Navios retomam travessia no Estreito de Ormuz sob restrições impostas pelo Irã

Irã tem controlado passagem de navios desde o início da guerra com EUA

Ao menos cinco embarcações comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz desde quinta-feira (2), segundo dados de navegação marítima, indicando uma retomada parcial do tráfego na região. A passagem ocorre em meio à política adotada pelo Irã de permitir o trânsito apenas de navios considerados “amigáveis”.

Entre as embarcações que realizaram a travessia estão três petroleiros operados por uma empresa de Omã, um navio porta-contêineres de propriedade francesa e um transportador de gás natural liquefeito (GNL) ligado ao Japão.

O Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do comércio global de petróleo e GNL, havia sido fechado pelo Irã após ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, episódio que intensificou as tensões na região. Posteriormente, Teerã anunciou que permitiria a passagem de embarcações sem vínculos com esses países.

A movimentação recente é acompanhada com atenção pelos mercados de energia e commodities, que buscam sinais de normalização do fluxo marítimo. Nas semanas anteriores, alguns navios conseguiram deixar a área, mas as operações foram interrompidas por períodos de paralisação total.

Um dos casos registrados foi o de um porta-contêineres da empresa francesa CMA CGM, que atravessou o estreito na quinta-feira. Antes da passagem, a embarcação alterou sua identificação no sistema automático para destacar a nacionalidade francesa — estratégia interpretada como forma de facilitar a autorização iraniana.

No mesmo dia, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que apenas soluções diplomáticas, e não ações militares, seriam capazes de reabrir plenamente a rota marítima.

Dados de rastreamento indicam ainda que algumas embarcações desligaram seus transponders durante a travessia, o que dificultou o monitoramento em tempo real.

Também na quinta-feira, dois grandes petroleiros e um navio-tanque de GNL operados pela Oman Shipping Management deixaram o Golfo, conforme registros das plataformas MarineTraffic e LSEG.

Omã, que anteriormente atuou como mediador entre Irã e Estados Unidos, criticou os ataques realizados durante o período de negociações.

Já a empresa japonesa Mitsui O.S.K. Lines confirmou na sexta-feira (3) que o navio Sohar LNG, do qual é coproprietária, atravessou o estreito — sendo o primeiro navio ligado ao Japão e o primeiro transportador de GNL a realizar a travessia desde o início do conflito.

A companhia não detalhou o momento exato da passagem nem informou se houve negociação prévia para autorização.

Apesar desses avanços, cerca de 45 embarcações associadas a empresas japonesas ainda permaneciam retidas na região até o início da sexta-feira, segundo o Ministério dos Transportes do Japão.

Outro navio-tanque de GLP da Mitsui, o Green Sanvi, também deixou o Golfo pelas águas territoriais iranianas no início do mesmo dia. Já uma embarcação com bandeira da Índia sinalizou sua origem e tripulação como indianas, em possível tentativa de evitar restrições.

Mapa Estreito de Ormuz

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