Rio de Janeiro — O médico ginecologista e obstetra Raphael Câmara, conselheiro federal do Conselho Federal de Medicina (CFM) pelo Rio de Janeiro, veio a público para esclarecer controvérsias recentes relacionadas à sua atuação e a decisões adotadas pela entidade em temas sensíveis da prática médica.
Segundo Câmara, as posições defendidas por ele no âmbito do CFM seguem critérios técnicos, éticos e científicos, alinhados às atribuições legais do conselho, que tem como função normatizar e fiscalizar o exercício da medicina no país. O conselheiro afirma que as interpretações de cunho político atribuídas às resoluções são “equivocadas” e não refletem o processo interno de deliberação da autarquia.
A polêmica envolve, principalmente, resoluções do CFM relacionadas a procedimentos médicos em áreas como saúde reprodutiva e atendimento a crianças e adolescentes, que passaram a ser alvo de críticas de setores da sociedade civil, parlamentares e profissionais da saúde. Para Câmara, o debate público é legítimo, mas precisa estar ancorado em evidências científicas e no respeito às competências institucionais do conselho.
“O CFM não legisla nem atua por convicções pessoais. Nosso papel é estabelecer parâmetros éticos e técnicos que garantam segurança ao paciente e respaldo ao médico”, afirmou o conselheiro em declarações recentes.
Câmara também rebateu críticas sobre suposta falta de diálogo dentro da entidade, sustentando que as resoluções seguem trâmites formais, com análise em comissões técnicas e votação em plenário. Ele reconhece, no entanto, que temas de grande repercussão social exigem comunicação mais clara com a população e com a classe médica.
Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com doutorado na área de ginecologia, Raphael Câmara tem atuação destacada em debates sobre bioética, saúde da mulher e regulação do exercício profissional. Sua postura, considerada mais conservadora em determinados temas, gera tanto apoio quanto oposição entre médicos e especialistas.
Para o conselheiro, o centro da discussão deve permanecer na proteção da boa prática médica. “O CFM existe para preservar a medicina e a segurança dos pacientes. Qualquer decisão precisa partir desse princípio”, concluiu.
