Artemis 2, missão lunar, bate recorde de distância da terra

Astronautas ultrapassaram distância de 248 mil milhas do planeta

A missão Artemis 2, da NASA, atingiu nesta segunda-feira um marco histórico ao levar quatro astronautas ao ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos. A tripulação segue em trajetória de assistência gravitacional lunar, rumo a um raro sobrevoo tripulado do lado oculto da Lua.

A bordo da cápsula Orion desde o lançamento na Flórida na semana passada, os astronautas iniciaram o sexto dia de missão ao som de uma mensagem gravada do veterano Jim Lovell, comandante das missões Apollo 8 e Apollo 13. “Bem-vindos à minha antiga vizinhança”, disse Lovell, que morreu em 2025, aos 97 anos, em referência à região lunar que ajudou a explorar durante a Guerra Fria.

Horas depois, a Artemis 2 superou o recorde estabelecido em 1970 pela Apollo 13, ultrapassando a marca de 248 mil milhas (cerca de 400 mil quilômetros) da Terra. A nova missão deve atingir aproximadamente 252.755 milhas, consolidando o feito após mais de meio século.

A tripulação é formada pelos astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. Durante o trajeto, os tripulantes chegaram a sugerir nomes provisórios para formações lunares ainda não catalogadas oficialmente, incluindo uma cratera batizada de “Integridade”, em referência à cápsula Orion, e outra proposta em homenagem a Carroll, falecida esposa de Wiseman.

Nos próximos momentos da missão, a Orion deve contornar o lado mais distante da Lua a cerca de 6.400 quilômetros de altitude. A manobra proporcionará uma visão rara: a Terra reduzida a um pequeno ponto no horizonte lunar, fenômeno observado anteriormente apenas por astronautas das missões Apollo.

O sobrevoo representa o ponto alto da Artemis 2, primeiro voo tripulado do programa Artemis, criado como sucessor das missões Apollo das décadas de 1960 e 1970. Trata-se também da primeira viagem humana às proximidades da Lua em mais de 50 anos.

O programa Artemis prevê o retorno de astronautas à superfície lunar até 2028 e a construção de uma presença sustentável no satélite natural, com vistas a futuras missões tripuladas a Marte. A última vez que humanos caminharam na Lua foi em 1972, durante a missão final do programa Apollo.

Durante o sobrevoo, a tripulação enfrentará períodos de blackout nas comunicações, já que a Lua bloqueará o contato com a Rede de Espaço Profundo da NASA. Ainda assim, os astronautas deverão registrar imagens de alta resolução da superfície lunar, incluindo ângulos raros da luz solar incidindo sobre o relevo.

As observações serão acompanhadas em tempo real por uma equipe de cientistas no Centro Espacial Johnson, em Houston, que analisará as descrições feitas pela tripulação — treinada para identificar e relatar fenômenos geológicos e visuais da Lua.

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