington e aliados ou rivais geopolíticos preocupados com a segurança marítima e o respeito ao direito internacional. A retomada do debate sobre a intervenção e a influência dos EUA na América Latina promete permanecer no centro das discussões diplomáticas nas próximas semanas.
